Exportação de feijão do Paraná cai 65% na contramão do país
Focada no feijão-preto, produção paranaense sofre com a inconstância de compradores externos, enquanto o saldo da balança comercial do grão fica negativo no estado

O mercado de exportação de feijão apresentou desempenhos completamente opostos entre o Paraná e o restante do Brasil durante o primeiro semestre de 2026. Dados do Boletim Conjuntural do Departamento de Economia Rural (Deral), divulgado nesta quinta-feira (23), apontam que o volume embarcado pelo estado despencou de 33,7 mil toneladas no 1º semestre de 2025 para 11,8 mil toneladas no mesmo período deste ano, uma retração de 65%.
No mesmo intervalo, o Brasil seguiu na direção inversa e registrou crescimento de 10% nas vendas externas do grão, saltando de 135,4 mil para 149,3 mil toneladas. Essa divergência entre os dados estaduais e nacionais é explicada pelo tipo de grão comercializado por cada região.
O feijão-mungo-preto, liderado pelo estado do Mato Grosso, teve um ganho de 27,2 mil toneladas no país (atingindo 78,2 mil toneladas no semestre), impulsionado pelas compras consolidadas da Índia. Já o feijão-preto, variedade na qual o Paraná é polo de produção, sofreu uma retração severa no país, caindo de 38,8 mil para 16,1 mil toneladas (perda global de 22,6 mil toneladas).
A redução nas exportações paranaenses foi causada pela diminuição nas compras de Portugal e da Guatemala, países que haviam assumido o posto de compradores para substituir os mercados de México e Venezuela. Essa constante alternância evidencia uma fragilidade do setor no estado, que consegue prospectar novos parceiros, mas enfrenta sérias dificuldades para fidelizá-los.
Para agravar a situação comercial, as importações brasileiras de feijão cresceram no semestre, passando de 4,9 mil para 22,3 mil toneladas. Mais de 20 mil toneladas desse total entraram no país diretamente via Paraná, vindas da Argentina. Esse volume importado fez com que o saldo da balança comercial do feijão no estado ficasse negativo, mesmo com o valor da tonelada exportada pelo Paraná sendo superior ao do grão importado.
LEIA ABAIXO UM RESUMO DA NOTÍCIA
- Queda expressiva: As exportações paranaenses de feijão caíram de 33,7 mil para 11,8 mil toneladas no 1º semestre, contrariando a alta de 10% verificada no Brasil.
- Troca de mercados: A retração do feijão-preto afetou diretamente o Paraná, que sofre para manter clientes fixos após reduções nas compras de Portugal, Guatemala, México e Venezuela.
- Déficit comercial: Com a entrada de mais de 20 mil toneladas de feijão argentino pelo Paraná, a balança comercial do grão registrou saldo negativo no estado.





















