PG inaugura Biofábrica e inicia soltura de mosquitos para o combate à dengue
A Biofábrica será responsável pela preparação final dos mosquitos antes da liberação no ambiente

A Prefeitura de Ponta Grossa iniciou, na manhã desta terça-feira (20), as operações da Biofábrica do Método Wolbachia e a soltura de mosquitos com a bactéria utilizada no combate à dengue e a outras doenças. A estrutura foi implantada por meio de uma parceria entre a Secretaria Municipal de Saúde, o Ministério da Saúde, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e a empresa Wolbito do Brasil. O início das atividades foi marcado por uma cerimônia em frente à unidade, localizada no Jardim Paraíso.
A Biofábrica será responsável pela preparação final dos mosquitos antes da liberação no ambiente. Os insetos com Wolbachia cruzam com os mosquitos locais e transmitem a bactéria às gerações seguintes. Com o tempo, a expectativa é estabelecer uma população de mosquitos com capacidade reduzida de transmitir doenças como dengue, zika e chikungunya.
“É um momento histórico para Ponta Grossa. Conseguimos, com o apoio e o trabalho de diversas pessoas, trazer ao Município uma tecnologia reconhecida internacionalmente e que vai desempenhar um papel fundamental no combate à dengue. Isso não diminui a importância da população seguir colaborando para juntos vencermos esta batalha”, afirmou a prefeita Elizabeth Schmidt, que participou das primeiras solturas na cidade.
A liberação dos mosquitos começou após a etapa de engajamento comunitário, na qual a população recebeu informações sobre a tecnologia e seu funcionamento. O processo será realizado gradualmente, ao longo de 26 semanas, por agentes de campo treinados e capacitados. As solturas controladas ocorrerão semanalmente, com o uso de veículos e equipamentos próprios.
A expectativa é que a presença da Wolbachia aumente de forma autossustentável no município ao longo dos próximos meses.
“Agora que a população já conhece o método e entende que é uma tecnologia segura para a proteção, começam as liberações dos mosquitos. Será um trabalho intenso nas próximas semanas, que ainda conta com a colaboração das pessoas na eliminação do mosquito e de possíveis criadouros. Quem mata o Aedes aegypti também contribui para o método”, explicou Gabriel Sylvestre, gerente de implementação da Wolbito do Brasil.
Regiões atendidas
Após análises técnicas sobre a concentração de casos nos últimos meses, a Prefeitura, a Fiocruz e a Wolbito do Brasil selecionaram mais de 5,3 mil pontos para receber a soltura de mosquitos durante as próximas 26 semanas.
Os locais estão distribuídos entre a região Central e os bairros Uvaranas, Oficinas, Cará-Cará, Contorno, Colônia Dona Luiza, Chapada e Ronda.
O monitoramento será realizado por meio de ovitrampas, armadilhas utilizadas para acompanhar o estabelecimento da Wolbachia no ambiente. Estudos de eficácia indicam que, quanto maior a presença de mosquitos com a bactéria, menores são os números de casos de dengue, zika e chikungunya.
Em Niterói (RJ), por exemplo, onde a tecnologia abrange todo o território municipal, a redução dos casos de dengue foi de 89%.
Estrutura da Biofábrica
Inaugurada nesta terça-feira, a Biofábrica conta com um núcleo de produção destinado ao desenvolvimento dos mosquitos, chamados de Wolbitos, desde a fase de ovo até a fase adulta, antes da liberação em campo.
A unidade recebe cápsulas com ovos e ração provenientes da biofábrica. Em contato com a água, os ovos se desenvolvem até a fase adulta. Depois, os mosquitos são distribuídos por veículos que percorrem rotas previamente definidas para a soltura.
RESUMO
Combate à dengue: Ponta Grossa inicia a soltura de mosquitos com a bactéria Wolbachia.
Regiões atendidas: Mais de 5,3 mil pontos de soltura abrangem o Centro e bairros do município, ao longo de 26 semanas.
Biofábrica: Estrutura no Jardim Paraíso prepara os mosquitos para a liberação e o monitoramento da tecnologia.



