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Paraná é vice-líder na produção nacional de urucum

Atividade ganhou chancela de procedência do INPI por manejo sustentável na agricultura familiar

Paranacity lidera a produção estadual
Paranacity lidera a produção estadual -

Publicado por Eduarda Gomes

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O cultivo de urucum vem se consolidando como uma atividade altamente rentável e sustentável na Região Sul do país. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) referentes a 2024, a exploração desse corante natural movimentou um Valor Bruto da Produção (VBP) de R$ 166,2 milhões no Brasil, com uma colheita total de 12,8 mil toneladas distribuídas em uma área de 12,4 mil hectares.

O produto é explorado em 15 estados brasileiros, mas a renda está fortemente concentrada: São Paulo lidera com 49,8% do VBP nacional, seguido pelo Paraná, com 15,3%, e Minas Gerais, com 7,8%. Juntos, esses três estados respondem por 72,9% de toda a receita gerada no campo.

No cenário paranaense, dados preliminares de 2025 revelam que o urucum esteve presente em 37 dos 399 municípios do estado. As informações são do Boletim Conjuntural do Departamento de Economia Rural (Deral), divulgado nesta quinta-feira (18).

A atividade movimentou um VBP estadual de R$ 27,5 milhões, consolidando a colheita de 1,6 mil toneladas de grãos com caroço desidratados em uma área total de 1,4 mil hectares. O grande motor dessa produção é o Núcleo Regional de Paranavaí, que concentrou 93,5% do volume colhido (1,5 mil toneladas) e R$ 25,7 milhões do VBP total. Em segundo lugar ficou o Núcleo Regional de Maringá, com participação de 5,4%, somando 85 toneladas e R$ 1,5 milhão em receita bruta.

O principal expoente da cultura é o município de Paranacity, localizado no Núcleo Regional de Paranavaí, que atua na atividade desde o final da década de 1970. Com cultivos que abrangem 850 hectares, a cidade alcançou uma colheita de 978 toneladas e gerou R$ 17,2 milhões de VBP. Esses números representam sozinhos 62,7% da área cultivada e 62,6% do volume e da renda do urucum em todo o Paraná.

No mesmo núcleo, o município de Cruzeiro do Sul aparece logo em seguida, respondendo por 25,8% da superfície, dos volumes e do VBP estaduais. Nacionalmente, a Produção Agrícola Municipal do IBGE de 2024 já apontava Paranacity como o principal produtor de urucum do Brasil, capitaneando uma lista de 299 localidades ao responder por 6,5% da área cultivada, 7,5% do volume e 10,4% do VBP do país.

A alta qualidade do urucum produzido na região, impulsionada pelo clima favorável e pelo "saber fazer" da agricultura familiar, resultou em uma conquista histórica recente. Em maio passado, o Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) concedeu ao urucum de Paranacity o certificado de Indicação Geográfica (IG) de procedência.

O selo chancela o manejo sustentável local, caracterizado pela ausência de agrotóxicos e pela aplicação de práticas rigorosas de conservação do solo, da água e da biodiversidade. Esse esforço coletivo envolveu produtores locais, entidades públicas e privadas, com destaque para a atuação do SEBRAE/PR por meio do programa Origens Paraná, valorizando um produto de ampla demanda nas indústrias alimentícia, farmacêutica, de cosméticos, de tintas e aviária.

Em termos de mercado, o Deral não realiza a coleta sistemática de preços recebidos pelos produtores, mas a aferição anual apontou que o quilo do urucum fechou 2025 cotado a R$ 17,63, valor 13,3% inferior aos R$ 23,33 nominais registrados no ano anterior.

LEIA ABAIXO UM RESUMO DA NOTÍCIA

- Vice-liderança nacional: O Paraná é o segundo maior produtor de urucum do Brasil em VBP (15,3% do total), atrás apenas de São Paulo, movimentando internamente R$ 27,5 milhões com uma colheita de 1,6 mil toneladas em 2025.

- Previsibilidade e mercado: O município de Paranacity é o maior produtor do país, concentrando mais de 62% da área e do VBP do Paraná, com o preço médio do quilo pago ao produtor fechando o ano de 2025 em R$ 17,63.

- Selo de sustentabilidade: Em maio, o urucum de Paranacity recebeu o registro de Indicação Geográfica do INPI, chancelando um cultivo familiar livre de agrotóxicos e focado na conservação ambiental para atender indústrias farmacêuticas e alimentícias.

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