Cachorros e gatos sofrem emocionalmente? Especialista explica sobre psiquiatria animal | aRede
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Cachorros e gatos sofrem emocionalmente? Especialista explica sobre psiquiatria animal

Médica veterinária e conselheira da Causa Animal do Grupo aRede, Érika Zanoni destaca conscientização sobre saúde mental dos animais

A médica veterinária Érika Zanoni discute saúde mental dos animais em mês de conscientização
A médica veterinária Érika Zanoni discute saúde mental dos animais em mês de conscientização -

Lilian Magalhães

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A médica veterinária e pesquisadora Érika Zanoni destaca que a saúde mental também faz parte do bem-estar dos animais. Especialista no estudo das emoções e do comportamento animal, ela explica que mudanças de comportamento, ansiedade, medo, estresse e alterações provocadas pela perda de um companheiro podem indicar sofrimento emocional e precisam ser compreendidas de acordo com as particularidades de cada espécie. 

Confira abaixo a opinião na íntegra da Érika, que também é conselheira da Causa Animal do Grupo aRede, especialista em Neurociência Clínica, mestre em Ciências Veterinárias, doutora em Zoologia e pós-doutora em Direito Animal pela Universidade Federal do Paraná (UFPR):

"Cachorro tem depressão? Gato tem ansiedade? A saúde mental dos animais também importa!

Setembro é conhecido como o mês de conscientização sobre a saúde mental. Mas você já parou para pensar que os animais também podem sofrer emocionalmente?

Aquele cachorro que destrói a casa quando fica sozinho pode não estar fazendo isso por pirraça. O gato que se esconde o dia inteiro pode não ser apenas antissocial. E aquele animal que deixa de brincar, perde o interesse pela comida ou passa a dormir demais pode estar demonstrando que alguma coisa não vai bem.

Os animais sentem medo, alegria, tristeza, ansiedade e estabelecem vínculos afetivos. E sim, eles também podem adoecer emocionalmente!

A ciência já demonstrou que diversas espécies apresentam emoções e comportamentos complexos. Cães, gatos, aves e até animais silvestres podem manifestar sofrimento psicológico.

É justamente aí que entra a psiquiatria animal, uma área da Medicina Veterinária dedicada ao estudo, diagnóstico e tratamento dos transtornos relacionados à saúde mental dos animais.

Mas cachorro pode ter depressão?

Essa é uma das perguntas que mais escuto!

Os animais podem apresentar quadros de ansiedade, fobias, comportamentos compulsivos e alterações semelhantes à depressão humana. Entretanto, o diagnóstico precisa respeitar as particularidades de cada espécie.

Um cachorro que perde seu companheiro, por exemplo, pode apresentar mudanças importantes de comportamento. Alguns deixam de brincar, procuram pelo amigo, ficam mais quietos ou apresentam alterações no sono e no apetite.

Outros desenvolvem medo intenso de trovões, fogos de artifício ou de permanecer sozinhos. Existem animais que chegam a se machucar, arrancar pelos ou desenvolver comportamentos repetitivos relacionados ao sofrimento emocional.

E não, isso não é frescura!

Também não significa que todo animal que late, mia ou apresenta um comportamento diferente tenha um transtorno mental.

Psiquiatria animal não é adivinhação. Não é olhar para um gato que mia e sair distribuindo diagnóstico!

É uma ciência que utiliza avaliação clínica, histórico de vida, observação comportamental e instrumentos específicos para compreender o que está acontecendo com aquele indivíduo.

Antes de atribuir uma mudança de comportamento a um problema emocional, também precisamos investigar possíveis doenças físicas, dores e alterações hormonais.

E existe tratamento?

Sim! E os resultados podem transformar a qualidade de vida dos animais e de suas famílias.

O tratamento não consiste simplesmente em oferecer um medicamento para deixar o animal quietinho.

Precisamos compreender sua história, suas necessidades, sua rotina, o ambiente em que vive e os fatores que podem estar causando sofrimento.

Em muitos casos, utilizamos diferentes recursos de maneira integrada: mudanças na rotina, atividades de enriquecimento ambiental, exercícios, brincadeiras, alimentação funcional e medicamentos quando necessários.

A medicina integrativa também pode contribuir. Recursos como a aromaterapia, utilizada de forma individualizada e segura para cada espécie, e a cannabis medicinal, sob prescrição e acompanhamento veterinário, podem fazer parte do tratamento em situações selecionadas.

Cada animal precisa ser avaliado individualmente. Afinal, o que funciona para um cachorro pode não funcionar para um gato, uma ave ou outro animal.

A proposta não é simplesmente eliminar comportamentos que incomodam os tutores, mas compreender suas causas e melhorar o bem-estar do paciente.

Cuidar da mente também é cuidar da vida!

Ao longo da minha trajetória como médica-veterinária, pesquisadora e autora do livro Psiquiatria Animal, tenho dedicado meus estudos à compreensão das emoções e do comportamento dos animais.

Essa experiência reforça algo que considero fundamental: os animais não precisam falar a nossa língua para demonstrar sofrimento.

Eles se comunicam pelo comportamento, pela postura corporal, pelas vocalizações e pelas mudanças em seus hábitos.

Cabe a nós aprender a observar e compreender esses sinais.

No Setembro Amarelo, quando tanto falamos sobre acolhimento, prevenção e saúde mental, também podemos ampliar nosso olhar para os animais que compartilham nossas vidas.

Um animal emocionalmente saudável não é aquele que obedece a todos os comandos, permanece em silêncio ou nunca apresenta comportamentos indesejados.

É aquele que encontra condições para expressar seus comportamentos naturais, estabelecer vínculos, explorar o ambiente, descansar e viver com segurança e bem-estar.

Amar um animal não é apenas oferecer comida, água e abrigo. É também reconhecer que ele tem uma vida emocional que merece respeito e cuidado.

E você, já percebeu seu cachorro ou gato triste, ansioso ou com saudade de alguém?

Conte sua experiência nos comentários! Seu animal já demonstrou algum comportamento que fez você pensar: "Será que ele também está sofrendo emocionalmente?"

Vamos conversar sobre saúde mental animal."

Conselho da Comunidade

Composto por lideranças representativas da sociedade, não ocupantes de cargo eletivo, totalizando 14 membros, a iniciativa tem o objetivo de debater, discutir e opinar sobre pautas e temas de relevância local e regional, que impactam na vida dos cidadãos, levantados semanalmente pelo Portal aRede e pelo Jornal da Manhã, com a divulgação em formato de vídeo e/ou artigo.

Conheça mais detalhes dos membros do 'Conselho da Comunidade' acessando outras notícias sobre o projeto.

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