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CNI alerta para extrema vulnerabilidade do Brasil na produção de fertilizantes

Dependência externa de insumos agrícolas chega a 97% no potássio; desindustrialização e gás caro travam produção nacional

Alta concentração de fornecedores estrangeiros eleva o risco de desabastecimento para a próxima safra
Alta concentração de fornecedores estrangeiros eleva o risco de desabastecimento para a próxima safra -

Publicado por Eduarda Gomes

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Um estudo recente da Confederação Nacional da Indústria (CNI) aponta que o Brasil vive um cenário de "extrema vulnerabilidade" no setor de fertilizantes. A crise é agravada pelos conflitos no Oriente Médio e pelo bloqueio logístico no Estreito de Ormuz, que expõem a fragilidade de um país que hoje importa mais de 80% dos adubos que consome. Segundo a entidade, a dependência é crítica em itens como o potássio (97,8%) e o nitrogênio (89%), colocando em risco a segurança alimentar e o custo das exportações. As informações foram divulgadas pela CNN Brasil.

O diagnóstico da CNI revela que o Brasil passou por um severo processo de desindustrialização nas últimas décadas. Entre 2002 e 2024, a produção doméstica de fertilizantes encolheu 30%, enquanto a fabricação de matérias-primas essenciais (intermediários químicos) despencou 48% desde 2012. Como reflexo imediato das tensões globais, a ureia, essencial para o cultivo do milho, já acumula alta superior a 50% apenas no início de 2026.

O principal entrave para a retomada da indústria nacional, segundo o levantamento, é o custo do gás natural, insumo base para os nitrogenados. No Brasil, o preço médio do gás industrial atingiu US$ 18,64 por MMBtu (Milhão de Unidades Térmicas Britânicas) em junho de 2025, valor quase cinco vezes superior ao praticado nos Estados Unidos (US$ 3,67). Essa disparidade retira a competitividade das fábricas brasileiras e afasta novos investimentos.

Para reverter o quadro, a CNI defende a aceleração do Plano Nacional de Fertilizantes, que estabelece como meta reduzir a dependência externa para 45% até 2050. A estratégia inclui o fomento à pesquisa de agrominerais e a busca por novas jazidas de fósforo e potássio em solo brasileiro para proteger o agronegócio de choques geopolíticos e cambiais.

LEIA ABAIXO UM RESUMO DA NOTÍCIA

- Vulnerabilidade: O Brasil importa quase a totalidade do potássio (97,8%) e do nitrogênio (89%) utilizados em suas lavouras, ficando exposto a guerras e bloqueios marítimos.

- Custo do Gás: O preço do gás natural no Brasil é 500% superior ao dos EUA, o que inviabiliza a produção nacional de fertilizantes nitrogenados e eleva o preço final da ureia.

- Meta de longo prazo: O Plano Nacional de Fertilizantes projeta cortar a dependência externa pela metade até 2050, mas exige investimentos urgentes em reindustrialização e inovação.

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