Crise de insumos ameaça oferta de fertilizantes e acende alerta para a próxima safra
Além da disparada nos preços, setor agrícola enfrenta risco de falta física de produtos e restrição de crédito

O mercado de fertilizantes no Brasil entrou em um cenário crítico que vai além do alto custo financeiro: a ameaça real de desabastecimento físico de produtos para o próximo ciclo produtivo. Durante evento da Argus Media realizado na segunda-feira (06), em São Paulo, líderes da indústria alertaram que a combinação de gargalos logísticos, tensões geopolíticas e escassez de matérias-primas essenciais está mudando o comportamento do agricultor, que já sinaliza a intenção de reduzir drasticamente a adubação.
"Talvez não tenha produto mesmo", afirmou Felipe Coutas, country manager da Itafos, destacando que muitos produtores preferem não aplicar o insumo a enfrentar a atual relação de troca desfavorável. Atualmente, o pacote de NPK (Nitrogênio, Fósforo e Potássio) pode consumir cerca de 40 sacas por hectare, em um cenário onde a produtividade média brasileira gira em torno de 67 sacas. Diferente de 2022, os preços atuais das commodities não permitem absorver esses custos operacionais. As informações foram divulgadas pelo portal de notícias CNN Brasil.
O principal vilão da oferta é a escassez global de enxofre e ácido sulfúrico, subprodutos da indústria de petróleo que entraram em déficit severo. Como grande parte da produção mundial está concentrada no Oriente Médio, em zonas de conflito ou rotas sensíveis, a indústria nacional já registra paralisações pontuais de plantas por falta de viabilidade econômica ou de matéria-prima. "Muitas vezes vale mais a pena vender o ácido sulfúrico do que produzir um fertilizante fosfatado de baixa concentração", explicou Nayara Piloto, gerente comercial da EuroChem.
No campo financeiro, a situação é igualmente alarmante. O capital de giro necessário para as operações saltou de US$ 8 milhões para até US$ 40 milhões em alguns casos, restringindo o acesso ao crédito. Roberto Barretto, diretor da Itafos, revelou que cerca de 13,8% do crédito no mercado já apresenta atrasos superiores a 90 dias. Diante disso, o setor prevê que, embora a área plantada possa ser mantida, a produtividade final dificilmente atingirá as expectativas, com produtores cortando até 25% das aplicações de fosfato e migrando para culturas menos exigentes, como o sorgo.
LEIA ABAIXO UM RESUMO DA NOTÍCIA
- Risco de Desabastecimento: Pela primeira vez em décadas, a preocupação central não é apenas o preço, mas a falta física de insumos como enxofre e ácido sulfúrico no mercado global.
- Retração no Campo: A piora na relação de troca leva agricultores a reduzirem a adubação ou utilizarem reservas do solo, o que deve impactar o rendimento das lavouras de grãos.
- Asfixia Financeira: O aumento no valor absoluto dos produtos quintuplicou a necessidade de capital de giro das empresas, elevando a inadimplência e dificultando o financiamento da safra.





















