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Plantio de trigo chega a 84% em território paranaense

Área plantada atual de 722 mil hectares projeta safra de 2,4 milhões de toneladas, porém clima chuvoso ameaça qualidade industrial do grão no inverno

Produtores paranaenses estão preocupados com a possível chegada do El Niño
Produtores paranaenses estão preocupados com a possível chegada do El Niño -

Publicado por Eduarda Gomes

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Os produtores paranaenses de trigo seguem avançando com as máquinas em ritmo acelerado. Os trabalhos de semeadura progrediram bem no estado e atingiram a marca de 84% dos 722 mil hectares previstos para esta safra.

O número atual confirma uma retração drástica no interesse pela cultura, representando praticamente a metade da superfície total que havia sido semeada no ano de 2023, quando o Paraná plantou 1,39 milhão de hectares do cereal. Até o momento atual, o desenvolvimento das plantas ocorre sob boas condições gerais no campo, mantendo a estimativa de produtividade dentro da normalidade e indicando uma safra total projetada em 2,4 milhões de toneladas.

O panorama atual do solo é considerado muito favorável, com níveis de umidade adequados em todas as regiões produtoras. O estabelecimento e desenvolvimento inicial das lavouras têm sido favorecidos por uma alternância equilibrada de dias ensolarados entre as chuvas recorrentes. No entanto, esses dados do setor produtivo, coletados pelo setor técnico do Deral, revelam que há uma grande dose de preocupação entre os triticultores quanto ao comportamento do clima nos próximos meses.

O grande temor do setor reside na confirmação e provável intensificação do fenômeno meteorológico El Niño. A possibilidade de o evento atingir a categoria de “muito forte” ligou o sinal de alerta no agronegócio, dado que esse cenário costuma provocar precipitações significativamente acima das médias históricas na Região Sul do Brasil, elevando os riscos de sérios prejuízos na fase de colheita.

Com a oferta de trigo já restrita no mercado paranaense devido aos recuos consecutivos de área nas últimas safras, a ocorrência de chuvas excessivas no inverno pode prejudicar gravemente a indústria local de moagem. Os grãos que sofrem com o excesso de umidade perdem a força de glúten e a qualidade exigida pelos moinhos para o processamento industrial, resultando em rejeição e obrigando as empresas a buscar a matéria-prima em outras unidades da federação ou no exterior.

Para consolidar o teto produtivo de 2,4 milhões de toneladas, as lavouras paranaenses necessitarão passar pelo inverno sem o registro de geadas severas ou umidade inadequada. Caso ocorram quebras na safra, o déficit interno do Paraná, hoje estimado em 1,5 milhão de toneladas, frente a uma demanda de moagem industrial de 3,9 milhões de toneladas, será ampliado substancialmente. As informações são do Boletim Conjuntural do Departamento de Economia Rural (Deral), divulgado nesta quinta-feira (18).

LEIA ABAIXO UM RESUMO DA NOTÍCIA

- Redução severa de área: O plantio de trigo atingiu 84% da área estimada em 722 mil hectares, tamanho que representa praticamente a metade da superfície cultivada no ano de 2023.

- Alerta climático: Embora as lavouras atuais apresentem boas condições e projetem 2,4 milhões de toneladas, os agricultores temem que a intensificação do El Niño traga chuvas acima da média e estrague o grão.

- Risco de desabastecimento: O Paraná já prevê um déficit interno de 1,5 milhão de toneladas para atender a demanda de moagem de 3,9 milhões de toneladas; qualquer quebra de safra forçará moinhos a importar trigo de fora.

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