Processamento de soja no Brasil deve atingir recorde em 2026 | aRede
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Processamento de soja no Brasil deve atingir recorde em 2026

Aumento do esmagamento doméstico, alta nas vendas de óleo e farelo e diversificação de mercados compradores marcam a transformação na cadeia do agronegócio nacional

Carregamento de soja em navio graneleiro no Porto de Paranaguá, no Paraná
Carregamento de soja em navio graneleiro no Porto de Paranaguá, no Paraná -

Publicado por Eduarda Gomes

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A indústria brasileira de soja caminha para processar um volume recorde do grão no ano de 2026. O avanço ocorre em meio ao ritmo aquecido das exportações e a uma mudança gradual na composição dos produtos e no perfil dos países compradores. A combinação entre o crescimento do esmagamento interno, a expansão no embarque de derivados e a redistribuição do mapa de importadores reflete uma transformação estrutural na dinâmica do complexo soja no país.

Em relatório mensal publicado na sexta-feira (18), a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) elevou a estimativa de processamento doméstico de soja para 63,5 milhões de toneladas. O valor supera a projeção anterior de 63,3 milhões de toneladas e representa um crescimento de aproximadamente 8,5% em relação ao recorde anterior de 58,5 milhões de toneladas registrado em 2025.

Por outro lado, a entidade revisou marginalmente para baixo a previsão de exportação do grão em natura, ajustando a projeção de 115,4 milhões para 115 milhões de toneladas. A estimativa total para a produção nacional do grão permaneceu inalterada em 180,46 milhões de toneladas. Essa reconfiguração indica uma maior retenção do produto para agregação de valor em território nacional por meio da produção de farelo e óleo.

No acumulado de janeiro a agosto de 2026, as exportações totais do complexo soja alcançaram 92,79 milhões de toneladas, superando os 86,53 milhões de toneladas registrados no mesmo período do ano anterior, uma alta de cerca de 7%. De acordo com reportagem da CNN Brasil, esse crescimento veio acompanhado de uma redistribuição dos destinos de embarque.

A China permanece como o principal comprador do grão brasileiro, embora tenha reduzido suas aquisições de 85,43 milhões para 64,75 milhões de toneladas no comparativo anual acumulado até agosto. Em contrapartida, outros blocos ampliaram a demanda: os países da Ásia (excluindo a China) aumentaram suas compras de 8,70 milhões para 10,55 milhões de toneladas, enquanto a União Europeia elevou os volumes importados de 6,75 milhões para 7,92 milhões de toneladas. O movimento reduz a concentração do comércio exterior brasileiro em um único parceiro comercial.

A expansão da capacidade industrial reflete diretamente na oferta de derivados:

- Óleo de soja: A estimativa de produção para 2026 subiu para 12,80 milhões de toneladas (ante 12,75 milhões da projeção anterior). As exportações do produto devem somar 1,80 milhão de toneladas no ano, o que representa um salto de 36% frente ao 1,32 milhão de toneladas embarcado em 2025. Entre janeiro e agosto, as vendas externas do óleo subiram 42%, atingindo 1,5 milhão de toneladas, impulsionadas pelo mercado da Índia — cujas compras cresceram 56% e passaram a representar 70% de todo o óleo de soja exportado pelo Brasil. Os estoques finais do insumo devem recuar 6%, caindo de 836 mil para 786 mil toneladas.

- Farelo de soja: A projeção de produção anual foi ajustada de 48,70 milhões para 48,90 milhões de toneladas. Embora a meta de exportação tenha sido mantida em 25,30 milhões de toneladas, o volume total projetado é 8,5% superior ao total exportado em 2025. Nos primeiros oito meses do ano, os embarques de farelo subiram 13%, totalizando 17,3 milhões de toneladas, com destaque para o Oriente Médio, que registrou um aumento de 387% nas compras (atingindo 1,87 milhão de toneladas). Os estoques finais do subproduto devem crescer 4,9%, alcançando 4,30 milhões de toneladas.

Daniel Furlan Amaral, diretor de Economia e Assuntos Regulatórios da Abiove, destacou que o ajuste nas projeções reflete o vigor do processamento nacional e o aquecimento da demanda internacional pelo óleo de soja, demonstrando a capacidade de resposta da indústria brasileira às oscilações do mercado global.

LEIA ABAIXO UM RESUMO DA NOTÍCIA

- Recorde de esmagamento: A Abiove elevou a estimativa de processamento interno de soja para 63,5 milhões de toneladas em 2026, volume 8,5% superior ao recorde registrado em 2025.

- Salto na exportação de óleo: As vendas externas de óleo de soja devem crescer 36% em 2026, alavancadas pela forte demanda da Índia, que responde por 70% das compras brasileiras do derivado.

- Diversificação de compradores: O fluxo de exportação mostra menor concentração na China e avanço nos embarques de farelo para o Oriente Médio (alta de 387%) e do grão para a União Europeia e outros países asiáticos.

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