AMCG busca apoio para criar região metropolitana

A Associação dos Municípios dos Campos Gerais (AMCG) pretende reascender as discussões sobre a criação da região metropolitana. Durante os encontros deste ano, o tema chegou a pautar algumas conversas entre os prefeitos associados. Entretanto, em razão do período eleitoral, acabou no segundo plano. De acordo com o presidente da AMCG e prefeito de Carambeí, Osmar Blum (DEM), o debate será retomado em 2015 e é possível que esteja bem encaminhado até o fim do seu mandato frente à entidade, em maio.
Além da região metropolitana, Blum destaca também as ações da associação para enfrentar o cenário de recessão econômica projetado para o próximo ano e detalha as primeiras metas da AMCG para 2015.
Jornal da Manhã: Quais serão as prioridades da AMCG no próximo ano?
Osmar Blum: A gente vai continuar com o mesmo estilo das reuniões itinerantes nos municípios pequenos e vai intensificar, agora, as retomadas dos programas do Governo do Estado que foram suspensos. Em janeiro já estaremos em reunião com os prefeitos para saber quais são as demandas dos municípios. Teve alguns convênios que o governo suspendeu para fazer o fechamento do final de ano. A gente ainda vai fazer o levantamento, no começo do ano, das prefeituras que tiveram os convênios suspensos. Entre os programas, tem o convênio das pedras irregulares (Caminho das Pedras) e a Patrulha Rural que também foi suspensa.”
JM: Essas suspensões afetaram muito a produção rural na região?
Osmar: Afeta bastante o planejamento das prefeituras. Estavam todos esperando passar o ano com as estradas rurais boas, por exemplo, mas como houve muita chuva e a suspensão da patrulha, as estradas foram danificadas, o que dificultou o escoamento da produção agropecuária.
JM: As previsões econômicas para o próximo ano apontam uma retração mais intensa do crescimento do que neste ano. Como a entidade pretende agir para aliviar os impactos da crise nas prefeituras?
Osmar: O que ocorreu este ano não foi diferente do que ocorreu em 2013. Todo final de ano existe essa correria, porque a gente faz a Lei Orçamentária Anual, ela é aprovada, mas os gastos superam a arrecadação e precisamos adequar no fim de ano. Nossa recomendação é para os prefeitos, no começo do ano, já terem cautela. O que mais impactou os municípios, que a gente sentiu na pele, foi que não houve o crescimento esperado da economia.
JM: A Confederação Nacional dos Municípios (CNM) denunciou, recentemente, uma série de atraso de repasses federais para a saúde e educação. Esses atrasos têm afetado a região?
Osmar: A gente participou do treinamento da CNM, onde realmente foi levantado que tinham alguns programas que estavam com atraso no repasse. Isso aconteceu na região sim e esse é o grande problema dos gestores. A demanda está cada vez maior, mais remédios nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), mais médicos, a produção agropoecuária e industrial aumentando e os repasses, a arrecadação não acompanha essas demandas.
JM: Como reduzir essa diferença entre o crescimento das despesas e receitas?
Osmar: Em todas as nossas reuniões, a gente tem buscado apoio para trazer mais industriais para as pequenas cidades, para aumentar a arrecadação de impostos municipais como o ISS. Isso porque a maioria dos tributos pagos pela população não retorna para as prefeituras.
JM: Na última sessão do ano, a Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) aprovou a criação de quatro regiões metropolitanas (Apucarana, Cascavel, Campo Mourão e Toledo), isso deve reascender o debate sobre a região metropolitana dos Campos Gerais?
Osmar: A gente já conversou de novo sobre a questão da região metropolitana neste ano e ficamos de ter mais conversas em 2015. Está na pauta da AMCG a abertura de um novo canal de discussão sobre a região. Queremos fazer um debate bem aprofundado e, até no final do nosso mandato, ter algum estudo mais completo.
JM: No ponto de vista do senhor, a criação da região metropolitana seria benéfica aos municípios da AMCG?
Osmar: Eu continuo acreditando que isso é muito bom para todos os municípios. As regiões metropolitanas trazem soluções para a mobilidade urbana, que envolvem uma questão delicada que é a tarifa do transporte coletivo, e demais etores. Existe uma série de investimentos do Governo Federal e Estadual que as metrópoles recebem. Eu, enquanto prefeito de Carambeí, sou favorável. Mas é preciso que haja um amplo debate e um consenso entre as prefeituras.
Osmar Blum
Prefeito de Carambeí eleito em 2012 pelo DEM, Osmar Blum foi aclamado presidente da Associação dos Municípios dos Campos Gerais (AMCG) em maio, em substituição à prefeita de Tibagi, Ângela Mercer (PTB). Com o mandato de um ano, Blum tem como bandeira a descentralização do processo industrial na região. Além de Blum, a diretoria da entidade é composta pelo prefeito de Ipiranga, Roger Selski (PR), pelo prefeito de Palmeira, Edir Havrechaki (PSC) e pela prefeita de Ortigueira, Lourdes Banach (PPS).
Informações do Jornal da Manhã.





















