Projetos de extensão aproximam moradores das tecnologias digitais
UEPG e UTFPR possuem iniciativas voltadas à democratização do acesso digital às crianças, idosos e pessoas em vulnerabilidade social

A Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) contém ações de inclusão digital, através do Programa de Inclusão Digital, vinculado ao Departamento de Informática. O Programa reúne projetos de extensão que têm como objetivo ampliar o acesso às tecnologias digitais para crianças, adolescentes e pessoas em situação de vulnerabilidade social em Ponta Grossa. Ao mesmo tempo, proporciona aos estudantes de graduação e pós-graduação a oportunidade de aplicar, na prática, os conhecimentos adquiridos durante a formação acadêmica.
O Projeto de Letramento Digital, coordenado pela professora Simone Nasser, é um das ações extensionistas que compõem o Programa de Inclusão Digital. O projeto promove atividades voltadas ao desenvolvimento de competências digitais de crianças de cinco a 11 anos e de adultos com deficiência intelectual. Cerca de 250 pessoas, entre alunos da Associação de Promoção à Menina (APAM) e da Associação Artesanal do Excepcional (Assarte), acadêmicos e professores voluntários estão envolvidos no projeto.

Projeto debate Objetivos de Desenvolvimento Sustentável
De acordo com a professora Simone Nasser, as atividades utilizam a computação como ferramenta para abordar temas do cotidiano. A cada ano é definido um eixo temático que orienta o planejamento das aulas, a produção de videoaulas, jogos educativos e atividades práticas. "Nosso foco é trabalhar os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável. Enquanto aprendem sobre esses temas, os participantes também desenvolvem habilidades digitais por meio da computação”.
Na avaliação da coordenadora, o principal resultado do projeto é promover o sentimento de pertencimento dos alunos ao ambiente digital. "Eles se sentem incluídos no mundo digital e valorizam muito quando percebem que conseguem utilizar a tecnologia e participar desse universo".
O projeto depende de bolsas de extensão da UTFPR, editais e parcerias pontuais para manter as atividades. De acordo com Simone, a principal dificuldade é garantir recursos para transporte e ações externas. "Manter um projeto de inclusão sem recursos é bastante difícil. Muitas vezes precisamos buscar apoio para transporte ou para garantir que os alunos consigam participar das atividades. Quanto mais parceiros tivermos, maior será nossa capacidade de ampliar esse trabalho", afirma.
Além das atividades realizadas em sala, o projeto organiza visitas técnicas e ações de campo. Neste ano, os participantes visitarão a UTFPR durante a Semana da Pessoa com Deficiência, quando conhecerão laboratórios, estruturas de energia solar e iniciativas relacionadas às cidades inteligentes.
UATI leva tecnologia aos idosos
A inclusão digital também é uma das frentes de atuação da Universidade Aberta para a Terceira Idade (UATI), da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). As ações buscam acompanhar as transformações tecnológicas da sociedade e oferecer aos idosos autonomia para utilizar ferramentas digitais.
A UATI possui, atualmente, dois cursos voltados à inclusão digital: informática e fotografia. As aulas de informática são ofertadas em três turmas de 12 alunos. Já a disciplina de fotografia reúne uma turma com cerca de 20 participantes, que aprende as técnicas da fotografia no celular.
Os conteúdos das disciplinas acompanham as necessidades do dia a dia. Os participantes aprendem a utilizar aplicativos bancários, realizar transferências por pix, enviar documentos, baixar aplicativos, acessar plataformas de streaming, fazer compras pela internet e utilizar outros serviços digitais. Além disso, a UATI promove palestras periódicas com profissionais da área de segurança pública para orientar os idosos sobre golpes virtuais, fraudes bancárias e outras situações de risco que se tornaram frequentes.
De acordo com a coordenadora da UATI, professora Rita de Cássia, a tecnologia deixou de ser um diferencial e passou a ser uma necessidade para a participação social da pessoa idosa. "Nosso papel é mostrar que o idoso tem competência para aprender novas tecnologias. A idade não impede a aprendizagem. O que eles precisam é de oportunidade, orientação e um espaço preparado para esse aprendizado”.
Isabel Cristina Foggiatto, de 61 anos, é uma das alunas da UATI que participam do curso de fotografia. Segundo ela, a disciplina surgiu como uma oportunidade para aprimorar os conhecimentos e aprender a registrar imagens com mais qualidade. "Sempre gostei de fotografar a natureza, lugares e os momentos vividos. O curso tem me ensinado sobre foco, iluminação, perspectiva e enquadramento. As aulas são dinâmicas: aprendemos a teoria e também vamos a campo para colocar o conhecimento em prática. Tem sido uma experiência muito gratificante e proveitosa”.

Matrículas
As matrículas para a UATI são realizadas no início do ano letivo da UEPG, em fevereiro. O ingresso é destinado, prioritariamente, a pessoas com 60 anos ou mais alfabetizadas, embora 10% das vagas sejam reservadas para participantes entre 50 e 59 anos. A UATI oferece cerca de 25 disciplinas e os alunos podem escolher duas para realizar a inscrição. Para mais informações, ligue para o número (42) 3220-3377 ou envie um e-mail para uati@uepg.br. O atendimento presencial ocorre no Campus Central (Bloco B), situado na Praça Santos Andrade, 1, Centro, Ponta Grossa - PR.





















