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Moagem brasileira de trigo bate recorde com o Paraná na liderança

Estado processou 3,5 milhões de toneladas e impulsionou o setor nacional, que cresce puxado pelo maior consumo de derivados, apesar de custos e dependência externa

Moagem de trigo chegou a 13 milhões de toneladas impulsionada pela forte demanda nacional por derivados
Moagem de trigo chegou a 13 milhões de toneladas impulsionada pela forte demanda nacional por derivados -

Publicado por Eduarda Gomes

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O estado do Paraná consolidou sua liderança no setor tritícola ao registrar a moagem anual de 3,5 milhões de toneladas de trigo, despontando como o principal motor do abastecimento nacional. O resultado expressivo está diretamente ligado ao fato histórico de o estado ser um forte produtor do cereal. Atualmente, o Paraná dispõe de uma capacidade instalada total para processar até 4,4 milhões de toneladas, liderando um movimento nacional que levou a moagem do país a ultrapassar a marca de 13 milhões de toneladas pelo segundo ano consecutivo.

De acordo com uma pesquisa recente da Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo), os 140 moinhos do país, controlados por 105 companhias, processaram o total de 13,27 milhões de toneladas do cereal no ano passado. O volume totalizado representa um crescimento de 0,6% na comparação direta com o ano de 2024.

Segundo a entidade, esse crescimento geral no volume de moagem acompanha uma mudança expressiva no perfil de consumo dos brasileiros, que vêm demonstrando maior procura por derivados do trigo, tais como massas, biscoitos, pães congelados e pré-misturas. O presidente da Abitrigo, Daniel Kummel, destacou a força desse movimento ao afirmar que o consumo de produtos derivados está crescendo acima da taxa de crescimento da população.

Conforme informações publicadas pela CNN Brasil, no mapeamento dos destinos da farinha de trigo processada no país, a panificação e as pré-misturas lideram o mercado, respondendo por 30% do total. A indústria de massas aparece na sequência, registrando um crescimento de 3 pontos percentuais em sua representatividade, alcançando a fatia de 18%. A indústria de biscoitos absorveu 12% da farinha processada, seguida pelo varejo, com as embalagens voltadas ao consumidor de 1 quilo, que ficou com 10%. Os pães industriais e as embalagens de 5 quilos dividem a posição seguinte, recebendo 9% cada. O restante do cereal processado é direcionado para a produção de pães congelados, farinhas integrais e outros alimentos.

INDÚSTRIA E CONTEXTOS REGIONAIS 

Além do desempenho paranaense, a pesquisa da Abitrigo revelou onde estão as maiores diferenças entre a capacidade instalada e a moagem real nos demais estados. O estado de Santa Catarina processou 474,6 mil toneladas em 2025, operando consideravelmente abaixo de sua capacidade instalada, que é próxima a 700 mil toneladas.

O estado de São Paulo registrou a moagem de 1,7 milhão de toneladas, detendo potencial industrial para processar até 2,5 milhões de toneladas. Já o Rio Grande do Sul, consolidado como outro importante produtor nacional de trigo, moeu 1,3 milhão de toneladas, perante uma capacidade industrial instalada de 1,8 milhão de toneladas.

CUSTOS E IMPORTAÇÃO

O dirigente da Abitrigo explicou que a rentabilidade das indústrias vem sofrendo forte pressão devido ao aumento dos custos logísticos e às constantes oscilações cambiais. Essas variações geraram impactos diretos tanto nos custos de importação quanto na aquisição do trigo produzido internamente. Daniel ressaltou, porém, que o setor não repassou integralmente esse aumento de custos para o consumidor final, fator que justifica a estabilidade relativa observada nos preços dos derivados de trigo ao longo dos últimos meses.

Mesmo com o avanço histórico da moagem capitaneado pelo Sul, o Brasil permanece dependente do mercado externo. No último ciclo, a produção nacional foi estimada em 7,9 milhões de toneladas, enquanto o consumo girou em torno de 12 milhões de toneladas, obrigando o país a recorrer às importações para suprir o déficit de demanda.

Essa dependência externa é severa em determinadas regiões. Os dados mostram que as regiões Norte e Nordeste dependem quase que exclusivamente do trigo vindo do exterior, sendo que 95% da moagem realizada nessas localidades foi de cereal importado. No estado de São Paulo, o trigo importado representa 72% de tudo o que é processado. O melhor equilíbrio é verificado na região Centro-Oeste, embora a importação ainda responda por 64% do total moído.

Kummel esclareceu que essa dinâmica possui razões estruturais e logísticas antigas. Moinhos localizados próximos ao litoral contam com uma logística muito mais conveniente e barata para importar o trigo do que para buscar o produto em outras regiões produtoras do próprio país, o que dificulta a autossuficiência nacional.

GEOPOLÍTICA E CLIMA

O panorama internacional também impõe cautela ao setor industrial. Os reflexos da guerra entre Rússia e Ucrânia, iniciada em 2022, já haviam inflacionado as cotações globais do trigo. Recentemente, tensões geopolíticas envolvendo o Irã e os Estados Unidos trouxeram ainda mais volatilidade ao mercado, impactando toda a cadeia de suprimentos.

Apesar das incertezas internacionais, a Abitrigo descarta qualquer risco de desabastecimento no mercado brasileiro. A entidade informou que as indústrias operam estrategicamente com estoques físicos garantidos para um período de três a quatro meses, assegurando o fornecimento contínuo. No momento, as atenções do setor se voltam para o comportamento climático global e seus possíveis impactos sobre as safras agrícolas, um ambiente ainda incerto que pode adicionar complexidade aos preços nos próximos meses.

LEIA ABAIXO UM RESUMO DA NOTÍCIA

- Destaque do Paraná: O estado do Paraná reafirmou sua força histórica na produção e processamento ao liderar a moagem nacional com 3,5 milhões de toneladas, possuindo uma capacidade instalada total de 4,4 milhões de toneladas.

- Recorde de Processamento Nacional: Puxado pelo consumo de derivados (como massas, biscoitos e pães), o Brasil superou 13 milhões de toneladas moídas pelo segundo ano consecutivo, atingindo 13,27 milhões de toneladas (alta de 0,6%).

- Desafios de Custo e Importação: O país ainda necessita de importações para cobrir a lacuna entre a produção (7,9 mi t) e o consumo (12 mi t), enfrentando forte dependência no Norte/Nordeste (95%) e pressões de custos logísticos, oscilações cambiais e tensões geopolíticas globais.

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