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Sindicatos rurais fortalecem gestão e futuro do agro no Paraná

Produtores rurais de diversas regiões do estado relatam como a estrutura e a representatividade dos sindicatos alavancam negócios, garantem suporte burocrático e fortalecem o setor agropecuário

Troca de experiências e suporte técnico garantem o desenvolvimento sustentável das propriedades rurais paranaenses
Troca de experiências e suporte técnico garantem o desenvolvimento sustentável das propriedades rurais paranaenses -

Publicado por Eduarda Gomes

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A trajetória na agropecuária começou sem qualquer conhecimento prático para Carmen Lucia Soldan Martins, de 78 anos. "Eu não sabia nem ordenhar uma vaca", relembra a produtora rural sobre o ano de 1994, quando desembarcou em Irati, na região Sudeste paranaense, sem saber como dar o primeiro passo para administrar uma propriedade. Ao lado do marido, Armelindo Massoni, Carmen deixou para trás a rotina urbana em Santos, no litoral de São Paulo, para iniciar uma nova vida dedicada ao campo.

O casal começou a atividade com gado de leite e cultivo de milho para silagem (armazenado em silos para a alimentação do rebanho). Aos poucos, amparados pelo suporte do sindicato rural do município, expandiram a produção do grão e inseriram o cultivo de soja e feijão. "Fomos escalando muito. Começamos com 48 hectares de terras arrendadas e chegamos até 390 hectares. Sempre que a gente tinha dúvidas ou precisava de ajuda, recorria ao sindicato", conta Carmen.

Entre os serviços prestados pela entidade ao casal, destacaram-se o registro de funcionários e o cálculo da folha de pagamento e tributos. "Chegamos a ter uma produção de mil litros de leite por dia, com quatro funcionários trabalhando na propriedade. Naquela época, ainda não tínhamos experiência nisso", detalha.

Com a expansão das atividades, Carmen passou a integrar a diretoria do Sindicato Rural de Irati, atuando hoje como mobilizadora de campo. A função exige dedicação constante, mas gera um sentimento de satisfação pelos resultados obtidos nas propriedades locais, seja pela assistência administrativa ou pelos cursos do Sistema FAEP. "Vou de casa em casa levando a informação de que é preciso se capacitar. Depois, agradecem. Não tem preço ver o conhecimento que o pessoal adquire com os cursos e palestras", declara.

Após o falecimento do marido, Carmen manteve apenas uma pequena produção de alimentos como mandioca, abóbora e batata-doce, concentrando suas energias no sindicato. "Faço isso com carinho, porque sei o que é sofrer como agricultora e dar a volta por cima, com ajuda do sindicato rural", afirma.

A história do Sindicato Rural de Irati começou em 1967, ano de sua fundação. Antonio Cumin, hoje com 86 anos, esteve presente na mobilização inicial da entidade. Ele lembra do período em que a representatividade era um desejo coletivo prestes a se concretizar. "Tinha bastante produtor precisando de ajuda. Então, a gente se reunia e ajudava. Eu morava a 14 quilômetros de distância de onde fica hoje o sindicato, mas participava sempre", relata Cumin, que na época cultivava milho, feijão e batata. Após décadas de trabalho, arrendou suas terras e mora atualmente com a filha, Natália, que garante: "Ele continua indo em todas as reuniões até hoje".

As trajetórias de Carmen e Antonio exemplificam o aumento do interesse pela sindicalização. O avanço está refletido no projeto Sindicato Protagonista, criado pelo Sistema FAEP para o desenvolvimento, modernização e estruturação dos sindicatos rurais paranaenses. Na edição mais recente, iniciada em 2025 e encerrada em junho de 2026, a iniciativa contou com a adesão de 105 entidades. No período, o número de associados saltou de 12.690 para 14.511, um crescimento de 14%.

O movimento reflete a busca dos produtores por facilidades como consultoria jurídica, assistência técnica, capacitações e suporte para emissão de documentos e obrigações fiscais. Algumas entidades chegam a oferecer mais de 50 tipos de atendimentos, incluindo locação de máquinas, emissão de certidões, serviços contábeis e ambientais, além dos 259 cursos do Sistema FAEP. Ademais, o associado a um dos 163 sindicatos integra uma estrutura que atua na defesa de seus interesses junto aos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário.

