Setor leiteiro ganha ferramenta inédita para gestão de riscos e preços | aRede
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Setor leiteiro ganha ferramenta inédita para gestão de riscos e preços

Iniciativa lançada na sede da CNA busca trazer previsibilidade ao produtor brasileiro e reduzir os impactos da volatilidade no mercado de lácteos

Ferramenta de proteção de preços visa profissionalizar a gestão de risco no setor leiteiro
Ferramenta de proteção de preços visa profissionalizar a gestão de risco no setor leiteiro -

Publicado por Eduarda Gomes

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A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) foi palco, na última quarta-feira (13), de um avanço estratégico para a pecuária de leite nacional. Foi lançada oficialmente uma ferramenta de proteção de preços, o chamado hedge, desenvolvida pela StoneX Leite Brasil em colaboração com a própria CNA e o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). O objetivo central é oferecer aos produtores e indústrias mecanismos de controle financeiro já comuns em mercados internacionais, mas ainda escassos no setor lácteo brasileiro.

O cenário atual da cadeia produtiva é marcado por um paradoxo. Embora o setor reúna 1,2 milhão de produtores e tenha crescido 50% em produção nos últimos 20 anos (mesmo com uma redução de 25% no rebanho, sinalizando ganho de eficiência), a instabilidade financeira continua sendo a maior barreira. Gedeão Pereira, vice-presidente da CNA, enfatizou que a previsibilidade é o próximo passo necessário para garantir a sucessão no campo e a modernização das propriedades.

Segundo informações divulgadas pelo portal Milkpoint, a ferramenta surge para sanar um problema histórico. Jonadan Ma, presidente da Comissão Nacional de Pecuária de Leite da CNA, pontuou que o Brasil é um dos raros países onde o produtor trabalha sem saber o valor que receberá pelo seu produto ao fim do mês. "Pode ser um divisor de águas", afirmou, ressaltando que, embora ajustes sejam necessários, o setor finalmente "entrou em campo" para combater a insegurança no fluxo de caixa.

FIM DO FOCO NO CURTO PRAZO

A pesquisadora do Cepea, Nathalia Grigol, destacou que a falta de ferramentas de gestão força o setor a operar com foco no curto prazo, o que gera comportamentos oportunistas e mina a competitividade internacional do Brasil. Segundo Grigol, o hedge permite que o foco se desloque para o planejamento de longo prazo, estabilizando margens e beneficiando, eventualmente, até o consumidor final.

O funcionamento da nova solução, detalhado por Marianne Tufani, manager da StoneX Leite Brasil, baseia-se em um modelo de mercado de balcão (sem negociação direta em bolsa de valores). A StoneX atua como intermediária entre compradores e vendedores, permitindo travar o preço de quatro produtos principais:

- Leite UHT: contratos de 40 mil litros.

- Leite ao produtor: contratos de 40 mil litros.

- Queijo muçarela: contratos de 4 mil quilos.

- Leite em pó integral: contratos de 5 toneladas.

COMO FUNCIONA

A operação é estritamente financeira, ou seja, não há entrega física do leite no momento do contrato. Se o preço de mercado cair abaixo do valor travado, o agente recebe a diferença via corretora; se subir, ele paga a diferença, garantindo que o valor final recebido seja sempre o planejado. Marianne reforçou que a ferramenta serve para "proteger a margem" e não para especulação financeira. Além disso, ter receitas previsíveis pode facilitar o acesso dos produtores a linhas de crédito bancário.

Apesar dos custos de corretagem, a StoneX defende que o gasto é compensado pela redução das perdas causadas pela oscilação brusca do mercado. O evento foi encerrado com uma venda simbólica realizada por Jonadan Ma, inaugurando oficialmente as operações da ferramenta no país.

LEIA ABAIXO UM RESUMO DA NOTÍCIA

- Proteção de Margem: A nova ferramenta permite que produtores e indústrias fixem preços futuros para leite (UHT e produtor), queijo muçarela e leite em pó, eliminando a incerteza sobre a receita mensal.

- Gestão de Risco: Diferente da especulação, o mecanismo foca na estabilidade do fluxo de caixa e no planejamento de longo prazo, ajudando a tornar o setor lácteo brasileiro mais competitivo e atraente para o crédito.

- Operação Financeira: O sistema funciona via mercado de balcão intermediado pela StoneX, com contratos padronizados que podem ser fracionados para atender desde pequenos produtores até grandes cooperativas.

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