Paraná busca solução para eliminar gargalo ferroviário em Ponta Grossa
Projeto prevê a construção de nova ferrovia, para triplicar a capacidade de transporte até o Porto de Paranaguá

Depois do trecho ferroviário da Serra do Mar, o compreendido entre Ponta Grossa e Guarapuava é o maior gargalo logístico nas linhas férreas paranaenses. Ambos os trechos foram inaugurados há mais de 100 anos, e contam com sinuosos segmentos, que impedem uma fluência maior de cargas até o Porto de Paranaguá, segundo maior polo exportador do Brasil. Por esse fato, está em debate a construção de uma nova ferrovia no Estado no trecho entre Guarapuava e Paranaguá, que irá compor um projeto que será estendido até Dourados, no Mato Grosso do Sul. Esse investimento, estimado em R$ 10 bilhões, traria uma redução de aproximadamente R$ 400 milhões por ano no ‘Custo Paraná’, e seria de grande importância, também para o desenvolvimento industrial de Ponta Grossa.
Neste mês, quatro consultas públicas foram realizadas no Paraná e Mato Grosso do Sul, para debater o projeto do modal, que teria cerca de mil quilômetros. Já há um estudo prévio, porém há a necessidade de um estudo mais amplo, o Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental (EVTEA). A obra está elencada como prioridade, inclusive, no Plano Estadual de Logística e Transporte (PELT-2035), elaborado pela Fiep, em parceria com outras entidades. O investimento seria privado. “Já houve contato com japoneses, chineses, russos, americanos, canadenses e franceses. Todos estão interessados em investir no Brasil, desde que haja segurança jurídica e se tenha um bom projeto. O Governo do Estado está realizando essas reuniões para chamar investidores do mundo inteiro para fazer esse projeto de engenharia”, relatou o executivo do Conselho de Infraestrutura da Fiep, João Arthur Mohr.
Atualmente, 10 milhões de toneladas, ou 20% de tudo o que é transportado pelo porto, chega pela ferrovia. Capacidade que está no limite. “Se vai uma composição com 100 vagões, em Curitiba tem que separar para duas composições com 50 vagões, para uma locomotiva menor,” explica Mohr. Isso acontece porque a estrada, inaugurada em 1885, possui curva de raios de 60 metros e rampa de inclinação de até 3%, fazendo com que o trem desça a Serra do Mar com uma média de apenas 10 km/h.
Com a nova ferrovia, a capacidade de transporte do Oeste do Paraná (que passaria a incluir produtos do Mato Grosso do Sul e Paraguai) passaria de 1 milhão de toneladas para 10 milhões de toneladas, e o que vem no Norte, pela malha Central do Paraná, poderia passar para 20 milhões, triplicando a capacidade atual. Até 2030, o porto será capaz de exportar 80 milhões de toneladas.
Em relação aos prazos, na melhor das hipóteses ela ficaria pronta em oito anos. “É um ano para projetos, um ano licenciamento, um ano para o projeto executivo e cinco anos para obras”, explica Mohr.
Economia na logística passaria de R$ 400 mi anuais
A construção da nova estrada de ferro, pela iniciativa privada, traria uma série de benefícios para todo o Estado do Paraná. Segundo João Arthur Mohr, o transporte por via férrea é entre 20% e 30% mais barato que o rodoviário. Com a ampliação de capacidade em 20 milhões de toneladas, deveria reduzir os custos logísticos do Paraná em, pelo menos, R$ 400 milhões por ano. Além desse financeiro, que traria mais competitividade ao Estado, melhoraria a segurança nas rodovias e também a questão ambiental. “Uma composição de trem pode levar o equivalente a 120 caminhões. Para esse transporte, são necessários três motores, contra 120 motores de caminhões. Então a emissão de carbono é sete vezes menor. Todos os ambientalistas ouvidos pela Fiep estão de acordo com esse projeto”, completa o executivo.
Projeto irá beneficiar Ponta Grossa
Mesmo sem a previsão do novo traçado passar por Ponta Grossa (o trajeto deverá cortar Palmeira), o Secretário de Indústria, Comércio e Qualificação profissional de Ponta Grossa, Paulo Carbonare, todo mundo sai ganhando com investimentos feitos em infraestrutura. “Hoje o fato de Ponta Grossa ser um entroncamento rodoferroviário já é um grande atrativo para novas indústrias, mas se esse investimento se concretizar o estado e a região como um todo terão ainda mais destaque nacional. E uma coisa puxa a outra: com mais opções logísticas, mais empresas se interessam pela nossa cidade; com mais empresas, mais geração de emprego e dinheiro girando, fomenta comercio e serviços", alega.





















