PIB do agro recua 2% no 1º trimestre e atinge R$ 3,13 trilhões
Queda impulsionada pela desvalorização do ramo agrícola representou perda de R$ 66,1 bilhões, aponta estudo do Cepea em parceria com a CNA

O PIB (Produto Interno Bruto) do agronegócio brasileiro registrou uma retração de 2% no primeiro trimestre de 2026 em comparação com o mesmo período do ano anterior. O levantamento, divulgado pelo Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada) em parceria com a CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), projeta o PIB estimado de toda a cadeia do setor em R$ 3,13 trilhões de janeiro a março.
A retração global do setor equivale a uma perda de R$ 66,1 bilhões. A principal responsável pelo resultado negativo foi a desvalorização de 3,62% no ramo agrícola (uma perda de R$ 74,6 bilhões), gerando um PIB agrícola de R$ 1,88 trilhão. Em contrapartida, o ramo da pecuária teve uma leve recuperação com crescimento marginal de 0,7% (alta de R$ 8,6 bilhões), totalizando R$ 1,25 trilhão.
A análise por segmentos da cadeia produtiva aponta que o setor primário sofreu o maior recuo (-4,15%), acompanhado pelos segmentos de insumos (-2,15%), agroserviços (-1,25%) e agroindústria (-1,03%).
De acordo com os pesquisadores do Cepea, o desempenho foi impactado pela expectativa de redução do valor total da produção em 2026. Essa conjuntura é explicada principalmente pela queda nos preços de comercialização, que acabou superando os ganhos de produção esperados em diversas culturas agrícolas e pecuárias.
O impacto mais severo ocorreu no segmento primário agrícola, com retração de 5,72%. O movimento ocorreu mesmo diante da previsão de aumento de safra para commodities relevantes, como café, soja e cana-de-açúcar, cenário em que a queda dos preços superou e compensou negativamente os ganhos do volume produzido.
Por outro lado, o ramo pecuário apresentou desempenho positivo nos segmentos de agroindústria (+1,93%) e agroserviços (+1,86%). O avanço dos agroserviços foi impulsionado pela maior demanda por transporte, atividades comerciais e apoio logístico associados ao crescimento esperado na produção da pecuária.
A apuração do Cepea/CNA contrapõe-se aos dados divulgados pelo IBGE, que apontavam crescimento de 2% no PIB da agropecuária no primeiro trimestre de 2026 frente ao último trimestre de 2025, totalizando R$ 230,4 bilhões.
A disparidade entre os números decorre da metodologia e do alcance de cada indicador: enquanto o IBGE mensura estritamente o setor primário (a produção "dentro da porteira"), a análise do Cepea engloba toda a cadeia do agronegócio — incluindo os insumos, a agroindústria (laticínios, abatedouros e usinas de açúcar) e os agroserviços (crédito, armazenagem, logística e transporte).
As informações foram divulgadas no portal de notícias da CNN Brasil.
LEIA ABAIXO UM RESUMO DA NOTÍCIA
- Recuo no setor: O PIB do agronegócio caiu 2% no primeiro trimestre de 2026, somando R$ 3,13 trilhões, impulsionado pela perda de R$ 74,6 bilhões no ramo agrícola.
- Preços superam volume: O tombo no segmento primário agrícola (-5,72%) ocorreu devido à queda nos preços de comercialização, que anularam os ganhos com o aumento de produção de soja, café e cana.
- Diferença metodológica: Enquanto o IBGE avalia apenas a produção primária ("dentro da porteira"), a métrica do Cepea/CNA contabiliza toda a cadeia produtiva, incluindo insumos, indústria e serviços associados.





