"Essa representatividade do setor garante que as demandas dos nossos agricultores e pecuaristas sejam ouvidas. Lutamos por pautas importantes, como a busca por melhores linhas de crédito, a valorização da agropecuária enquanto setor que impulsiona a economia e o aprimoramento das políticas agrícolas para quem está no campo", destaca Ágide Eduardo Meneguette, presidente do Sistema FAEP.

Associado ao Sindicato Rural de Paranavaí, no Noroeste do estado, desde 12 de dezembro de 1997, o ex-pecuarista Pedro Jesuíno Lucin atua hoje no cultivo de mandioca. Boa parte das técnicas utilizadas na lavoura foi assimilada no curso de Mandiocultura do Sistema FAEP. Lucin também participou de formações como Manejo de Solo, Irrigação, Tratorista, Manejo Bovino e Inseminação Artificial de Bovinos.

Ele destaca a importância das visitas a exposições, palestras e eventos técnicos, como as caravanas para a Agrishow e o Show Rural Coopavel. "Além de termos as informações necessárias para o dia a dia, temos essas experiências únicas. Aprendemos muito para o nosso trabalho na fazenda, sempre em contato com novidades e inovações", diz.

Em Astorga, no Norte do Paraná, Plínio André Bérgamo, de 90 anos, é filiado ao sindicato rural local desde 1971. Ao notar as dificuldades da atividade agropecuária na época, buscou amparo na entidade, o que o auxiliou inclusive na transição da lavoura de milho e soja para a pecuária. "O sindicato é um espetáculo. Quem não é associado passa apuro", afirma.

Entre os serviços mais utilizados por ele estão o auxílio na emissão do Certificado de Cadastro do Imóvel Rural (CCIR) e a declaração do Imposto de Renda (IR). A entidade também prestou assistência quando um funcionário caiu do dorso de um animal e fraturou a clavícula, conduzindo os trâmites administrativos junto ao INSS. "Ali, eu vi que existe uma assistência global. Com a proteção do sindicato você dorme tranquilo", destaca. Seguindo o exemplo, o filho Plínio André Bérgamo Júnior, produtor de milho e aveia em Arapongas, sindicalizou-se há cinco anos. "Foi a melhor escolha", reforça o pai.

Em Londrina, Everton Dutra atua no gerenciamento da propriedade familiar voltada à criação de bovinos e ao cultivo de soja, milho e aveia. Associado desde 2010, ele aponta o acesso à informação e a atualização constante sobre legislação e rotinas trabalhistas como os principais benefícios. "Isso tem impacto direto na gestão da propriedade", relata Dutra, lembrando que o debate sobre sucessão familiar no campo também é promovido pela entidade. Ele acrescenta a relevância do suporte jurídico e da representatividade nas negociações coletivas e no processo legislativo.

No Centro-Sul do estado, em Prudentópolis, Romildo Salanti produz milho, soja, feijão e cevada. Além da própria lavoura, atua na diretoria do sindicato local em defesa de mais de 160 associados. "Sou tesoureiro do sindicato desde 2002, mas já sou associado desde muito antes disso. De lá para cá, muita coisa mudou", diz. Para Salanti, o aumento da capacidade de mobilização e a oferta de treinamentos foram os maiores avanços. "Quanto mais gente tiver, melhores são os nossos resultados, as nossas conquistas", conclui.

As informações são da Assessoria de Imprensa.

LEIA ABAIXO UM RESUMO DA NOTÍCIA

- Crescimento da adesão sindical: O projeto Sindicato Protagonista impulsionou um salto de 14% no número de associados no Paraná entre 2025 e junho de 2026, atingindo 14.511 produtores rurais.

- Suporte operacional e capacitação: As entidades rurais e o Sistema FAEP oferecem assistência contábil, jurídica e ambiental, além de mais de 250 cursos focados em técnicas de manejo e gestão das propriedades.

- Representatividade e sucessão no campo: A atuação dos sindicatos garante defesa política e legislativa para o setor agropecuário, auxiliando também no planejamento da sucessão familiar nas fazendas.

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