Entidades se unem para cobrar revisão do edital da concessão do Aeroporto Sant'Ana
Fiep, Acipg e Secovi-PR encaminham manifestações à ANAC em apoio à ampliação da pista

A Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) se posicionou sobre o modelo proposto para a inclusão do Aeroporto Sant’Ana na futura concessão do Aeroporto Internacional de Brasília. Segundo o João Arthur Mohr, Superintendente da Fiep, o ofício se manifesta em apoio à solicitação apresentada pela Prefeita de Ponta Grossa, Elizabeth Schmidt (PL). “Nós estamos basicamente pedindo que seja revisado essa concessão, obrigando o concessionário que vencer a licitação à ampliar a pista para aeronaves do tipo 3C”, explica
O ofício, assinado pelo presidente da Fiep, Virgílio Moreira Filho, foi encaminhado ao diretor-presidente da Anac, Thiago Chagas Feierstein. Segundo o texto, o Aeroporto Sant’Ana representa um importante ativo de infraestrutura para o desenvolvimento econômico, industrial e logístico de Ponta Grossa e da região dos Campos Gerais, “constituindo elemento estratégico para a atração de investimentos, ampliação da conectividade regional e fortalecimento da atividade produtiva paranaense”.

Segundo a Fiep reforça no ofício, a inclusão do Aeroporto Sant’Ana na categoria de Faixa 3, com comprimento mínimo da pista atual sendo incompatível com as características operacionais atribuídas à classificação, pode comprometer o potencial da infraestrutura aeroportuária.
Ainda de acordo com a Federação, os investimentos adequados para a infraestrutura do aeroporto são fundamentais para a expansão das atividades industriais e dos serviços nos Campos Gerais. Segundo o presidente, com um aeroporto funcionando de forma plena na região, vai resultar em um maior desenvolvimento econômico do Paraná e para o aumento da competitividade do setor produtivo nacional.
Acipg exige ampliação com cronograma de investimentos
A Associação Comercial, Industrial e Empresarial de Ponta Grossa (Acipg) também se manifestou sobre a proposta do Ministério de Portos e Aeroportos. Assim como a prefeita Elizabeth Schmidt, a entidade apoia a inclusão do aeroporto na futura concessão, desde que, a ampliação da pista de pouso e decolagem – em comprimento e em largura – conste como obrigação contratual da futura concessionária, com prazo definido no cronograma de investimentos.
Em ofício à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), assinado pelo presidente da Acipg, Leonardo Puppi Bernardi, a Associação reforça que a exigência da ampliação diz respeito à regularização do tamanho da pista, de forma que se torne compatível com aeronaves comerciais a jato.

Para a Acipg, a regra “desobriga a concessionária de executar justamente a obra que dá sentido à inclusão do aeroporto na concessão". A entidade também argumenta que, sem a ampliação da pista, os investimentos federais destinados à modernização do terminal serão subaproveitados e Ponta Grossa continuará sem voos comerciais regulares, “situação que já se prolonga por mais de um ano".
Além disso, a Associação destaca que a falta de voos regulares irá afetar diretamente o cenário econômico dos Campos Gerais, uma vez que a industrialização da região e a presença de multinacionais, agroindústrias e cooperativas de expressão nacional, são fatores que aumentam a demanda do trabalho. Atualmente, esse ecossistema depende do Aeroporto Internacional Afonso Pena, em São José dos Pinhais, para transporte aéreo.
Secovi-PR aponta incoerência técnica no modelo da concessão
Também por meio de manifestação encaminhada à Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), o Sindicato da Habitação e Condomínios do Paraná (Secovi-PR) defendeu a revisão do edital de concessão do Aeroporto Sant'Ana e classificou como tecnicamente incoerente o tratamento dado ao terminal de Ponta Grossa no Programa AmpliAR. O documento foi assinado por Carlos Ribas Tavarnaro, presidente da entidade.

Para o Secovi, a exceção criada sobre a pista do aeroporto é uma contradição dentro do próprio modelo da concessão. Enquanto a pista permanece com dimensões incompatíveis com aeronaves de código 3C, o edital exige que outras estruturas do aeroporto, como área de pátio e capacidade operacional, sejam dimensionadas para atender justamente esse padrão de operação. “A manutenção desta pista de pouso e decolagem inviabiliza, ou ao menos restringe de forma severa, a operação regular dessas aeronaves.”
Segundo a entidade, essa incompatibilidade também contrasta com os investimentos federais já executados e em andamento no Aeroporto Sant'Ana, podendo comprometer o aproveitamento dos recursos públicos. "Não há sentido em exigir pátio, PCN, terminal e taxiway compatíveis com aeronaves Código 3C e, simultaneamente, manter a pista em condição insuficiente para a operação regular dessas mesmas aeronaves", afirma.
Ao final do documento, a entidade solicita que a ANAC revise o item do edital que limita a exigência da pista aos atuais 1.280 metros e defende que sua ampliação passe a integrar o conjunto de investimentos obrigatórios da futura concessionária, com eventual recomposição do equilíbrio econômico-financeiro no contrato, se necessário.





















