Justiça bloqueia R$ 3,7 milhões de ex-prefeitos de Imbituva
Decisão liminar foi tomada após ação civil pública do Ministério Público que questionou desapropriação feita para um assentamento urbano

Decisão foi tomada após inquérito do Ministério Público (MP) que investiga possíveis irregularidades em desapropriação
A Justiça determinou o bloqueio de bens de dois ex-prefeitos da cidade de Imbituva, município nos Campos Gerais. A medida atinge dois ex-prefeitos do município, Zezo Pontarolo e Rubens Pontarolo, respectivamente pai e filho. A decisão liminar do Poder Judiciário foi tomada após uma ação civil do Ministério Público sobre possíveis irregularidades na viabilização de um assentamento urbano.
De acordo com o Ministério Público, foram identificadas irregularidades em na criação do assentamento Vila Nova. De acordo com a promotoria, para viabilizar o loteamento tanto Zezo como Rubens teriam declarado a utilidade pública de um imóvel, para fins de desapropriação, “sem qualquer avaliação ou lei que autorizasse a compra pela Prefeitura” do local, que teve custo de R$ 500 mil.
Zezo foi reeleito prefeito de Imbituva em 2008, mas foi impedido de assumir o cargo por irregularidades encontradas pelo Tribunal de Contas na gestão anterior. Rubens Pontarolo era vereador e presidia o Legislativo Municipal na época e foi conduzido até o cargo de prefeito comandando a cidade entre 2009 e 2010. Zezo só assumiu o cargo efetivamente em outubro de quando o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) emitiu parecer favorável à posse de Zezo.
Procurado pela equipe de reportagem, Rubens disse que não foi formalmente notificado e preferiu não comentar o caso. Já o pai, Zezo Pontarolo, atendeu aos telefonemas e comentou a decisão liminar da Justiça. “Eu recebo a notícia do processo com alegria, afinal desapropriamos 34 alqueires de terra com um investimento de apenas R$ 500 mil, beneficiando muitas famílias”, ironizou Zezo.
Além disso, de acordo com a ação do Ministério Público, em setembro de 2010 iniciou-se uma série de contratos de autorização de uso dos terrenos por tempo indeterminado, como forma de permitir que a população ocupasse os lotes. A Promotoria afirma que “os contratos tinham uma roupagem jurídica de 'autorização de uso', mas, em verdade, eram verdadeiras doações aos beneficiados”. De acordo com o MP, essa prática repetiu-se durante todo o período de gestão dos ex-prefeitos, tanto de Rubens como do pai, Zezo.
Em nota da assessoria de imprensa, o Ministério Público destacou que a decisão da Justiça não afeta as famílias e que a regularização do loteamento será objeto de outra ação civil pública.
Ex-prefeito ironiza decisão
Na visão de Zezo, que também afirmou não ter sido oficialmente notificado da decisão da Justiça, o bloqueio de bens não tem fundamento. “O local foi desapropriado pelo bem da comunidade, atualmente é ocupado até mesmo por casas de um programa habitacional”, explicou o ex-prefeito. Filiado ao PSDB, Zezo se diz vítima de “perseguição política” e reafirmou que será candidato em outubro novamente ao cargo de prefeito. “Tenho todas as contas aprovadas e vamos disputar e ganhar a próxima eleição”, destacou.





















