Igrejas católicas reúnem assinaturas contra tombamento em Ponta Grossa
Ezequiel Bueno afirma ter coletado quase 4 mil assinaturas; representantes de comunidades católicas criticam o processo e defendem diálogo com as lideranças religiosas.

O vereador e pastor Ezequiel Bueno (Podemos) protocolou, nesta quarta-feira (28), um ofício encaminhado ao Poder Executivo de Ponta Grossa com quase 4 mil assinaturas contrárias ao tombamento de igrejas católicas no município. A mobilização busca pressionar pela suspensão do processo, que envolve a preservação de templos religiosos.
Em manifestação pública, o parlamentar afirmou que pretende continuar reunindo assinaturas em diferentes comunidades. “Isso aqui é a vontade dos católicos, que não querem que sejam tombadas as capelas das igrejas católicas”, declarou. Segundo Ezequiel, outros abaixo-assinados ainda estão sendo recolhidos em igrejas da cidade.
A discussão ocorre após a aprovação de uma lei municipal, sancionada pela prefeita Elizabeth Schmidt em agosto de 2026. A legislação estabelece que o tombamento de templos, igrejas, capelas e outros edifícios de culto depende de autorização expressa e formal da entidade religiosa responsável.
Comunidades religiosas questionam o processo
Representantes de comunidades católicas também manifestaram oposição ao tombamento. O padre Eufrem Krefer, da Paróquia Católica Ucraniana Transfiguração do Senhor, afirmou que o processo deveria ser discutido previamente com as autoridades eclesiásticas e com as comunidades que construíram e mantêm os templos.
“Quem são as autoridades eclesiásticas? O bispo, os párocos, os padres e o povo que construiu todas essas igrejas que nós temos aqui católicas”, afirmou. Para o religioso, é necessário considerar a história das comunidades e o trabalho de gerações que contribuíram para a construção das igrejas.
Krefer também questionou a necessidade do tombamento e afirmou que não acredita que as comunidades tenham intenção de demolir ou descaracterizar os templos. Segundo ele, a mobilização realizada na paróquia reuniu cerca de mil assinaturas em poucos dias.
O padre defende que o assunto seja encerrado e que as comunidades religiosas tenham autonomia sobre os espaços. A posição acompanha a manifestação de Ezequiel Bueno, que se posiciona contra o tombamento sem a concordância das instituições responsáveis.
Prefeitura aguarda reunião do conselho
Procurado pelo Portal aRede, o secretário municipal de Cultura, Alberto Schramm Portugal, informou que não há novidades sobre o assunto antes da próxima reunião do Conselho Municipal de Patrimônio Cultural (Compac), marcada para o dia 9 de novembro.
Conforme as informações repassadas à reportagem, a reunião deverá definir a data da próxima sessão relacionada ao tombamento. A Procuradoria-Geral do Município também informou que o prazo para o descongelamento da pauta poderá se estender até o fim de 2027, período em que o processo será analisado.
A discussão sobre o tombamento de igrejas em Ponta Grossa envolve a preservação do patrimônio histórico e arquitetônico, a autonomia das instituições religiosas e a participação das comunidades nas decisões sobre os templos.
Resumo
Abaixo-assinado: o vereador Ezequiel Bueno (Podemos) afirma ter reunido quase 4 mil assinaturas contra o tombamento de igrejas católicas em Ponta Grossa.
Posição das comunidades: representantes católicos criticam o processo e defendem diálogo com as lideranças religiosas e autonomia sobre os templos.
Próximos passos: a Secretaria Municipal de Cultura aguarda reunião do Compac para atualizar o andamento dos processos de tombamento.



