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Falta de silos gera perda de R$ 88,3 bilhões no campo

De acordo com estudo, o déficit de armazenagem obrigou os produtores de soja e milho a vender suas safras no pico da colheita, derrubando os preços

Sem capacidade para estocar a produção, agricultores brasileiros enfrentam prêmios negativos e perdas bilionárias na comercialização imediata das safras
Sem capacidade para estocar a produção, agricultores brasileiros enfrentam prêmios negativos e perdas bilionárias na comercialização imediata das safras -

Publicado por Eduarda Gomes

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A grave escassez de infraestrutura para o armazenamento de grãos no Brasil provocou um prejuízo estimado em R$ 88,3 bilhões aos produtores de soja e milho entre os anos de 2023 e 2025. O dado consta em um levantamento estatístico realizado pela consultoria Cogo Inteligência em Agronegócio. O estudo aponta que o déficit estrutural de silos e armazéns força os agricultores a escoar a produção nos meses de maior oferta, quando as cotações sofrem forte desvalorização.

Segundo os analistas, essa alta concentração da comercialização no pico da colheita satura o sistema logístico e prejudica diretamente os prêmios portuários, que determinam o ágio ou deságio sobre os valores da Bolsa de Chicago (CBOT), reduzindo drasticamente a receita líquida recebida por quem produz. Quando os portos ficam sobrecarregados, os prêmios operam no terreno negativo, diminuindo o valor final pago pelo produto brasileiro.

Os bilhões de reais que deixaram de entrar no caixa dos produtores rurais devido a esse gargalo logístico teriam potencial para transformar o panorama tecnológico do setor. O relatório detalha que esses recursos poderiam ter sido aplicados no custeio das safras seguintes, na compra de maquinários modernos, na aquisição de novas tecnologias de precisão, no aumento da produtividade e na expansão da própria infraestrutura interna das propriedades. As informações são do portal Agrofy News.

Para Bernardo Nogueira, CEO da Kepler Weber, a falta de capacidade de estocagem limita severamente o poder de escolha do produtor, impedindo-o de definir o melhor momento estratégico para comercializar sua produção. “Sem armazenagem suficiente, ele é obrigado a vender no período de maior pressão sobre os preços. O custo desse gargalo não é abstrato: ele aparece diretamente na receita do campo. Armazenagem não é apenas infraestrutura; é uma ferramenta de gestão de preço, renda e competitividade”, avaliou Nogueira.

O estudo traça um paralelo com os principais concorrentes internacionais do Brasil. Em países onde a infraestrutura de pós-colheita é mais robusta, como nos Estados Unidos e na Argentina, os fazendeiros estocam grande parte da colheita dentro de suas terras e comercializam os grãos de forma cadenciada ao longo do ano, aproveitando as janelas com preços mais elevados na entressafra.

No cenário nacional, no entanto, a realidade é oposta. Diante da falta de espaço físico para abrigar a colheita, os agricultores precisam vender o grão imediatamente após retirá-lo da lavoura. A liquidação rápida serve para liberar os espaços existentes, quitar os custos operacionais do plantio e cumprir os contratos de financiamento preestabelecidos.

O executivo da Kepler Weber reforça que a modernização da armazenagem precisa ser tratada como uma etapa fundamental e estratégica da produção agrícola de grande escala, e não apenas como um serviço acessório. “Quando falamos em armazenagem, falamos também de competitividade. O Brasil tem capacidade para seguir ampliando sua produção, mas precisa garantir que esse crescimento venha acompanhado de eficiência logística, tecnologia e redução de desperdícios. O pós-colheita é uma das principais fronteiras de ganho econômico e sustentável para o agronegócio brasileiro”, concluiu o CEO.

LEIA ABAIXO UM RESUMO DA NOTÍCIA

- Prejuízo Bilionário: A insuficiência de silos e armazéns gerou uma perda de R$ 88,3 bilhões para os produtores brasileiros de soja e milho no triênio de 2023 a 2025.

- Preços Pressionados: A falta de espaço força o agricultor a vender sua produção no pico da colheita, gerando prêmios portuários negativos e desvalorização real da mercadoria frente à Bolsa de Chicago.

- Gargalo Estratégico: A liderança da Kepler Weber aponta que a armazenagem deve ser encarada como uma ferramenta essencial de gestão e renda para reverter a desvantagem competitiva do país frente a concorrentes como os EUA.

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