Ponta Grossa está entre as cidades com maior risco de deslizamentos no Paraná | aRede
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Ponta Grossa está entre as cidades com maior risco de deslizamentos no Paraná

Plataforma gratuita mostra áreas com riscos de inundações e deslizamentos em cinco cidades do Paraná

Os episódios recentes de chuva intensa registrados no Paraná reforçam a necessidade de identificar as áreas mais vulneráveis
Os episódios recentes de chuva intensa registrados no Paraná reforçam a necessidade de identificar as áreas mais vulneráveis -

Da Redação

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Os episódios recentes de chuva intensa registrados no Paraná reforçam a necessidade de identificar as áreas mais vulneráveis e antecipar medidas para reduzir os impactos de eventos climáticos extremos. Levantamento realizado por meio da Plataforma Natureza ON, desenvolvida pela Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza em parceria com o MapBiomas e tecnologia Google Cloud, identifica áreas urbanas suscetíveis a deslizamentos, inundações, alagamentos e enxurradas em cinco cidades paranaenses que tiveram chuvas acima da média.

Os dados mostram que áreas de Curitiba, Ponta Grossa e Cascavel estão mais suscetíveis a deslizamentos, enquanto São José dos Pinhais e Foz do Iguaçu apresentam locais sujeitos a inundações, alagamentos ou enxurradas. Além de indicar os pontos mais vulneráveis em cada cidade, a plataforma aponta medidas de adaptação baseadas na natureza que podem contribuir para tornar esses territórios mais resilientes.

O alerta ganha relevância diante do cenário recente e da perspectiva de chuvas acima da média durante a primavera e o verão. De acordo com o Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar), a chuva ultrapassou a média histórica de outubro em 16 cidades do Paraná no primeiros 12 dias do mês. Em setembro, mais de 30 cidades do Paraná superaram o volume de toda a chuva esperada para o período ainda na primeira quinzena do mês. As precipitações devem seguir acima da média no estado até dezembro, sob influência do fortalecimento do El Niño, que deve atingir o pico de intensidade entre a primavera e o verão.

Ponta Grossa

Mapeamento na região de Ponta Grossa
Mapeamento na região de Ponta Grossa |  Foto: Natureza On.

Em Ponta Grossa, a Natureza ON identifica 8,03 hectares de áreas urbanas suscetíveis a deslizamentos de terra, considerando diferentes níveis de suscetibilidade no território. A extensão equivale a cerca de cinco complexos do Estádio Germano Krüger, referência esportiva da cidade.

Uma das estratégias indicadas pela plataforma é a restauração de encostas com espécies nativas do ecossistema local. A medida pode contribuir para estabilizar os solos, reduzir os riscos de deslizamento e regular os fluxos superficiais da água, além de diminuir processos de erosão e sedimentação.

Curitiba

Em Curitiba, o levantamento identifica 7,61 hectares de áreas urbanas suscetíveis a deslizamentos de terra. A extensão é ligeiramente maior do que toda a área do Passeio Público, parque urbano histórico localizado na região central da cidade, que ocupa cerca de 6,9 hectares. O mapa permite visualizar a distribuição das áreas classificadas em diferentes níveis de suscetibilidade no território.

A restauração de encostas é uma das alternativas apresentadas pela Plataforma Natureza ON para reduzir a vulnerabilidade em áreas suscetíveis a deslizamentos. A estratégia combina vegetação nativa e, quando necessário, técnicas geotécnicas para contribuir com a estabilização do solo e a regulação dos fluxos superficiais.

São José dos Pinhais

Em São José dos Pinhais, a Natureza ON identifica 11,96 hectares de áreas urbanas suscetíveis a inundação, alagamento ou enxurrada, o equivalente a cerca de 20% da área total do Parque Municipal São José.

O município abriga a Bacia do Rio Miringuava, uma das principais fontes de abastecimento da Região Metropolitana de Curitiba e área de atuação do Movimento Viva Água Miringuava. Criado em 2019, o movimento trabalha com conservação da natureza e empreendedorismo sustentável a partir de Soluções Baseadas na Natureza, com foco em segurança hídrica e adaptação climática.

Entre as ações estão a recuperação de matas ciliares, a restauração de áreas de recarga, a conservação de solos e a adoção de práticas agrícolas sustentáveis. Além de contribuir para a qualidade da água que chega à população, essas medidas favorecem a infiltração da água da chuva e reduzem o escoamento superficial, ajudando a diminuir fatores associados a enchentes, inundações e alagamentos.

