Custo de produção do frango cai no PR, mas relação de troca piora
Alívio na nutrição das aves reduz custos mensais na avicultura, contudo produtor gasta mais quilos de carne para adquirir milho e farelo de soja

O setor paranaense de avicultura de corte registrou importantes alterações em seus balanços de custos e margens operacionais. De acordo com os indicadores de mercado apurados pela Central de Inteligência de Aves e Suínos (CIAS) da Embrapa Suínos e Aves, o custo final de produção do frango vivo no Paraná atingiu a marca média de R$ 4,68 por quilo ao longo do mês de maio de 2026.
A amostragem técnica tomou como base a criação realizada em galpões industriais do tipo climatizado com pressão positiva. As informações são do Boletim Conjuntural do Departamento de Economia Rural (Deral), divulgado nesta quinta-feira (18).
O valor representa um alívio de 0,43% (redução nominal de R$ 0,02) em relação ao mês imediatamente anterior, abril, quando o custo estava em R$ 4,70 por quilo. Na comparação anual com maio de 2025, a retração nos custos foi de 2,1%, o equivalente a menos R$ 0,10 por quilo. As informações são do Boletim Conjuntural do Departamento de Economia Rural (Deral), divulgado nesta quinta-feira (18)
O Índice de Custos de Produção de Frango (ICPFrango) fechou o mês de maio fixado em 362,13 pontos (tendo como base histórica o mês de janeiro de 2010 com 100 pontos). O indicador registrou um leve recuo mensal de 0,38% frente aos 363,50 pontos de abril e uma queda mais acentuada de 2% diante dos 369,70 pontos computados em maio de 2025. No acumulado geral dos primeiros cinco meses do ano corrente, a variação do índice aponta uma alta de 0,93%.
No comparativo mensal de gastos, os custos com ração animal apresentaram queda de 1,15%, enquanto os itens de genética (+1,95%) e o grupo de energia elétrica, calefação e cama (+2,27%) operaram em alta. Sanidade, mão de obra e transporte mantiveram-se estáveis no mês.
No acumulado do ano, a nutrição recuou 6,63% e o custo de capital caiu 12,28%, enquanto as pressões inflacionárias vieram da mão de obra (+0,80%), energia e calefação (+11,53%), transporte (+9,39%), genética (+12,82%) e sanidade (+35,70%). A alimentação segue como o principal componente de despesa na avicultura paranaense (com coeficientes baseados em granjas de 1.500 m², peso final de 2,9 kg, mortalidade de 5,5%, conversão alimentar de 1,7 kg e 6,2 lotes por ano), representando 63,03% do custo total da atividade (R$ 2,95 por quilo).
A aquisição de pintinhos de um dia (genética) pesa 19,07% no bolso do produtor e subiu 0,25% no ano. O valor da alimentação (R$ 2,95/kg) em maio caiu 1% contra abril e recuou 6,6% contra os R$ 3,16 por quilo de maio de 2025. Na comparação interestadual, o Paraná mantém custos mais competitivos que Santa Catarina (R$ 4,91/kg) e Rio Grande do Sul (R$ 4,87/kg).
Pelo lado das receitas, o preço nominal médio recebido pelo produtor paranaense pelo frango vivo fechou o mês de maio cotado a R$ 4,69 por quilo, alta de 1,5% frente aos R$ 4,62 de abril. Frente a maio de 2025 (R$ 5,25/kg), o preço pago ao produtor amargou queda de 10,7%, ficando também 4,7% abaixo do preço médio anual praticado em todo o ano de 2025 (R$ 4,92/kg). Desse modo, o preço final pago ao produtor (R$ 4,69/kg) encerrou maio operando apenas R$ 0,01 (ou 0,2%) acima do custo médio de produção (R$ 4,68/kg), indicando que o setor opera muito próximo do ponto de equilíbrio (breakeven).
Esse aperto nas margens ocorreu mesmo com o recuo no preço dos grãos no atacado paranaense em maio. A saca de 60 kg de milho foi cotada a R$ 63,33 (queda de 0,4% no mês e de 5,5% contra os R$ 67,05 de maio de 2025), enquanto a tonelada do farelo de soja foi negociada a R$ 1.880,98 (recuo mensal de 0,2% e queda anual de 3,1%).
A explicação para o aperto reside na piora da relação de troca anual para o pecuarista. Em maio de 2026, o produtor precisou de 225 kg de frango vivo para comprar uma tonelada de milho, um esforço de compra 5,6% maior que os 213 kg exigidos em maio de 2025. Na compra do farelo de soja, a perda de poder de compra foi ainda pior: foram necessários 401 kg de frango vivo para adquirir uma tonelada do farelo proteico em maio de 2026, um avanço de 15,2% frente aos 348 kg demandados no mesmo mês do ano passado.
LEIA ABAIXO UM RESUMO DA NOTÍCIA
- Custos em queda: O custo de produção do frango vivo no Paraná recuou para R$ 4,68 por quilo em maio, reflexo do recuo nos preços da ração (-1,15%), que representa 63,03% dos gastos totais da granja.
- Margem no limite: O preço médio recebido pelo produtor paranaense pelo frango vivo fechou maio em R$ 4,69 por quilo, superando o custo de produção em apenas R$ 0,01 (margem de 0,2%), operando perto do ponto de equilíbrio.
- Poder de compra deteriorado: A relação de troca anual piorou para o avicultor; em maio de 2026 foram necessários 225 kg de frango para comprar uma tonelada de milho (+5,6%) e 401 kg de frango para uma tonelada de farelo de soja (+15,2%).





















