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Chuvas beneficiam trigo do Paraná, mas preocupam no Rio Grande do Sul

Volumes acima da média aliviam seca no norte paranaense, enquanto chuvas volumosas e ventos preocupam produtores gaúchos; colheita do milho segue sem grandes impactos

Lavouras de trigo no Sul do país enfrentam cenários distintos
Lavouras de trigo no Sul do país enfrentam cenários distintos -

Publicado por Eduarda Gomes

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As precipitações acima da média registradas na última semana no Sul do Brasil trouxeram cenários distintos para os dois principais estados produtores de trigo do país. De acordo com avaliações do Departamento de Economia Rural (Deral) e da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) divulgadas nesta sexta-feira (24), as chuvas foram favoráveis ao desenvolvimento das lavouras no Paraná, mas acenderam um sinal de alerta no Rio Grande do Sul devido ao alto volume acumulado. Como ambas as regiões ainda estão distantes do período de colheita, o excesso pontual de umidade ainda não representa um prejuízo severo para a produtividade ou para a qualidade dos grãos.

No Paraná, a chegada da umidade aliviou áreas agrícolas que sofriam com o tempo seco. O agrônomo Carlos Hugo Godinho, do Deral, destacou que as chuvas foram positivas de forma geral, especialmente para o norte do estado, que enfrentava calor e risco de déficit hídrico.

Nas regiões oeste e sudoeste paranaense, onde o volume de água foi maior, houve um leve alerta quanto ao manejo de doenças foliares, situação considerada controlável caso o tempo firme retorne nos próximos dias. Os acumulados no estado ficaram entre 20 mm e 40 mm no norte e em cerca de 70 mm no sul.

Por outro lado, o relatório da Emater indicou que no Rio Grande do Sul a combinação de ventos e chuvas intensas, que ultrapassaram 100 mm na maior parte do estado (70 mm acima da média histórica), gerou preocupação quanto a possíveis danos físicos às plantas. O estado gaúcho encontra-se na fase final de plantio, com a maior parte da área em germinação e desenvolvimento vegetativo.

Na região de Santa Rosa (RS), as precipitações favoreceram a adubação nitrogenada em parte dos cultivos, enquanto em outras propriedades o trabalho precisou ser adiado até a estabilização do clima. As informações foram divulgadas no portal Notícias Agrícolas com base na Agência Reuters.

PANORAMA NACIONAL E COLHEITA DO MILHO

Segundo estimativas da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a safra brasileira de trigo em 2026 deve alcançar 6 milhões de toneladas, registrando uma queda de quase 25% em relação ao ciclo anterior. O recuo é atribuído principalmente à diminuição da área plantada e a rendimentos menores decorrentes dos impactos climáticos do fenômeno El Niño. O Rio Grande do Sul lidera a produção nacional com expectativa de 2,57 milhões de toneladas, seguido pelo Paraná, com 2,14 milhões de toneladas.

Além do trigo, o relatório abordou o andamento da segunda safra de milho no Paraná, o segundo maior produtor do grão no país. A colheita atingiu 29% da área cultivada até o início da semana, ritmo inferior aos 40% registrados em meados de julho de 2025 e aos 67% observados no mesmo período de 2024.

O especialista do Deral, Edmar Gervásio, ponderou que a diferença não reflete um atraso crítico, mas sim um plantio realizado mais tarde nesta temporada. A previsão é de que os trabalhos de campo se concentrem no mês de agosto, mantendo-se dentro da janela ideal sem comprometer o planejamento da safra de verão. Gervásio acrescentou que as chuvas recentes ainda não têm potencial para prejudicar a qualidade do milho, visto que a previsão indica o retorno do tempo firme na próxima semana.

LEIA ABAIXO UM RESUMO DA NOTÍCIA

- Trigo no Paraná: As chuvas aliviaram a seca e o calor no norte do estado, favorecendo o desenvolvimento das lavouras sem gerar grandes problemas sanitários no oeste e sudoeste.

- Trigo no Rio Grande do Sul: Volumes superiores a 100 mm e fortes ventos preocupam os produtores devido ao risco de danos às plantas, que estão predominantemente em fase de germinação e desenvolvimento.

- Projeção e Milho: A safra nacional de trigo deve recuar cerca de 25% em 2026 (estimada em 6 milhões de toneladas pela Conab), enquanto a colheita do milho segunda safra no Paraná atinge 29% sem alertas de perdas graves até o momento.

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