Região produz R$ 31 bi em riquezas e PIB cresce 8,7%
Números revelados nesta quinta pelo IBGE mostram que apenas duas cidades da região tiveram queda nominal no PIB em 2015

A região dos Campos Gerais, mais uma vez, teve um resultado superior às médias nacional e estadual quanto à geração de riquezas. A soma Produto Interno Bruto (PIB) dos 27 municípios que compõem a região atingiu a marca de R$ 31 bilhões em 2015, o que representa um crescimento nominal de 8,72% em relação aos R$ 28,5 bilhões registrados no ano anterior. Mesmo aplicando a deflação do PIB do período, a região apresentou um crescimento real, de 1,07%. O resultado foi revelado na manhã desta quinta-feira (14) pelo IBGE.
O maior crescimento entre os municípios dos Campos Gerais foi de Ortigueira. Sede da Unidade Puma, fábrica de celulose da Klabin, que recebeu investimentos superiores a R$ 8 bilhões, e que iniciou suas operações em março do ano passado, a cidade viu o seu PIB crescer 45,4%. Os R$ 672,2 milhões registrados em 2014 saltaram para R$ 977 milhões em 2015, o que representa um aumento superior a R$ 300 milhões. De todos os municípios dos Campos Gerais, foi o que registrou o maior crescimento do Valor Adicionado da Indústria, que aumentou 65,5% e atingiu R$ 340 milhões. Foi também o que registrou o maior incremento em impostos, 79,1%.
Oito municípios da região tem o PIB na casa de R$ 1 bilhão. Ponta Grossa segue na liderança regional, com um PIB de R$ 11,80 bilhões, o que representa 38% do total regional. Na sequência aparecem Telêmaco Borba e Castro. Irati tem a quarta maior economia dos Campos Gerais, seguida por Jaguariaíva. Dos 27 municípios que compõem a região, apenas dois tiveram queda nominal no PIB: Cândido de Abreu, cuja baixa foi de 2,12%; e Sengés, que teve uma retração de 1,63%. Dez deles, por sua vez, registraram crescimento na casa dos dois dígitos, ou seja, igual ou superior a 10%.
Entre os setores que compõem o PIB regional, se destaca o setor de serviços, responsável por movimentar R$ 11,22 bilhões, ou seja, pouco mais de um terço do total regional. Este segmento é seguido de perto pela indústria, que gerou R$ 8,12 bilhões. A Agropecuária atingiu R$ 4,5 bilhões, enquanto que o valores arrecadados pela administração pública, saúde, educação e seguridade social R$ 3,74 bilhões. O maior crescimento, porém, foi dos impostos, 13,9% (R$ 3,39 bilhões), seguido pelo setor de serviços, com alta de 11,5%. A indústria cresceu 7,3%.
Augusta Pelinski Raiher, doutora em economia do desenvolvimento, destaca que a região teve esse destaque, de crescimento real, pelas suas características agrícolas, por ter muito forte o setor primário, que não tende a ser impactado fortemente em uma crise, como essa que se efetivou em 2015. “Nas regiões balizadas pela agricultura, o impacto é menor, então é por isso que consegue crescimento econômico, pelas economias não serem fundamentadas na industrialização. Ponta Grossa, como tem boa parte formada pelo setor de serviços e indústria, sofre porque são os primeiros setores impactados pela crise econômica”, reforça.
PIB de Ponta Grossa atinge R$ 11,8 bilhões
Mesmo em um período de retração do PIB em todos os estados brasileiros, em um dos piores anos da história do país no que tange a índices econômicos, o Município de Ponta Grossa registrou um incremento de 4,33% no Produto Interno Bruto (PIB). A soma de todas as riquezas produzidas na cidade em 2015 atingiu a marca de R$ 11,80 bilhões, ou seja, R$ 488,9 milhões acima dos R$ 11,31 bilhões acumulados em 2014 (neste último caso com os valores já atualizados e ajustados). Com base na deflação do PIB (7,57%), a queda real ficou na casa dos 3%.
