Apreensão recorde de cigarros expõe rota do contrabando
De janeiro a abril, a Receita Federal já contabiliza mais de 580 mil carteiras aprendidas - cerca de R$ 3 milhões

Mesmo ainda não contabilizada por completo a apreensão de cigarros falsificados ocorrida na última sexta-feira (05), na PR-151, em Palmeira, a ocorrência lança luz sobre uma questão preocupante nas rodovias da região: o contrabando. Os trabalhos por parte da Receita Federal de Ponta Grossa devem ser concluídos na quarta-feira (10). O órgão acredita que tenham sido retiradas de circulação 900 caixas de cigarros – a maior apreensão realizada neste ano. Além dos produtos, seis pessoas foram detidas e quatro caminhões apreendidos.
Apesar da interceptação ter sido realizada em uma estrada estadual, o problema é maior e começa na BR-277. “É uma rota conhecida pelo contrabando de cigarros, armas e outros tipos de drogas. As quadrilhas utilizam rodovias alternativas para tentar fugir da fiscalização, mas tudo começa por ela”, destacou o inspetor Viera da Polícia Rodoviária Federal (PRF). A afirmação é compartilhada pelo delegado da Receita Federal, Gustavo Horn. “É o caminho utilizado para chegar a Curitiba. As principais apreensões realizadas são nos postos de Guarapuava e Irati”, complementou.
Somente no ano passado, a Receita apreendeu quase 2,9 milhões de carteiras de cigarro contrabandeado. Em reais os números são ainda mais impressionantes – uma movimentação de quase R$ 13 milhões. De janeiro a abril, o órgão já contabiliza mais de 580 mil carteiras aprendidas, chegando perto de R$ 3 milhões. “E é uma questão crônica. Com o Governo adotando uma política para inibir o consumo de cigarro, um produto regular não é vendido a menos do que R$ 5. Isso estimula a busca paralela. E os transtornos não param por aí. Os cigarros falsificados não possuem, por exemplo, controle sanitário, vindo a onerar, a longo prazo, ainda mais os serviços públicos de saúde. Assim, os problemas se multiplicam”, reforça Horn.
O inspetor Vieira ressalta que existe dentro da PRF um setor de inteligência específico para combater o contrabando. “Também optamos por colocar em ação equipes que tenham conhecimento neste tipo de abordagem. Muito se fala que as apreensões são realizadas por denúncias. Isso não condiz com a realidade. A inteligência do policial na hora da interceptação é o diferencial”, finalizou.
Trabalho conjunto é fundamental
Ainda segundo o delegado Gustavo Horn, a ação conjunta dos órgãos de segurança – Polícias Rodoviárias Estadual e Federal, por exemplo – são fundamentais para combater o contrabando. “As quadrilhas tentam esconder a carga. Na última abordagem haviam caminhões cobertos por caixas de verduras e até um veículo frigorífico foi apreendido. A integração de esforços é o que dá resultado”, concluiu.





















