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Agroindústria recua 2,9% em julho e mantém ritmo de desaceleração

Queda foi impulsionada pelo recuo em produtos não alimentícios; setor acumula retração de 0,8% nos sete primeiros meses de 2026

Queda na produção de insumos e máquinas agrícolas pressionou o desempenho do setor agroindustrial
Queda na produção de insumos e máquinas agrícolas pressionou o desempenho do setor agroindustrial -

Publicado por Eduarda Gomes

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A produção da agroindústria brasileira registrou uma retração de 2,9% no mês de julho em comparação ao mesmo período do ano anterior, segundo dados do Índice de Produção Agroindustrial aferidos pela FGV Agro. A retração afetou tanto o segmento de Produtos Alimentícios e Bebidas, que encolheu 1,6%, quanto o de Produtos Não Alimentícios, que apresentou queda de 4,5%.

De acordo com o centro de estudos, o resultado reflete o ritmo de desaceleração observado no conjunto da economia nacional. O desempenho acompanha o comportamento da Indústria de Transformação, que apurou queda de 0,9% no segundo trimestre, segundo indicadores do IBGE divulgados em setembro. A FGV Agro destaca que o cenário é influenciado pela manutenção da taxa básica de juros em patamares elevados e pela menor intensidade do consumo das famílias.

Dentro da categoria de Produtos Alimentícios e Bebidas, o resultado negativo foi direcionado pelos Alimentos, cuja fabricação recuou 2,6%. Em contrapartida, o ramo de Bebidas registrou alta de 5%, impulsionado pelo crescimento de 6,8% na fabricação de bebidas alcoólicas e de 3,3% no segmento de bebidas não alcoólicas.

As informações, divulgadas pela CNN Brasil, ressaltam que, no âmbito dos alimentos de origem vegetal, houve retração de 3,8%, ocasionada principalmente pela menor atividade na moagem de trigo e na fabricação de açúcar refinado, perda parcialmente compensada pelo avanço em conservas, sucos, óleos, arroz e café.

Nos alimentos de origem animal, a produção caiu 1,7%, sob efeito da redução no processamento de carne bovina e pescados, enquanto a carne suína, aves e laticínios registraram expansão. A FGV Agro aponta que o recuo na carne bovina reflete o esgotamento da cota de exportação para o mercado chinês. Dados do Ministério da Agricultura e Pecuária confirmam que os embarques de carne bovina para a China caíram 47,8% em julho na comparação anual.

Apesar do recuo no confronto interanual, a produção agroindustrial teve um avanço de 0,4% na passagem de junho para julho de 2026, considerando o ajuste sazonal. O crescimento na margem foi observado tanto em Produtos Alimentícios e Bebidas (+0,5%) quanto em Produtos Não Alimentícios (+0,4%), embora não tenha sido suficiente para caracterizar uma tendência definitiva de recuperação.

No segmento de Produtos Não Alimentícios (-4,5%), o setor de Biocombustíveis subiu 6,1% devido à maior moagem e qualidade da cana-de-açúcar, e a indústria de Fumo cresceu 23,6%. No entanto, o destaque negativo foi o grupo de Insumos Agropecuários, que despencou 20,8% em julho, o pior desempenho para o mês desde o início da série histórica, em 2023.

A retração nos insumos, que acumula resultados negativos desde novembro de 2025, foi motivada pela menor produção de adubos, fertilizantes, defensivos agrícolas, tratores e máquinas. O setor têxtil (-6,7%) e o florestal (-0,1%) também recuaram no período.

Com os dados de julho, a agroindústria acumula queda de 0,8% entre janeiro e julho de 2026 frente ao mesmo período de 2025. O avanço de 0,6% em Produtos Alimentícios e Bebidas não compensou a perda de 2,5% em Produtos Não Alimentícios, evidenciando a perda gradual de dinamismo do setor ao longo do ano.

LEIA ABAIXO UM RESUMO DA NOTÍCIA

- Retração Geral: A produção agroindustrial brasileira encolheu 2,9% em julho de 2026 na comparação anual, acumulando uma queda de 0,8% nos primeiros sete primeiros meses do ano.

- Queda Acentuada em Insumos: O segmento de Insumos Agropecuários teve o pior desempenho histórico para o mês de julho (-20,8%), puxado pela menor produção de tratores, máquinas, fertilizantes e defensivos.

- Efeito China na Carne Bovina: A menor fabricação de carne bovina e a queda de 47,8% nos embarques para a China pressionaram os alimentos de origem animal, enquanto biocombustíveis e bebidas mantiveram trajetória positiva.

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