Patinetes e monociclos mudam a dinâmica das ciclovias em Ponta Grossa | aRede
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Patinetes e monociclos mudam a dinâmica das ciclovias em Ponta Grossa

Legislação regulamentou patinetes e monociclos, enquanto infraestrutura cicloviária permanece em 53,5 quilômetros

Patinetes, monociclos e outros dispositivos autopropelidos ganharam regras específicas em Ponta Grossa
Patinetes, monociclos e outros dispositivos autopropelidos ganharam regras específicas em Ponta Grossa -

Milena Batista

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Enquanto a expansão da rede permanece em debate, os espaços destinados às bicicletas também passaram a receber novos equipamentos.

Patinetes, monociclos e outros dispositivos autopropelidos ganharam regras específicas em Ponta Grossa com a Lei Municipal nº 16.027, que entrou em vigor em agosto de 2026. A legislação foi baseada no Código de Trânsito Brasileiro e na Resolução n.º 996/2023 do Conselho Nacional de Trânsito.

Entre as exigências estão capacete obrigatório, velocímetro, dispositivo sonoro, iluminação dianteira e traseira, sinalização refletiva e sistema de frenagem eficiente.

Também foram definidos limites de velocidade. Em calçadas compartilhadas devidamente sinalizadas, o limite é de 6 km/h, com prioridade para pedestres. Em ciclovias, ciclofaixas e ciclorrotas, o limite municipal é de 20 km/h, ou outro inferior definido pela autoridade competente.

A circulação em vias com velocidade regulamentada acima de 50 km/h também possui restrições, salvo nas situações previstas pela legislação.

A lei ainda estabelece regras para menores de 14 anos.

Uma nova disputa pelo espaço

O autor da legislação, vereador Léo Farmacêutico, afirma que a proposta surgiu da preocupação com acidentes e com a falta de conhecimento dos usuários sobre as regras de circulação.

“Esses equipamentos foram chegando e, muitas vezes, eram vendidos como se não tivessem regra nenhuma. A preocupação principal é com a segurança, principalmente dos adolescentes.”

Léo Farmacêutico - Vereador
Léo Farmacêutico - Vereador |  Foto: Arquivo/aRede

Segundo ele, a legislação cria parâmetros de segurança e convivência, mas não determina a expansão da infraestrutura.

“A lei não vem para estimular diretamente a construção de novas ciclovias. A infraestrutura é uma responsabilidade do Executivo. O que a gente estabelece são regras para que esses equipamentos possam utilizar o espaço público com mais segurança.”

Da lei para as ruas

Em setembro de 2026, durante a Semana Nacional de Trânsito, a Superintendência de Trânsito realizou uma blitz educativa na Rua Balduíno Taques.

Agentes municipais, com participação da Guarda Civil Municipal, abordaram usuários de veículos elétricos e equipamentos autopropelidos, orientaram sobre as regras e distribuíram material informativo.

A ação mostra que a nova legislação começou a ser acompanhada por ações educativas.

Mulher é flagrada pilotando autopropelido sem capacete e com criança em Ponta Grossa
Mulher é flagrada pilotando autopropelido sem capacete e com criança em Ponta Grossa |  Foto: Divulgação

Léo Farmacêutico considera que a regulamentação é apenas o início de um processo maior. “Uma lei sozinha não resolve. É preciso fiscalização, educação e infraestrutura. A gente precisa trabalhar essas três frentes juntas.”

O debate também envolve a velocidade dos diferentes usuários.

A ciclista Júlia considera que equipamentos elétricos podem representar um risco adicional quando compartilham as estruturas cicloviárias.

“Eu acho que não deveria ser exatamente da mesma forma, porque alguns desses equipamentos conseguem andar mais rápido que uma bicicleta. Isso pode aumentar o risco de acidente.”

Já o arquiteto e urbanista Henrique aponta que o crescimento desses modais pode exigir adequações.

“Em alguns pontos, talvez seja necessário ter uma largura maior para permitir ultrapassagens. Também é preciso reforçar a sinalização e deixar muito claro quem tem prioridade em cada situação.”

Itaiacoca e a vocação turística

Se, na área urbana, o principal desafio é a conexão, em Itaiacoca a bicicleta ganhou outra função: o turismo.

Em 2022, foi inaugurada a estrutura Estélio Viatroski, com 17,6 quilômetros, paralela à PR-513, entre Uvaranas e Passo do Pupo. O trajeto permite acesso a atrativos como Capão da Onça, Recanto Botuquara, Buraco do Padre e Cachoeira Mariquinha.

No mesmo ano, Ponta Grossa inaugurou o Circuito das Nascentes do Cicloturismo, com 47,6 quilômetros. O circuito inclui aproximadamente 25 quilômetros de estradas rurais, áreas de mata, plantações, propriedades rurais e outros cenários naturais.

Cerca de 60 placas auxiliam na orientação dos ciclistas.

A rota vinha sendo trabalhada pelo município desde 2017 e foi apresentada como uma forma de consolidar Ponta Grossa no cicloturismo. Na inauguração, cerca de 250 ciclistas participaram do passeio.

GALERIA DE FOTOS

  • Circuito das Nascentes do Cicloturismo
    Circuito das Nascentes do Cicloturismo
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Mais do que quilômetros

A evolução da infraestrutura cicloviária de Ponta Grossa mostra que a cidade já percorreu um caminho importante, mas ainda possui diferentes etapas pela frente.

Em 2022, novas estruturas ampliaram o uso da bicicleta para o turismo e o lazer em Itaiacoca.

Em 2025, um novo trecho urbano conectou a estrutura da Avenida Bispo Dom Geraldo Pellanda às ruas de Uvaranas.

Em 2026, a legislação municipal passou a regulamentar novos equipamentos de mobilidade e ações educativas começaram a ser realizadas.

Ao mesmo tempo, a extensão oficial da rede permanece em 53,5 quilômetros e a própria prefeitura reconhece a existência de descontinuidades.

Os projetos futuros indicam possibilidades de expansão, mas ainda dependem de execução. É nesse intervalo entre o que existe, o que foi planejado e o que ainda precisa ser construído que está o principal desafio da mobilidade cicloviária de Ponta Grossa.

No fim, uma rede cicloviária não é apenas a soma de suas partes. É a conexão entre elas.

CONTEÚDO DE MARCA

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