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Agronegócio e comércio são afetados pela chuva

Enquanto alguns produtores de feijão perderam toda a plantação, lojistas venderam menos por ter menor fluxo de clientes

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Fernando Rogala

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Janeiro foi o mês mais chuvoso dos últimos 20 anos em diversos municípios do Paraná, segundo o Simepar. Ponta Grossa está nessa lista: choveu quase o dobro da média pluviométrica do mês neste ano. Dos 181 milímetros que costumam cair nos 31 dias, o acumulado nestes primeiros dias de 2018 atingiu mais de 345 milímetros, conforme registra uma estação meteorológica da Fundação ABC na cidade (no Campo Experimental). Foram 21 dias com chuvas, e praticamente uma semana de dias limpos, com sol. E isso impactou diretamente em segmentos da economia de Ponta Grossa, como no comércio e na agricultura. 

A agricultura foi o setor mais impactado diretamente, que teve mais prejuízos financeiros. Somente no feijão, Luiz Alberto Vantroba, economista do núcleo regional do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado de Agricultura e Abastecimento (SEAB), afirma que as perdas já superam os 20%. “Em algumas áreas foi perdido totalmente. Outras foram parcialmente perdidas, com feijões brotados na planta. E outros tiveram o grão com baixa qualidade. Alguns produtores não conseguiram nem colher”, diz. Outro grande problema está nas estradas rurais, que encharcadas dificultam o escoamento do que foi colhido.

Outro setor da agricultura bastante afetado foi das verduras e hortaliças, cujos produtores tiveram grandes prejuízos, por estragarem por excesso de umidade. No caso da soja o grão em si não foi muito afetado por enquanto, mas doenças estão incidindo. “Na soja agora o pessoal vai ‘colocar a casa em ordem’, para atualizar aplicações contra doenças, especialmente a ferrugem asiática e mofo branco. Os produtores estavam preocupados porque não conseguiam entrar com máquinas, porque os tratores estavam encalhando”, completa Vantroba. O milho foi a cultura menos afetada. 

Já no caso do comércio, a chuva reduziu o número de pessoas circulando nas ruas. Com isso, o fluxo de pessoas nas lojas foi menor. Anderson Landreis, proprietário das diversas unidades da ‘Loja da Economia’ na região, que comercializa roupas e calçados, relata que foi um mês bastante negativo. “Foi o pior janeiro dos últimos quatro anos”, resume. 

José Loureiro, presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Ponta Grossa e Região (Sindilojas PG), reconhece que a chuva impacta diretamente no setor. Porém lembra que alguns setores são mais prejudicado que outros, já que, no caso de lojas de móveis e eletrodomésticos, que tiveram ótimas vendas nas promoções de início de ano. “Por isso, acredito que janeiro deste ano deve ser um pouco melhor que em 2017, que foi muito ruim. Mas é claro que, se não fosse a chuva, estaríamos bem melhor”, conclui.

Algumas obras de construção civil são 100% interrompidas

As chuvas também afetam diretamente outro setor da economia, a da construção civil. Para alguns tipos de obra, há a impossibilidade de continuação, como explica o representante do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado do Paraná (Sinduscon) nos Campos Gerais, Helmiro Bobeck. “A chuva afeta obras em 100% quando incide sobre movimentação de terra, pavimentação. Mesmo a obras de saneamento paralisam” explica o empresário. “Na construção, ninguém consegue iniciar uma obra, porque não tem como, então afeta tudo o que depende de acesso à parte externa. Muitos poucos serviços se consegue fazer plenamente, porque muitos materiais vem de fora; até pintura interna influencia”, conclui Bobeck.

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