Doutores Palhaços completam 18 anos e chegam a meio milhão de intervenções | aRede
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Doutores Palhaços completam 18 anos e chegam a meio milhão de intervenções

Organização de Ponta Grossa reúne cerca de 70 integrantes e realiza ações de humanização hospitalar em três municípios dos Campos Gerais

As atividades acontecem cinco dias por semana, em escalas, nos hospitais de Ponta Grossa, Palmeira e Tibagi
As atividades acontecem cinco dias por semana, em escalas, nos hospitais de Ponta Grossa, Palmeira e Tibagi -

Publicado por Diego Chila

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A organização Doutores Palhaços SOS Alegria completa 18 anos de atuação nesta quinta-feira (5), com uma marca histórica: 500 mil intervenções realizadas com pacientes em hospitais. Fundada em Ponta Grossa, a iniciativa cresceu ao longo dos anos e atualmente reúne cerca de 70 integrantes, levando a arte da palhaçaria hospitalar também aos municípios de Palmeira e Tibagi.

O impacto desse trabalho pode ser percebido nas histórias de pacientes e familiares que receberam a visita dos palhaços durante períodos de internação. É o caso de Alexandra Maria Stravatti, mãe de Felipe, hoje com 22 anos. Em 2013, quando o filho tinha apenas oito anos, a família enfrentou um período de incertezas após o menino perder os movimentos das pernas.

Durante a internação, Felipe ficou triste e desanimado. A situação começou a mudar quando dois integrantes da SOS Alegria visitaram o quarto hospitalar.

“Eles deixaram aquele ambiente alegre, cheio de vida. Foi como se uma energia boa tivesse entrado ali”, relembra Alexandra.

Segundo a mãe, o filho voltou a sorrir, brincar e demonstrar vontade de se movimentar. Embora reconheça que a intervenção dos palhaços não foi responsável pela recuperação dos movimentos, ela destaca a importância do acolhimento naquele momento.

“A presença deles trouxe esperança para mim e para o Felipe em um momento bem difícil. Até hoje, sempre que vejo um palhaço, lembro desse acontecimento e sou muito grata aos Doutores Palhaços”, conta.

Projeto começou com dois voluntários em Ponta Grossa

A história da organização nasceu do sonho de Micheli Vaz, que desejava trabalhar com medicina e teatro. Ao conhecer o trabalho dos Doutores da Alegria, de São Paulo, ela começou a pesquisar sobre a palhaçaria hospitalar.

A ideia ganhou força enquanto acompanhava uma amiga internada com câncer. A partir dessa experiência, Micheli decidiu colocar o projeto em prática ao lado de Bruno Madalozo.

“Começamos voluntariamente, eu e o Bruno, a fazer intervenções nos hospitais da cidade. Fomos conquistando o apoio e o carinho das equipes de saúde, que percebiam os resultados do riso na rotina dos pacientes”, explica.

O trabalho, inicialmente realizado por duas pessoas, conquistou o apoio de profissionais da saúde e da comunidade. Com o crescimento da iniciativa, o projeto se transformou em uma organização da sociedade civil (OSC).

Atuação chega a três cidades dos Campos Gerais

Ao longo dos 18 anos, a SOS Alegria ampliou sua estrutura e profissionalizou a formação artística dos integrantes. Atualmente, cerca de 70 pessoas participam da organização, sendo 37 voluntários que integram o elenco responsável pelas intervenções hospitalares.

As atividades acontecem cinco dias por semana, em escalas, nos hospitais de Ponta Grossa, Palmeira e Tibagi. A atuação em Tibagi começou no ano passado.

A equipe também conta com profissionais experientes na palhaçaria hospitalar, incluindo um integrante que atuou durante 28 anos nos Doutores da Alegria, em São Paulo.

A cada dois anos, a organização abre inscrições para formar novas turmas de voluntários. Alguns integrantes já acumulam 14 anos de participação no projeto.

Lei de Incentivo à Cultura fortalece o trabalho

O crescimento da SOS Alegria também está relacionado ao apoio financeiro de empresas e instituições. Segundo o coordenador-geral, Bruno Madalozo, as destinações por meio da Lei de Incentivo à Cultura são fundamentais para manter e ampliar as atividades.

Desde 2014, a organização conta com projetos aprovados pelo Ministério da Cultura.

Madalozo destaca que o trabalho vai além de proporcionar momentos de descontração aos pacientes. A proposta envolve formação artística, sensibilidade e respeito às particularidades de cada ambiente hospitalar.

“Na SOS Alegria, entendemos a arte como um caminho para o cuidado e a humanização das relações. Não se trata apenas de provocar risos, mas de estabelecer encontros por meio da linguagem do palhaço, com escuta, sensibilidade, responsabilidade e respeito às particularidades de cada pessoa”, afirma.

Organização celebra trajetória construída coletivamente

Para a idealizadora Micheli Vaz, os 18 anos representam não apenas o número de intervenções realizadas, mas também as relações construídas com pacientes, familiares, profissionais da saúde e voluntários.

Ela ressalta que a presença dos palhaços transforma também aqueles que participam diretamente das atividades.

“Depois de 18 anos, percebemos que o mais importante não está apenas nos risos que provocamos, mas nos encontros que construímos. A arte do palhaço nos permite olhar para além do estado de saúde, reconhecer as pessoas em sua humanidade e criar espaços de escuta, afeto e conexão”, destaca.

Micheli também agradece às comunidades de Ponta Grossa, Palmeira e Tibagi pelo acolhimento ao longo da trajetória.

“Somos resultado de muitas mãos, histórias e pessoas que acreditam na potência da arte. Celebrar esses 18 anos é reconhecer essa construção coletiva”, conclui.

Patrocínio e apoio

O projeto 'Salvando Risos', da organização Doutores Palhaços SOS Alegria, é aprovado pelo Ministério da Cultura por meio da Lei de Incentivo à Cultura (Pronac nº 259072).

A iniciativa conta com patrocínio de Paccar Financial, Granja Econômica, Águia Sistemas, Frísia, Unimed Ponta Grossa, Scherer Autopeças, Supermercado Rickli e Colégio Sepam. O projeto também recebe apoio da DAF Caminhões e do Premium Vila Velha Hotel, com produção executiva da ABC Projetos Culturais.

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