Frete de Ponta Grossa a Paranaguá sobe quase 3% em julho
Alta ocorre em meio à maior disputa por caminhões provocada pelo avanço da colheita do milho e pela demanda para exportação de soja

Quem transporta grãos de Ponta Grossa para Paranaguá pagou mais pelo frete em julho. O valor da tonelada subiu de R$ 85 para R$ 87,50, uma alta de 2,94% em relação a junho. Mesmo com o aumento, o preço ainda está abaixo do registrado há um ano (julho de 2025), quando o mesmo trajeto custava R$ 118 por tonelada.
A movimentação faz parte de um cenário de maior disputa pelo transporte rodoviário no Paraná. Com a colheita do milho segunda safra avançando, mais produtores passaram a buscar caminhões para retirar a produção das lavouras. Ao mesmo tempo, a soja continuou com forte demanda para exportação, especialmente para a China, principal destino do produto brasileiro.
O efeito dessa concorrência aparece com mais força em algumas regiões. Na rota entre Campo Mourão e Paranaguá, por exemplo, o frete aumentou 40% em apenas um mês, chegando a R$ 230 por tonelada. Há um ano, eram R$ 153.
Em Toledo, o transporte até Paranaguá também ficou mais caro e alcançou R$ 218 por tonelada, alta de 8% em relação a junho. Em Cascavel, o avanço foi mais moderado, de 2%, levando o frete para R$ 205 por tonelada. Os dados são do Boletim Logístico de agosto de 2026 da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
CENÁRIO PARA O FEIJÃO
No mercado de feijão, Ponta Grossa apresentou um cenário mais estável. O custo do transporte permaneceu em R$ 247,50 por tonelada para São Paulo e em R$ 342,50 para o Rio de Janeiro. A estabilidade, porém, não significa que os valores estejam nos mesmos níveis do ano passado. Em 12 meses, as duas rotas acumulam altas de 24% e 17%, respectivamente.
A situação foi bem diferente em Pato Branco. O frete para São Paulo disparou 40,63% em julho, chegando a R$ 450 por tonelada. Segundo a Conab, a menor disponibilidade de caminhões, em razão da movimentação do milho e da soja, contribuiu para o aumento.
Como o mercado de feijão envolve um volume menor de negociações, mudanças na oferta e na procura por transporte podem provocar oscilações mais acentuadas. Foi o que ocorreu também na rota entre Pato Branco e Rio de Janeiro, que voltou a apresentar cotação após dois meses sem registros. O valor ficou em R$ 650 por tonelada, 41,3% acima do registrado em abril.
COLHEITA MANTÉM TRANSPORTE AQUECIDO
A pressão sobre os caminhões ocorre enquanto mais da metade da segunda safra de milho já havia sido colhida. A movimentação do grão manteve elevada a demanda pelo transporte rodoviário, embora as negociações no mercado interno tenham seguido lentas, com compradores e vendedores aguardando o avanço da colheita.
As chuvas também interferiram no processo. A maior umidade dos grãos retardou a secagem nos armazéns e, em algumas regiões, poderia comprometer a qualidade do produto. Mesmo nesse cenário, o preço recebido pelo produtor de milho subiu 2,6% em julho, chegando a R$ 52,66 pela saca de 60 quilos.
A soja, por sua vez, continuou sustentando um fluxo elevado de cargas para exportação. O Paraná respondeu por 7,5% das exportações brasileiras do produto no período analisado. No caso do milho, a participação estadual nas exportações nacionais foi considerada percentualmente irrelevante.
DIESEL TAMBÉM ENTRA NA CONTA
O aumento da pressão sobre os custos de transporte ocorre no mesmo período em que a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) realizou, em julho, a revisão ordinária semestral dos pisos mínimos de frete rodoviário. A revisão teve como referência o preço médio nacional do Diesel S-10, que passou de R$ 6,89 para R$ 6,97.
Os pisos fazem parte da Política Nacional de Pisos Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas, criada pela Lei nº 13.703/2018. A política estabelece condições mínimas para os fretes de forma que a remuneração do transporte cubra os custos operacionais e garanta uma remuneração mínima ao transportador.
Com supervisão: Mário Martins.





















