Fiep estima prejuízos de R$ 3 bi na indústria do PR
Em entrevista ao Portal aRede, o presidente da Fiep, Edson Campagnolo, estima que 10 dias são necessários para a retomada da produção

O setor industrial foi o segmento da economia mais afetado pela greve dos caminhoneiros no Paraná. Estimativa da Federação das Indústrias do Estado (Fiep) revela que R$ 3 bilhões foram perdidos desde segunda-feira, quando a greve foi iniciada em todo o país. E a região dos Campos Gerais, com a força da agroindústria e com a cidade que possui o maior parque industrial do interior do Estado (Ponta Grossa), foi uma das mais diretamente afetadas, assegurou o presidente da Fiep, Edson Campagnolo, que concedeu uma entrevista ao vivo, no final da tarde desta quarta, ao Portal aRede.
“Os prejuízos eu posso dizer que são incalculáveis. A estimativa é de que a indústria, em atividade normal, produziria R$ 550 milhões por dia. Como tivemos do primeiro para o segundo e terceiro um agravamento, porque insumos e matérias primas não chegavam, e novos faturamentos não saíam dos estabelecimentos, isso fez multiplicar o prejuízo”, relatou Campagnolo. Ele participou, com outras lideranças do setor produtivo que compõem o G7, de reunião com a governadora Cida Borghetti, no Palácio Iguaçu, onde foram anunciadas medidas para a retomada do abastecimento.
Conforme lembra Campagnolo, as manifestações tiveram forte apelo popular no início, mas que após a apresentação das propostas do governo, que atenderam ao setor, o apoio caiu a 20% no Paraná, nesta quarta-feira. No período, contudo, os mais diversos ramos da região foram afetados. “Talvez os Campos Gerais sejam uma das regiões mais impactadas. É uma das maiores economias do Estado, e apesar da proximidade com o porto com o centro consumidor de São Paulo e Curitiba, certamente foi impactada”, disse, lembrando as perdas no agronegócio, como no leite.
Questionado sobre os prazos de recuperação, ele acredita que uma retomada da produção industrial, de forma integral, ocorrerá em, pelo menos, duas semanas. “Acho que em menos de 10 dias não deve ocorrer a retomada, porque o desabastecimento foi generalizado. Imagina uma empresa com o transporte saindo do Nordeste ou Centro-Oeste, então é difícil dizer quando volta a plena atividade”, completa o presidente da Federação.
Segundo Campagnolo, cerca de 90% das indústrias do Paraná, que são micro, pequenas e médias, terão dificuldades para cumprir a folha de pagamento neste final de mês e honrar outros compromissos como pagamento de impostos e duplicatas. O presidente da Fiep destacou a integração de todo o setor produtivo, do Governo do Estado, da Polícia Militar, da Polícia Rodoviária Federal e do Exército Brasileiro na busca da solução do impasse.
Porto de Paranaguá registra fila de 34 navios
Durante a entrevista, no final da tarde, Campagnolo revelou uma informação em primeira mão: as condições do Porto de Paranaguá, que estava paralisado, e voltou a operar às 14 horas de ontem. Segundo ele, haviam 34 navios parados. “Agora que chegaram as 10 primeiras cargas frigorificadas. Para as próximas 24 horas, 1,2 mil caminhões estarão despejando 42 mil toneladas de soja”, disse. Ele lembrou ainda que os navios parados, sem carga, precisam pagar uma multa, de US$ 15 mil por dia. “Então foi um prejuízo significativo”, concluiu.





















