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Casal é preso suspeito de manter mulher como escrava

Investigação da Polícia Civil de Ipiranga aponta que empregada doméstica não recebia salário e vivia em condições subumanas

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Daniel Petroski

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Denúncias anônimas fizeram a Polícia Civil de Ipiranga, cidade dos Campos Gerais que fica a 60 quilômetros de Ponta Grossa, descobrir um caso bárbaro na tarde da última quinta-feira (07). Segundo o delegado Guilherme Luiz Dias, uma mulher de 35 anos de idade teria passado os últimos 15 anos vivendo em condições análogas à escravidão. Ela teria sido contratada dois anos antes. “As informações que recebemos davam conta de que a vítima, que trabalhava como doméstica na residência e no salão de beleza de um casal, raramente saia de casa. Algumas testemunhas, inclusive, ressaltaram que quando ela realizava a limpeza do salão, hematomas podiam ser verificados em seu corpo”, repassou. Ela não estaria recebendo salário durante todo esse período. “A mulher trabalhava em troca da moradia”, completou Dias.

O casal suspeito do crime – um homem de 55 anos de idade e uma mulher de 60 anos de idade – foi preso e encaminhado a 13ª Subdivisão Policial (SDP) em Ponta Grossa. A Delegacia de Ipiranga não possui carceragem. “Assim que adentramos ao local onde ela vivia, uma espécie de depósito, foi verificado que a mulher dormia em um pequeno sofá improvisado, não tinha onde guardar as poucas roupas que possuía, dividindo um armário com louças”, descreveu o delegado. Durante o flagrante, Dias reforça que o homem confirmou o não pagamento de salário.

“Eles devem responder por dois crimes. O mais grave, de condição análoga à escravidão, está amparado na jornada exaustiva que a vítima era submetida; por não receber pelo serviço prestado; por dormir em local inapropriado e em condições precárias. O segundo seria por lesão corporal, confirmado por meio de perícia”, justificou o delegado. A mulher disse a Polícia que era agredida constantemente e por qualquer motivo. Ainda de acordo com Dias, após o caso ser revelado, a vítima foi levada para casa de familiares.

Crime previsto no Código Penal em seu artigo 149 - “redução a condição análoga à de escravo” -, a pena de reclusão pode variar de dois a oito anos, e multa, além da pena correspondente à violência.

Fiança para que casal fosse liberado passou de R$ 9 mil

Na tarde de sexta-feira (08) o casal suspeito do crime foi submetido a uma audiência de custódia. A Justiça determinou uma fiança de R$ 9,3 mil, segundo o delegado Guilherme Luiz Dias. A expectativa era de que eles fossem liberados ainda nesta noite. 

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