PM detém foragida, mas libera por recusa de presídios
Polícia de Carambeí detém mulher com mandado de prisão em aberto, mas não encontra espaço em presídios da região e acaba soltando-a, pedindo que ‘voltasse depois’

Polícia de Carambeí detém mulher com mandado de prisão em aberto, mas não encontra espaço em presídios da região e acaba soltando-a, pedindo que ‘voltasse depois’
Uma mulher com mandado de prisão em aberto acabou “liberada” pela Polícia Militar de Carambeí, nos Campos Gerais. O caso aconteceu na semana passada e o principal motivo da liberação pode ser a superlotação dos presídios locais. Apesar de ser detida por uma equipe, os policiais de plantão tiveram que pedir à mulher, de 48 anos, que voltasse em outro dia, já que não conseguiram encontrar uma cadeia ou penitenciária que a mantivesse detida temporariamente.
O caso teve início por conta do filho da procurada. A PM de Carambeí, durante patrulhamento, encontrou o adolescente com uma bicicleta furtada. Ele acabou detido e levado para a delegacia. Segundo o boletim de ocorrência, o Conselho Tutelar foi acionado e orientou os policiais a entregarem o suspeito para a mãe. A mulher foi chamada na delegacia para buscar o filho. No entanto, quando os policiais buscaram o nome dela nos registros de segurança, foi constatado que ela estava com um mandado de prisão em aberto - expedido pela comarca de Guarapuava (PR) pelo crime de receptação.
O problema surgiu quando tentaram recolher a mulher junto ao sistema prisional. Os policiais entraram em contato com o Departamento de Execução Penal (Depen) da Cadeia Pública de Castro, que afirmou que não receberia a mulher por não se tratar da própria comarca, já que ela tinha um mandado de prisão expedido por Guarapuava - o Depen de Castro foi acionado inicialmente porque é ele que recebe os detidos em Carambeí.
Os policiais responsáveis pela ocorrência chegaram a pedir ajuda ao delegado de Polícia Civil de Carambeí, Marcus Vinícius Sebastião, que entrou em contato com o diretor da Cadeia Pública Hildebrando de Souza, Bruno Propst, em Ponta Grossa. Por conta da superlotação no local, Bruno teria dito ao delegado que não teria como receber a mulher, já que não respondia pelas ocorrências de Carambeí.
Sem ter para onde encaminhar a detida, os policiais precisaram “liberá-la”, pedindo, segundo o boletim de ocorrência, que voltasse “no dia posterior à delegacia [...] para providências cabíveis”.
A tenente da Polícia Militar Natália Marangoni, responsável pela ocorrência, afirmou ao Portal aRede e ao Jornal da Manhã que precisou pedir que a mulher voltasse no outro dia porque não teve como entregá-la a uma unidade prisional e não tinha como deixá-la detida na Delegacia de Policia Civil de Carambeí. “A PM não conseguiu dar encaminhamento porque não houve um órgão acolhedor. O trabalho da Polícia Militar, de deter uma pessoa com mandado de prisão, foi feito”, destacou a tenente. Questionada, Natália disse não se lembrar de outro caso em que uma pessoa precisou ser liberada por conta desta situação.
Diretor do Hildebrando justifica decisão
Procurado pela equipe de reportagem, o diretor do Hildebrando de Souza, Bruno Propst, disse que não conseguiu recolher a mulher por conta da superlotação no presídio. “Ela foi presa em Carambeí com mandado de prisão de Guarapuava, então não temos a obrigação [de recolher] porque não pertence a nossa comarca [Ponta Grossa]. Estamos com o espaço superlotado e com parte da ala feminina em reformas, e isso impossibilita até mesmo de fazer uma ‘cortesia’ à [Polícia Militar de] Carambeí e deixá-la aqui temporariamente”, explicou. O Delegado de Polícia Civil de Carambeí, Marcus Vinicius Sebastião, disse que o único envolvimento dele com a ocorrência foi no sentido de realizar o contato com diretores da Cadeia Pública de Castro e do Hildebrando de Souza.
Responsável pelo Depen de Castro confirmou situação
O diretor do Depen de Castro, Cesar Tracks, também foi procurado pela reportagem. Segundo a tenente Natália Marangoni, os detidos em Carambeí são enviados para a Cadeia Pública de Castro, pois os dois pertencem à mesma comarca. Questionado, Tracks confirmou a situação, mas disse que não poderia dar entrevistas sobre o caso e orientou que a equipe procurasse a Assessoria de Imprensa do Departamento de Execução Penal (Depen) do Estado do Paraná para esclarecimentos.
Assessoria
Como sugerido pelo diretor do Depen de Castro, o Portal aRede e o JM entraram em contato com a assessoria de imprensa da Polícia Civil do Paraná. “O caso será encaminhado para Corregedoria Geral da Polícia Civil para que seja apurado”, afirmou a nota enviada à redação.





















