Excesso de chuva gera perdas na colheita e atrasa plantio na região | aRede
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Excesso de chuva gera perdas na colheita e atrasa plantio na região

Relatório do Deral e análise da Fundação ABC alertam para riscos de doenças fúngicas, erosão e prejuízos na qualidade dos grãos de inverno e no estabelecimento das safras de verão no estado

Acumulado de chuvas e as tempestades que atingiram o Paraná entre os dias 8 e 14 de setembro trouxeram sérios transtornos operacionais e agronômicos para o setor agropecuário estadual
Acumulado de chuvas e as tempestades que atingiram o Paraná entre os dias 8 e 14 de setembro trouxeram sérios transtornos operacionais e agronômicos para o setor agropecuário estadual -

Eduarda Gomes de Paula

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O excesso de precipitação e a ocorrência de tempestades registradas no Paraná na semana passada provocaram severos danos operacionais e prejuízos agronômicos para o setor agropecuário estadual. A instabilidade começou com um acentuado declínio térmico na região dos Campos Gerais, no Sul e no Centro-Sul do estado, evoluindo rapidamente para chuvas intensas e ventos fortes O encharcamento excessivo do solo inviabilizou a entrada de máquinas nas propriedades, paralisando os trabalhos de colheita e interrompendo o plantio das safras de verão. As informações são do Boletim de Condições de Tempo e Cultivo, do Departamento de Economia Rural (Deral), divulgado na terça-feira (15).

Ao analisar o cenário atual nas propriedades rurais paranaenses, o pesquisador e meteorologista Antônio do Nascimento Oliveira, da Fundação ABC, aponta a diversidade de problemas causados pelo tempo severo. "O excesso de chuva pode provocar encharcamento do solo, erosão e perda de nutrientes por lixiviação, além de dificultar a entrada de máquinas e atrasar operações como o plantio, a aplicação de defensivos e a colheita. A elevada umidade também favorece o desenvolvimento de doenças fúngicas e pode causar acamamento e perda de qualidade nos cereais de inverno. Nas áreas recém-semeadas, há ainda o risco de falhas na germinação e no estabelecimento das culturas. A intensidade dos impactos varia conforme a cultura, o estágio de desenvolvimento das plantas, o tipo de solo e as condições de drenagem de cada área", explicou o especialista em entrevista ao Portal aRede.

No ciclo de inverno, a colheita do trigo atingiu 58% da área e a da cevada chegou a 19%, mas ambas as operações foram travadas no momento em que a maior parte das lavouras se encontrava em fase de maturação. O excesso de umidade associado à baixa radiação solar aumenta o risco de perda de peso do grão, favorece o avanço de doenças de espiga como a brusone e gera o acamamento das plantas provocado por fortes rajadas de vento.

A colheita do café foi finalizada com boa produtividade, mas a umidade recente gera preocupações com a qualidade do lote final, enquanto o setor citrícola enfrenta preços praticados abaixo dos custos de produção. No setor florestal, a passagem de um tornado causou a destruição quase total de uma área de eucalipto, enquanto as pastagens foram o único segmento beneficiado, mantendo boa oferta de massa verde para o gado.

Nas safras de verão de 2026/27, o impacto variou conforme a cultura e a topografia do terreno. O plantio do milho atingiu 43% da área prevista e o da soja deu seus primeiros passos com 2%, mas ambas as culturas tiveram a semeadura interrompida pelo solo encharcado.

Na batata de segunda safra, as colheitas manuais e o manejo fitossanitário foram suspensos, enquanto as áreas de primeira safra recém-implantadas em terrenos ondulados sofreram danos irreversíveis por erosão pluvial. O feijão teve o preparo de solo paralisado e apresenta forte redução da área total cultivada, ao passo que as hortaliças sofreram com alagamentos e a cebola registra elevada pressão por doenças fúngicas.

A ocorrência de grandes volumes de água, muito acima do padrão climatológico esperado para o mês de setembro, é explicada pela ação de diferentes sistemas meteorológicos. Segundo Antônio do Nascimento, o tempo adverso resultou da intensificação de uma área de baixa pressão atmosférica sobre o Paraguai, combinada ao escoamento de ventos quentes e úmidos vindos do noroeste e à passagem de uma frente fria. A dinâmica foi potencializada pelas alterações nos padrões de circulação atmosférica causadas pelo fenômeno El Niño, criando um ambiente favorável para tempestades volumosas em curtos períodos.

As previsões meteorológicas indicam uma breve trégua nas chuvas até quinta-feira (17), embora a elevada nebulosidade deva dificultar a secagem do solo nas propriedades agrícolas. Uma nova onda de instabilidade deve trazer chuvas ao estado de sexta-feira (18) até a quarta-feira (23), antecedendo um período de tempo mais firme que deve se estender até o início de outubro. Para o último trimestre do ano, a intensificação do El Niño deve manter a estação chuvosa bastante ativa no Paraná, exigindo atenção contínua dos produtores rurais frente ao risco de novos temporais, ventos fortes e quedas de granizo.

Com supervisão: Mário Martins.

CONTEÚDO DE MARCA

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