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PG inaugura biofábrica para combater a dengue com Método Wolbachia

Estrutura no Jardim Paraíso inicia operação com soltura de mosquitos que carregam bactéria capaz de bloquear o desenvolvimento do vírus; município registrou 40 casos da doença em 2026, contra 1.001 no ano anterior

A unidade está localizada na Rua Padre Denis Quality, s/n, Jardim Paraíso
A unidade está localizada na Rua Padre Denis Quality, s/n, Jardim Paraíso -

Publicado Por João Iansen

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Ponta Grossa inaugura nesta terça-feira (20) a Biofábrica do Método Wolbachia, uma nova estrutura voltada ao combate à dengue e à redução da transmissão de doenças provocadas pelo mosquito Aedes aegypti. Instalada no Jardim Paraíso, a unidade será responsável pela operação local da estratégia, que utiliza mosquitos portadores da bactéria Wolbachia para dificultar a transmissão dos vírus da dengue, zika e chikungunya.

A inauguração será realizada às 10h, com a presença de representantes da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), da Wolbito do Brasil e da Secretaria Municipal de Saúde. Após a cerimônia, está prevista a primeira soltura de mosquitos em Ponta Grossa, marcando o início dessa etapa da implantação do método no município.

A iniciativa amplia as estratégias de prevenção e controle das arboviroses na cidade, que já desenvolve ações de vigilância epidemiológica, fiscalização de possíveis criadouros e orientação à população. O objetivo é incorporar uma ferramenta científica complementar às medidas tradicionais de enfrentamento ao mosquito transmissor.

Município registrou 40 casos em 2026

Ponta Grossa contabilizou 40 casos de dengue em 2026 até o levantamento divulgado em 13 de outubro pela Secretaria de Estado da Saúde do Paraná (Sesa). No mesmo recorte comparativo, o município havia registrado 1.001 casos em 2025. Os números representam uma redução de aproximadamente 96% nas confirmações da doença.

Os dados foram divulgados pelo portal D'Ponta News com base no boletim epidemiológico estadual. A queda acompanha a redução observada no Paraná, que passou de 92.620 casos confirmados em 2025 para 6.191 em 2026, conforme o levantamento citado pela publicação. Os períodos epidemiológicos considerados precisam ser observados na comparação dos números.

Apesar da diminuição, a circulação do vírus continua sendo uma preocupação para os serviços de saúde. A redução dos registros não elimina o risco de novos surtos, especialmente em períodos de condições climáticas favoráveis à reprodução do mosquito.

O histórico recente reforça a dimensão do desafio enfrentado pelo município. Em 2024, Ponta Grossa passou por uma epidemia de dengue, com aproximadamente 20 mil casos confirmados e cerca de 30 mil notificações, segundo levantamento divulgado pelo D'Ponta News em março de 2026. O cenário evidenciou a pressão que a doença pode exercer sobre a rede de atendimento e a importância de manter ações preventivas permanentes.

Nesse contexto, a implantação do Método Wolbachia representa uma nova frente de atuação. A estratégia busca reduzir a capacidade de transmissão dos mosquitos e, consequentemente, contribuir para diminuir a ocorrência de casos ao longo do tempo.

Como funciona o Método Wolbachia

O método utiliza mosquitos Aedes aegypti que carregam a bactéria Wolbachia, encontrada naturalmente em diversas espécies de insetos, mas que não está presente naturalmente no mosquito transmissor da dengue.

Quando introduzida no organismo do Aedes aegypti, a bactéria dificulta o desenvolvimento dos vírus da dengue, da zika e da chikungunya. Dessa maneira, os mosquitos portadores de Wolbachia apresentam capacidade reduzida de transmitir essas doenças às pessoas.

Após a soltura, os mosquitos se reproduzem com os exemplares presentes no ambiente. A bactéria é transmitida às novas gerações, permitindo que sua presença aumente gradualmente na população local de mosquitos. Com o estabelecimento da Wolbachia no território, a estratégia pode produzir efeitos duradouros, sem depender de liberações contínuas por tempo indeterminado.

O procedimento não envolve modificação genética dos insetos. A tecnologia consiste na introdução da bactéria no mosquito, com acompanhamento técnico e monitoramento da implantação.

De acordo com informações da Fiocruz e da Wolbito do Brasil, o método integra ações de liberação controlada, acompanhamento epidemiológico e mobilização das comunidades. A estratégia é utilizada em diferentes países e municípios brasileiros, com resultados estudados em pesquisas científicas.

