Antigo matadouro vira criadouro em potencial do Aedes aegypti

Parece que a Prefeitura de Ponta Grossa não está fazendo o “dever de casa” no que diz respeito ao combate de criadouros do Aedes aegypti, popularmente conhecido como mosquito da Dengue, e que atualmente também vem sendo responsabilizado pela transmissão do Zika Vírus e da Febre Chikungunya.
O município que já possui nove casos confirmados de Dengue somente em 2016 – contra seis em todo o ano passado – tem mais um inimigo a ser combatido: o prédio do antigo Matadouro Municipal. De propriedade da Prefeitura, o local está interditado desde 2013 pelo Ministério Público (MP). A alegação foi de que o espaço não possuía licenciamento ambiental para operar.
O problema é que a estrutura abandonada que fica na Rua Valério Ronchi, em Uvaranas, possui cinco lagoas de decantação que estão acumulando água parada – esse número foi repassado por moradores da região.
Essas estruturas eram utilizadas para reter a matéria orgânica produzida durante o funcionamento do Matadouro, gerando posteriormente água com qualidade para ser devolvida ao meio ambiente.
As reclamações se tornaram públicas através do vereador Pietro Arnaud. Em sua página nas redes sociais, ele mostrou a situação do local. “Não adianta o Governo falar no rádio para as pessoas não manterem a água parada enquanto ele próprio não o faz. O imóvel é de inteira responsabilidade do município”, explanou em sua postagem.
Ouvido pela equipe do Jornal da Manhã e portal aRede, o parlamentar explicou ainda que é fácil perceber o número grande de insetos no espaço.
Além disso, o vereador alerta para os perigos de afogamento que possam vir a ser registrados no local. “O mato também está muito alto. Em alguns trechos não é possível sequer ver onde as lagoas estão. Muitas crianças dos conjuntos habitacionais próximos usam o espaço para brincar. Não vai demorar muito para termos uma tragédia. Isso não pode acontecer”, reclamou Arnaud.
Prefeitura afirma que estuda o que fazer com o local
Procurado para comentar a situação, o secretário de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Gustavo Ribas Netto, afirmou que o local precisa de adequações. “Estamos estudando a situação para saber qual caminho vamos tomar”, disse. O responsável pela pasta explicou também que na última semana uma equipe da Secretaria de Meio Ambiente esteve no espaço . “O Meio Ambiente é nosso parceiro nesta questão. Estamos executando um Programa de Regularização de Área Degradada para resolver a situação da água”, afirmou Netto.
Nesta mesma linha, o vereador Pietro Arnaud também comentou que iria requerer junto ao Governo Municipal o encaminhamento de técnicos para verificarem as condições do local. “Já passou da hora de o município resolver o problema dessas lagoas”, finalizou o parlamentar.
Associação de Carnes comandava o prédio desde 1995
O Matadouro Municipal está localizado a cinco metros do Rio Verde, numa área de preservação permanente. Desde 1995 era administrado pela Associação do Comércio e Indústria de Carnes de Ponta Grossa (Acic-PG). Antes da interdição, o local já havia sido autuado pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP) nos anos de 2003, 2004 e 2012 por falta de licenciamento. Em 2010, a Acic-PG firmou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com a Prefeitura e o Ministério Público para retirar-se do local e construir um novo espaço no prazo de um ano e meio, o que não ocorreu. Enquanto estava em operação, o Matadouro tinha cerca de 30 associados que encaminhavam para o local perto de 25 bois e 250 porcos, diariamente, para abate.





