Foz do Iguaçu

Em Foz do Iguaçu, a Natureza ON identifica 78,45 hectares de áreas urbanas suscetíveis a inundação, alagamento ou enxurrada. A extensão equivale a quase cinco vezes a área do Parque das Aves, um dos principais da cidade, que ocupa cerca de 16 hectares.

O dado ganha relevância diante das elevações da vazão do Rio Iguaçu registradas em setembro. No início do mês, a vazão da água superou os 10 milhões de litros por segundo, quando o volume normal é de 1,5 milhão de litros de água por segundo.

Para áreas suscetíveis a inundação, alagamento ou enxurrada, a Natureza ON apresenta entre as alternativas as lagoas pluviais ou bacias de retenção, estruturas que armazenam temporariamente a água da chuva e ajudam a reduzir os picos de escoamento.

Cascavel

Em Cascavel, o levantamento identifica 2,03 hectares de áreas urbanas sujeitas a deslizamentos de terra, em diferentes níveis de suscetibilidade no município. A extensão equivale a pouco mais de duas vezes a área da Praça do Migrante, que ocupa cerca de 0,95 hectares.

A plataforma também recomenda a restauração de encostas com vegetação nativa nas áreas mais suscetíveis a deslizamentos. A solução auxilia na estabilização do solo, na redução da erosão e no controle do escoamento superficial.

Medidas para reduzir riscos

As Soluções Baseadas na Natureza podem atuar de forma complementar à infraestrutura urbana convencional, contribuindo para que os territórios tenham maior capacidade de lidar com os impactos de eventos extremos. Para áreas suscetíveis a inundação, alagamento ou enxurrada, entre as estratégias apresentadas pela Natureza ON estão as lagoas pluviais e bacias de retenção, que armazenam temporariamente a água da chuva e ajudam a reduzir picos de escoamento. Já em áreas suscetíveis a deslizamentos de terra, a plataforma apresenta a restauração de encostas com vegetação nativa, que contribui para estabilizar os solos, reduzir os riscos de deslizamento e regular os fluxos superficiais da água.

André Ferretti, gerente de Economia da Biodiversidade da Fundação Grupo Boticário, destaca a necessidade de antecipar medidas de adaptação para enfrentar situações como as vividas pelos paranaenses. “Precisamos nos preparar ainda mais e não esperar que os eventos extremos0 aconteçam antes para depois remediar os danos. É fundamental identificar as principais vulnerabilidades e planejar ações de adaptação.”

Segundo ele, parte desse desafio está relacionado à própria configuração das cidades. “A infraestrutura urbana foi planejada e dimensionada para outro cenário climático, com outra quantidade de chuva, outra frequência de tempestades, secas e enchentes. Agora, precisamos ajustá-la a uma realidade climática diferente”, acrescenta.

Sobre a Plataforma Natureza ON

A Natureza ON é uma plataforma digital gratuita que reúne mapas, dados públicos e análises técnicas para identificar riscos climáticos nas cidades brasileiras, como inundações, deslizamentos de terra e problemas relacionados à segurança hídrica. A ferramenta também apresenta Soluções Baseadas na Natureza para ajudar municípios e a sociedade a reduzir impactos e se adaptar às mudanças climáticas.

As Soluções Baseadas na Natureza (SBN)

Soluções Baseadas na Natureza são estratégias que utilizam processos naturais e serviços ecossistêmicos para enfrentar desafios urbanos e climáticos. Exemplos incluem restauração de áreas verdes, parques lineares, jardins de chuva, arborização urbana e recuperação de encostas. Além de reduzir riscos como enchentes e deslizamentos, essas soluções melhoram a qualidade de vida, ampliam áreas de lazer e fortalecem a biodiversidade.

RESUMO

Ponta Grossa tem 8,03 hectares vulneráveis: Levantamento da Plataforma Natureza ON aponta áreas urbanas suscetíveis a deslizamentos em Ponta Grossa, Curitiba e Cascavel, além de locais sujeitos a inundações, alagamentos e enxurradas em São José dos Pinhais e Foz do Iguaçu.

Chuvas acima da média aumentam o alerta: Dados do Simepar indicam que 16 cidades paranaenses superaram a média histórica de chuva nos primeiros 12 dias de outubro. A previsão aponta precipitações acima da média até dezembro, sob influência do El Niño.

Soluções naturais podem reduzir riscos: A plataforma recomenda medidas como restauração de encostas com vegetação nativa, recuperação de matas ciliares e implantação de bacias de retenção para diminuir o escoamento da água e prevenir impactos de eventos extremos.

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