Livro revela a história do queijo artesanal no Sudoeste do Paraná
Obra da pesquisadora Melaine Camarotto analisa como saberes de imigrantes, organização na Aprosud, lutas regulatórias e a conquista da Indicação Geográfica moldaram o produto regional

A professora e pesquisadora Melaine Roberta Camarotto lançou o livro "A Produção do Queijo Artesanal", obra fruto de sua tese de doutorado em Geografia desenvolvida entre 2021 e 2024 na Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), no campus de Francisco Beltrão. A publicação investiga a trajetória da atividade no Sudoeste do Paraná, o papel da Associação dos Produtores de Queijo Artesanal do Sudoeste do Paraná (Aprosud) e a ligação histórica e cultural do queijo colonial com a identidade territorial da região.
A história da atividade remonta à década de 1930, durante a colonização local por migrantes de origens italiana, alemã e polonesa. Inicialmente conduzida por mulheres para garantir o sustento das famílias, a fabricação preservou receitas tradicionais e o excedente comercializado entre vizinhos expandiu o consumo.
O estudo também detalha os reveses causados pela legislação de insumos de origem animal de 1952, cujas exigências de pasteurização e inspeção federal forçaram pequenos produtores a abandonar o setor ou a atuar na informalidade por décadas. O cenário só mudou a partir de 2017, com novas regras sanitárias que liberaram o uso do leite cru (exigindo controle de tuberculose, brucelose, boas práticas e maturação), garantindo a preservação das características únicas e do terroir de cada propriedade.
Mesmo com a produção de diferentes varietais, o queijo colonial permaneceu como o produto central da cultura local. Entre 2018 e 2025, os associados da Aprosud conquistaram 61 medalhas em certames estaduais, nacionais e internacionais, impulsionando a visibilidade e a necessidade de modernização na gestão das queijarias.
Outro momento marcante detalhado por Melaine, que é docente da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) e tem trajetória acadêmica ligada à Administração, Desenvolvimento Regional e Geografia, foi o reconhecimento do Queijo Colonial do Sudoeste do Paraná como patrimônio cultural e imaterial da região por lei estadual em 2024, seguido pela conquista da Indicação Geográfica (IG), na modalidade Indicação de Procedência, concedida pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) para 42 municípios da área da Aprosud.
As informações sobre o lançamento e o conteúdo do livro foram divulgadas pelo portal de notícias MilkPoint (com dados originais do Jornal de Beltrão).
LEIA ABAIXO UM RESUMO DA NOTÍCIA
- Origem e resgate histórico: A produção de queijo artesanal no Sudoeste do Paraná começou nos anos 1930 como tarefa feminina de imigrantes para consumo próprio; enfrentou um período de informalidade após exigências legais impostas em 1952 e teve sua retomada oficializada a partir da flexibilização normativa de 2017.
- Qualidade, prêmios e regulamentação: Entre 2018 e 2025, produtores da Aprosud faturaram 61 medalhas em concursos de queijo; a atividade culminou no reconhecimento da receita como patrimônio cultural imaterial da região em 2024 e na conquista da Indicação Geográfica (IG) para 42 municípios.
- Pesquisa multidisciplinar e memória: Autora da obra, a professora da UTFPR Melaine Camarotto uniu sua memória afetiva de infância na área rural de Francisco Beltrão à sua formação em Administração, Desenvolvimento Regional e Geografia para documentar a cadeia do leite e a identidade territorial do queijo colonial.





















