Feira do Empreendedorismo do Sagrada Família une negócios e solidariedade
Alunos do ensino médio criaram 24 empresas e vão destinar 80% dos lucros a instituições sociais

A 12ª Feira do Empreendedorismo do Colégio Sagrada Família, em Ponta Grossa, reúne criatividade, gastronomia e aprendizado prático. O evento envolve estudantes do segundo ano do ensino médio na criação de 24 empresas, com produtos comercializados pelo público e parte dos lucros destinada a instituições sociais. A Feira acontece até às 17h desta sexta-feira (09).
Segundo a diretora do colégio, Irmã Edites Bet, a iniciativa nasceu há 14 anos e busca incentivar os estudantes a reconhecerem seus talentos e desenvolverem habilidades empreendedoras. “Ela tem como objetivo aproveitar o potencial de cada um dos nossos alunos e fazer com que eles pensem e vão descobrindo o seu potencial empreendedor, seus talentos, seus dons, seus sonhos, seus desejos, mas que eles aprendam a fazer alguma coisa na prática”, explica a diretora.
Além de trabalhar conceitos de empreendedorismo e marketing, a atividade estimula a criatividade, a convivência e a capacidade de resolver conflitos. Para Irmã Edites, os estudantes aprendem a lidar com opiniões diferentes e a compreender a importância de trabalhar em equipe. “Para modificar as coisas na sociedade, todos precisam se envolver e todos precisam colocar o seu potencial a serviço do bem comum”, destaca.
Aprendizado na prática
A preparação para a feira levou aproximadamente três meses. Os estudantes desenvolveram suas empresas, organizaram os produtos, pensaram nas estratégias de venda e ficaram responsáveis pela comercialização.
O professor Thiago Guilherme, coordenador da feira, explica que a experiência aproxima os alunos de situações que fazem parte da rotina de quem administra um negócio. “Eles estão tendo um contato com a vida real. Quando passarem agora por frente de uma empresa ou forem fazer um lanche, vão entender toda a complexidade do que é uma empresa”, afirma.
O trabalho também envolve competências socioemocionais, como diálogo, empatia e cooperação. Segundo o professor, os estudantes precisam aprender a conciliar ideias e dividir responsabilidades para que o projeto funcione.
Uma das participantes foi a estudante Júlia Hupalo, que ajudou a preparar a barraca inspirada no filme 'Toy Story'. Ela contou que dedicou boa parte da noite à fantasia usada no evento. “Fiquei até duas horas da manhã fazendo essa fantasia. A gente preparou com muito carinho”, relata.
A escolha do tema também teve relação com a fase vivida pelos estudantes, que estão no ensino médio e se preparando para o futuro acadêmico. “A gente está nessa correria de vestibular e de estudo. Escolhemos mostrar que a gente começa a estudar, começa a crescer e não brinca mais. Então, a gente gosta de relembrar esse momento de criança”, explica Júlia.
A mãe da estudante, Vanessa Hupalo, também participou da preparação e destacou o papel das famílias no processo. Para ela, a feira permite que os jovens assumam responsabilidades e aprendam a lidar com imprevistos. “A gente ajuda, deixa eles fazerem a maioria das coisas e ensina a trabalhar em equipe, a ter frustrações da fila cheia, uma fritadeira só. Então, ensina várias coisas de trabalhar junto e é muito gratificante”, conta.
Solidariedade como parte do projeto
Além da experiência comercial, a feira tem um objetivo social. De acordo com o professor Tiago, 80% do lucro de cada empresa será destinado à instituição escolhida pelos estudantes, conforme os valores e as causas com as quais mais se identificam.
Neste ano, a proposta vai além da entrega do dinheiro. Os alunos também deverão visitar as instituições beneficiadas para conhecer o trabalho desenvolvido e vivenciar de perto a realidade das pessoas atendidas.
Irmã Edites reforça que a iniciativa busca formar cidadãos conscientes e comprometidos com o bem comum. “A sociedade não é feita só de ‘eu tenho para mim’, mas ‘eu tenho para mim e preciso pensar no que não tem, que o outro também evolua’”, afirma.
A feira reúne diferentes opções gastronômicas, com barracas temáticas criadas pelos estudantes. O público encontra desde lanches e espetinhos até doces e bebidas sem álcool, em espaços que também exploraram a caracterização e a divulgação das empresas.