Experiências em outras cidades

A aplicação do Método Wolbachia no Brasil começou em projetos-piloto e foi ampliada para diferentes municípios. Em Niterói, no Rio de Janeiro, por exemplo, a iniciativa foi implantada inicialmente em 2015 e posteriormente expandida para outras áreas da cidade.

Dados apresentados pela Fiocruz apontam que os casos confirmados de dengue em Niterói passaram de 158 no ano de implantação do projeto para 55 em 2023. Estudos também identificaram reduções na ocorrência de outras arboviroses em áreas contempladas pela estratégia.

Na Indonésia, um estudo clínico publicado no periódico científico The New England Journal of Medicine identificou redução de 77% na incidência de dengue e de 86% nas hospitalizações relacionadas à doença em áreas que receberam mosquitos com Wolbachia, em comparação com regiões de controle.

Os resultados demonstram o potencial da tecnologia como ferramenta de saúde pública. Entretanto, os efeitos variam conforme as características de cada localidade, a cobertura territorial, a implantação do método e as condições epidemiológicas. Por isso, os resultados observados em outros municípios não devem ser considerados uma previsão automática para Ponta Grossa.

Biofábrica amplia estratégia de prevenção

A instalação da unidade no Jardim Paraíso representa uma etapa importante da implementação do método em Ponta Grossa. O espaço está localizado na Rua Padre Denis Quality, sem número, aos fundos da Unidade de Saúde Cleon de Macedo.

A operação envolve a participação de instituições responsáveis pelo desenvolvimento, pela coordenação e pela execução da tecnologia. A Fiocruz atua no desenvolvimento científico e na coordenação brasileira da iniciativa, enquanto a Wolbito do Brasil participa da operação do método em parceria com instituições públicas.

Além da soltura dos mosquitos, a implantação exige planejamento das áreas atendidas, acompanhamento técnico e comunicação com os moradores. A participação da comunidade é importante para esclarecer dúvidas sobre a tecnologia e informar como as ações serão realizadas em cada região.

A iniciativa também demanda integração com as equipes municipais que atuam na vigilância epidemiológica, no controle de zoonoses e na prevenção da dengue. O monitoramento dos resultados permitirá acompanhar a implantação e avaliar a evolução da presença da Wolbachia na população de mosquitos.

Método não substitui eliminação de criadouros

Mesmo com a chegada da nova tecnologia, as medidas tradicionais de prevenção continuam necessárias. O Método Wolbachia não elimina imediatamente todos os mosquitos nem dispensa os cuidados para evitar a formação de criadouros.

A população deve manter caixas-d'água fechadas, limpar calhas, descartar recipientes que acumulem água e verificar regularmente quintais, vasos de plantas, ralos e outros locais que possam favorecer a reprodução do Aedes aegypti.

A combinação de diferentes estratégias é fundamental para o controle das arboviroses. Enquanto a Wolbachia busca reduzir a capacidade de transmissão dos vírus pelos mosquitos, a eliminação de água parada atua diretamente na prevenção da proliferação do vetor.

Com a inauguração da biofábrica e o início das solturas, Ponta Grossa passa a contar com mais uma ferramenta no enfrentamento à dengue. A expectativa é que a tecnologia contribua para a proteção da população a médio e longo prazo, associada à continuidade das ações de vigilância, prevenção e participação comunitária.

Serviço

Inauguração da Biofábrica do Método Wolbachia

- Data: terça-feira, 20 de outubro

- Horário: 10h

- Local: Rua Padre Denis Quality, s/n, Jardim Paraíso, aos fundos da Unidade de Saúde Cleon de Macedo

- Programação: inauguração da estrutura e primeira soltura de mosquitos com Wolbachia em Ponta Grossa.

RESUMO

- Nova biofábrica: Ponta Grossa inaugura nesta terça-feira (20), às 10h, a Biofábrica do Método Wolbachia, no Jardim Paraíso, com a primeira soltura de mosquitos.

- Casos de dengue: O município registrou 40 casos em 2026 até 13 de outubro, contra 1.001 no mesmo recorte de 2025, uma redução de aproximadamente 96%.

- Combate à dengue: O método utiliza a bactéria Wolbachia para dificultar a transmissão de dengue, zika e chikungunya, sem substituir os cuidados para eliminar água parada.

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