Campos Gerais lidera na produção de soja no Paraná

Rendimento médio foi elevado para 3,7 mil quilos por hectare. Regional produzirá quase 2 milhões de toneladas de soja nesta safra, mais do que o dobro do que qualquer outra do Paraná

Quem plantou no final da janela está obtendo alto rendimento na região
Quem plantou no final da janela está obtendo alto rendimento na região -

Fernando Rogala

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Rendimento médio foi elevado para 3,7 mil quilos por hectare. Regional produzirá quase 2 milhões de toneladas de soja nesta safra, mais do que o dobro do que qualquer outra do Paraná

Uma nova atualização da estimativa de safra, realizada pelo Departamento de Economia Rural (Deral), vinculado à Secretaria de Estado de Agricultura e Abastecimento (SEAB) aponta que os municípios dos Campos Gerais deverão produzir mais soja do que o anteriormente previsto. O novo levantamento revela que o rendimento médio por hectare nos 19 municípios pertencentes ao núcleo regional do Deral deverá ser de 3,7 mil quilos por hectare, produtividade que deverá proporcionar uma safra de quase 2 milhões de toneladas. Nenhuma outra regional paranaense deverá ter produção total acima de 1 milhão de toneladas.

A nova atualização prevê uma alta de quase 3% em relação aos 3,6 mil antes previsto. Esses números mais novos são os mais próximos possíveis da realidade, afinal, a aferição já leva em conta um alto percentual de áreas já colhidas na região. Ao avaliar apenas a produtividade, a região se destaca com o maior valor entre as regionais – a segunda melhor colocada é a regional de Jacarezinho, com uma estimativa de 3.518 quilos por hectare, depois vem Curitiba, com 3.490, enquanto que a regional de Guarapuava aparece na terceira posição, com 3.388 quilos por hectare.

O economista do Deral na região, Luiz Alberto Vantroba, explica que essa atualização com a elevação da média ocorre com o avanço da colheita nos Campos Gerais, que hoje gira entre 85% e 90%. Segundo ele, quem plantou entre setembro e meados de outubro, já colheu com um rendimento médio de 2,5 mil a 3 mil quilos por hectare na região, devido à estiagem. Mas quem plantou depois, se beneficiou com as chuvas entre dezembro e janeiro. “São essas áreas que estão elevando a produtividade. Acontece que quem plantou depois e está colhendo agora, conseguiu se recuperar e produzir com qualidade. As cooperativas estão colhendo bem, acima dos 4 mil quilos por hectare. Grandes produtores, com alta tecnologia, mais ao norte da regional, também estão colhendo bem, nessa faixa”, resume o economista.

Como a regional de Ponta Grossa tem a segunda maior área plantada de soja, de 540,3 mil hectares, atrás apenas dos 690,6 mil hectares de Campo Mourão (e essa deverá extrair apenas 1,2 mil quilos de soja por hectare), os municípios dos Campos Gerais serão responsáveis pela maior produção total no Estado, de 1,999 milhão de toneladas nesta safra. É um valor que representa 17% de toda a produção estadual, estimada em 11,5 milhões de toneladas.

Porém, Vantroba reforça que faltam mais de 10% para serem colhidos da primeira safra, e essa área restante pode trazer novas alterações no rendimento. “Esses números não estão fechados, então podem haver revisões. Podem ser alterados tanto para cima quanto para baixo”, concluiu.

Macrorregiões Noroeste e Oeste têm rendimento interior a 900 kg/ha

Se por um lado a região deverá ter uma colheita com rendimento médio apenas 2,43% inferior à safra anterior (3.792 quilos por hectare), o panorama é muito diferente em outras regionais. A atualização traz produções médias inferiores a 900 quilos por hectare em duas macrorregiões paranaenses, a Noroeste e a Oeste. A regional de Toledo teve uma produção de apenas 775 quilos por hectare, enquanto que a regional de Umuarama teve uma média de apenas 846. Em Cascavel, em Paranavaí e em Francisco Beltrão esse rendimento sequer saiu dos 1,0 mil. A média estadual de produtividade prevista para essa safra no Paraná é de 2.048 quilos por hectare, valor 42,25% inferior aos 3.547 quilos extraídos por hectare na safra anterior.