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Arrecadação federal tem crescimento real em dezembro

Índices apontam que a produção industrial apresenta sinais de leve retomada nos Campos Gerais

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Fernando Rogala

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Pela primeira vez no ano, a região apresentou um crescimento real na arrecadação de tributos federais. Números revelados pela Delegacia da Receita Federal em Ponta Grossa, referentes a dezembro de 2016, apontam que o total arrecadado com os tributos fazendários e previdenciários cresceu de R$ 319,2 milhões para R$ 345,7 milhões, o que representa uma alta nominal de 8,3%. Mesmo descontada a inflação do período (O IPCA, de 6,29%), verifica-se um aumento real de 1,9% nos valores arrecadados. O valor contraria as médias nacionais e da 9ª região fiscal (que compreende os estados de Paraná e Santa Catarina), que apresentaram quedas de 0.92% e 7,39%, respectivamente.

O delegado-adjunto da Receita Federal em Ponta Grossa explica que, de acordo com os índices revelados pelos tributos de forma individual, há indícios de uma leve reação econômica no final do ano passado. “O fato de a arrecadação neste mês de dezembro na nossa circunscrição ter apresentado um aumento real é alentador, porque denota uma, ainda que sutil, recuperação econômica na nossa região. Dá sinais de que o fundo do poço já passou”, relata. Ele lembra, porém, que a arrecadação regional tem as suas peculiaridades e, portanto, não reflete, necessariamente, o comportamento da arrecadação em nível nacional.

Um dos fatos que mostra essa reagida é a produção industrial, que reflete no Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). Somente em dezembro a alta nominal foi de 23,4% ao passar de R$ 19,7 milhões, em dezembro de 2015, para R$ 24,3 milhões em dezembro de 2016. “É um indicador relativo à produção industrial. No Paraná, em novembro, houve um aumento de 6,2% na produção, em relação ao mesmo mês no ano anterior. E esse aumento reflete na arrecadação de dezembro”, explica. 

Outro é a arrecadação previdenciária, que cresceu 8,2% em dezembro e 7% no ano. Esse índice, que reflete os salários, tem duas justificativas para a alta, relata Soares. “Uma é a massa salarial, pelos reajustes, e também em decorrência da elevação das alíquotas na contribuição previdenciária sobre a receita bruta para alguns setores”, informa o delegado. 

Porém, por outro lado, o Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) caiu quase 50% em dezembro. Essa baixa chamou a atenção da delegacia. “A Receita vai investigar especificamente os contribuintes que possuem essa natureza de ocupação, já que a queda foi de R$ 2,7 milhões e o número de pessoas físicas é praticamente o mesmo”, conclui. 

Valor arrecadado em 2016 na regional atinge R$ 3,5 bilhões

No acumulado do ano, a arrecadação totalizou R$ 3,55 bilhões em 2016. É um valor, em termos nominais, 2,3% superior aos R$ 3,46 milhões registrados em 2015. Dessa forma, tendo em vista a inflação acumulada no período, houve uma queda real na arrecadação regional. “É uma queda que estava dentro do esperado, e reflete o delicado momento que enfrentamos na nossa economia”, completa. No Brasil, a arrecadação atingiu a marca de R$ 1,28 trilhão, montante que é 2,9% inferior ao registrado em 2015 (em números reais, já descontada a inflação). Foi a terceira queda anual real seguida e o pior resultado desde 2010, se considerar valores atualizados pela inflação. Na regional Paraná/Santa Catarina, a baixa foi de 8,43%.

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