Mesmo com esses crescimento nominal, que representou um aumento de quase meio bilhão na comparação com o ano anterior, Ponta Grossa acabou perdendo posições no ranking nacional e estadual, mostrando que o município não passou impune à crise: o montante coloca Ponta Grossa como a cidade com o 74º maior PIB do Brasil (uma posição pior que no ano anterior, 73º), e a sétima maior produtora de riquezas do Paraná, já que foi ultrapassada por Foz do Iguaçu (71ª) e Araucária (60ª).
Na comparação com outras grandes cidades paranaenses, Ponta Grossa teve um desempenho melhor que Curitiba, que teve um crescimento nominal de 3,2%. A baixa da capital foi reflexo da retração na indústria, de 12%. São José dos Pinhais cresceu apenas 0,1%. Londrina, Maringá e Cascavel, por sua vez, cresceram entre 6 e 7%.
Entre os setores da economia, que compõem o PIB, o de serviços manteve-se no topo em Ponta Grossa. O Valor Adicionado Bruto de R$ 5,36 bilhões representa 45,4% de todo o PIB municipal, crescendo 7%. A Indústria aparece, mais uma vez, na segunda colocação, com um total de R$ 3,46 bilhões gerados em 2015, valor que cresceu R$ 15 milhões em relação ao ano anterior.
O Secretário de Indústria, Comércio e Qualificação Profissional, Paulo Carbonare, reconhece o momento de dificuldade econômica do país, e afirma que esse resultado se refere a um momento de transação do município. “O terceiro processo de industrialização da cidade foi iniciado entre 2013 e 2014. Como este número divulgado é referente ao exercício de 2015, considerando o tempo de instalação das empresas atraídas e do da consolidação da sua capacidade produtiva, espera-se que o número do PIB salte a partir do exercício dos próximos anos”, diz.
Participação dos municípios do interior cresce no Paraná
Os municípios do interior do Estado conquistaram, em 2015, uma participação recorde de 60,7% na formação do PIB Paranaense, de acordo com dados divulgados pelo (IBGE) e pelo Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico Social (Ipardes). No ano anterior, a participação do Interior havia sido de 60% e, em 2010, de 55,3%. “Uma das nossas metas de governo era levar o desenvolvimento para todo o Paraná e elevar a qualidade de vida dos paranaenses. Este estudo mostra que seguimos caminhando na direção certa”, afirmou o governador Beto Richa.
O Produto Interno Bruto
O PIB representa a soma de todas as riquezas produzidas por um município, de bens e serviços, em valores monetários. Além de incluir os valores adicionados bruto da agropecuária, indústria, serviços e administração, defesa, educação e saúde pública e seguridade social, inclui o valor de impostos, líquidos de subsídios, sobre produtos.
PIB dos municípios da região e incremento em relação ao ano anterior
Cidade Valor Crescimento
Ponta GrossaR$ 11.805.538,69 4,32%
Telêmaco Borba $ 3.055.217,75 20,56%
Castro R$ 2.260.839,81 6,19%
Irati R$ 1.483.174,56 7,08%
JaguariaívaR$ 1.289.150,27 8,34%
CarambeíR$ 1.185.548,11 8,96%
Arapoti R$ 1.030.460,66 8,72%
PalmeiraR$ 1.028.672,33 5,50%
OrtigueiraR$ 977.460,77 45,41%
PrudentópolisR$ 931.617,71 8,26%
TibagiR$ 807.676,36 17,05%
ImbituvaR$ 693.422,07 7,86%
Piraí do SulR$ 645.056,26 8,32%
Reserva R$ 526.853,55 17,11%
São João do TriunfoR$ 439.389,88 10,01%
Ipiranga R$ 387.000,27 1,18%
Sengés R$ 358.773,23 -1,63%
RebouçasR$ 303.448,86 5,15%
Teixeira SoaresR$ 293.743,51 14,42%
Ivaí R$ 271.000,09 21,87%
Cândido de AbreuR$ 263.876,82 -2,12%
VentaniaR$ 224.101,15 19,63%
Curiúva R$ 196.135,43 11,56%
Guamiranga R$ 185.232,85 3,12%
ImbaúR$ 177.271,89 30,84%
Fernandes PinheiroR$ 135.386,58 2,30%
Porto AmazonasR$ 92.134,08 6,76%
TotalR$ 31.048.183,51 8,72%





















