Entre o juiz, a pista e o público: o trabalho dos tradutores no Agroleite 2026
Pela primeira vez, uma mulher assumiu o posto de tradução. Bruna Schiefelbein acompanha o juiz Aaron Eaton nas avaliações da raça Holandesa Vermelha & Branca

O público que acompanha os julgamentos em pista do Agroleite concentra sua atenção nos animais e nos jurados internacionais, responsáveis por escolher as grandes campeãs da feira. Mas, ao lado deles, existe outro profissional indispensável para que o público compreenda cada decisão tomada em pista: o tradutor.
Estes profissionais interpretam termos técnicos, justificativas e até a emoção dos jurados em inglês e traduzem aos criadores, expositores e visitantes que acompanham cada julgamento. Neste ano, os norte-americanos Aaron Eaton e Kelly Barbee contam com o apoio de três tradutores brasileiros: Bruna Schiefelbein, Fábio Nogueira Fogaça e Cláudio Aragón, cada um a cargo de uma categoria diferente.
A edição de 2026 também marca um momento importante para os julgamentos em pista no Agroleite. Pela primeira vez, uma mulher assumiu o posto de tradução. Bruna Schiefelbein acompanha o juiz Aaron Eaton nas avaliações da raça Holandesa Vermelha & Branca. Para Bruna, o convite é um reconhecimento de uma trajetória construída desde a infância.
Filha de produtores rurais, Bruna cresceu no ambiente das exposições, trabalhou na preparação e apresentação de animais e, mais tarde, viveu no Canadá, onde aperfeiçoou o inglês. Sua primeira experiência como tradutora ocorreu na Expointer, em 2016, mas atuar no Agroleite sempre foi um objetivo. "Era um sonho traduzir um jurado no Agroleite, uma das exposições mais reconhecidas do Brasil e do mundo. Fiquei muito feliz com o convite e ainda mais por representar tantas mulheres que também querem ocupar esse espaço”, destaca.
Segundo ela, traduzir um julgamento exige uma preparação além do que conhecer outro idioma. "Quem faz esse trabalho precisa conhecer vacas, genética e o vocabulário do julgamento. Muitas vezes não existe uma tradução literal. É preciso entender exatamente o que o jurado quer transmitir e encontrar a melhor forma de passar essa ideia para quem está acompanhando”, explica.
Referência nacional na área, Fábio Nogueira Fogaça, tradutor do juiz Kelly Barbee no julgamento da Raça Jersey, explica que a experiência prática faz toda a diferença. Antes de atuar como tradutor, trabalhou na preparação e apresentação de animais e também se tornou jurado oficial. "Precisa ir além de entender inglês, precisa conhecer os termos do julgamento. A gente praticamente traduz o sentimento do jurado. Escolhemos as palavras que melhor representam aquilo que ele está enxergando no animal”, declara.
Além disso, o tradutor evidencia os desafios da tradução simultânea. “Têm algumas palavras que não possuem tradução. Uma delas, bem característica é o “Bloom”, do Úbere, que traduzindo seria florescer. Se fosse de forma literal, não teria como falar que um úbere está mais florescido que o outro. Seria algo como mais bonito, mais vascularizado, com mais capacidade”, detalha.
Cláudio Aragon, um dos maiores especialistas do país, médico veterinário e tradutor do juiz Aaron Eaton no julgamento da Raça Holandesa P&B no Agroleite 2026, teve contato com a pecuária leiteira desde a infância. “Eu sempre me interessei muito por genética, por bovinos. E então, fiz um curso de jurado, depois de me formar em veterinária. Neste meio tempo eu iniciei as traduções, porque eu morei muitos anos nos Estados Unidos”, explica.
Cláudio acredita que o trabalho de tradução contribui diretamente para fortalecer o reconhecimento internacional da feira. "O Agroleite recebe jurados de vários países justamente pela qualidade dos animais apresentados. Eles voltam para casa impressionados e levam essa imagem do Brasil para o mundo. Nosso papel é fazer essa comunicação acontecer da melhor forma possível”, finaliza.
Nos julgamentos do Agroleite, cada campeão é definido pela experiência e critérios de excelência de cada jurado. Mas é por meio do trabalho técnico e preciso dos tradutores que centenas de pessoas conseguem compreender os critérios de avaliação e acompanhar, em tempo real, cada decisão tomada em pista.
Com informações da Assessoria de Imprensa.





















