Invasões viram rotina em residenciais de PG

A alegria de Jussandra Ferreira dos Santos e de seu filho, Michel Vinícius dos Santos, por ter conquistado uma casa própria durou pouco mais de um mês. Ela foi uma das contempladas em dezembro do ano passado com uma das moradias do Residencial Costa Rica III, em Uvaranas. Alegando não ter condições de efetuar a mudança imediatamente, os dois resolveram ocupar a casa no começo desta semana. “Para nossa surpresa, quando chegamos ao endereço, o prédio já estava ocupado por outra família”, explica Jussandra.
Em um primeiro momento, ao argumentar com as pessoas que estavam habitando a casa, houve um princípio de colaboração. “Eles afirmaram que deixariam a moradia na terça-feira. Porém, quando chegamos com a mudança, eles falaram que não iriam sair mais”, conta Jussandra. Devido à confusão, a Polícia Militar foi acionada. Chegando ao local e verificando que de fato Jussandra era proprietária do prédio, outra surpresa. “Os Policias me explicaram que por não possuírem um mandado de reintegração de posse nada poderiam fazer”, completa.
Jussandra então resolveu procurar a Companhia de Habitação de Ponta Grossa (Prolar) na tarde de ontem. “Ao chegar lá, os funcionários me explicaram que eles também não poderiam fazer mais nada, já que o prazo para que eu me mudasse havia vencido no último dia 22 de janeiro”, diz. “Fui orientada a procurar um advogado e dar sequência a esse problema na justiça”, completa. Ainda na tarde de ontem, ela esteve na 13ª Subdivisão Policial (SDP) de Ponta Grossa para registrar um Boletim de Ocorrência.
Durante a estada da equipe do Jornal da Manhã no residencial, outras dez situações semelhantes a essa foram relatadas por moradores.
Procurado, o presidente da Prolar, Dino Schrutt, confirmou que o procedimento repassado para Jussandra é verídico. “Não é um determinação nossa. É uma medida repassada pelo Governo Federal. Caso essa situação tivesse ocorrido dentro do mês destinado para a efetivação da mudança, outras medidas seriam tomadas. Nesse período nós contamos com o patrulhamento da Guarda Municipal para evitar esse tipo de situação. Agora, ela deve procurar a justiça”, reforçou. Ele afirmou ainda que todas essas situações são explicadas para os contemplados com as casas no momento da assinatura do contrato. “Caso não aja uma justificativa plausível, é possível até que a pessoa chegue a perder a propriedade da moradia”, complementa.
Enquanto a situação não se resolve, Jussandra e o filho estão vivendo de favor na casa de parentes na Vila Marina.
Reclamações se multiplicam na região
Além das invasões, muitos moradores dos residenciais Costa Rica I, II e III apontaram outros problemas enfrentados na região. Um deles é a falta de ônibus do transporte coletivo. Segundo eles, apenas um veículo faz a linha com intervalos de 40 minutos. Outra dificuldade é que esse mesmo carro passa por outros residenciais, fazendo com que a lotação seja uma realidade constante. A ocupação de terrenos próximos aos residenciais também vem incomodando algumas pessoas. Uma fonte que não quis se identificar conta que os próprios moradores do Costa Rica estão cercando esses terrenos na expectativa de que no futuro possam lançar mão do usucapião.
Moradias foram entregues em dezembro de 2015
As casas dos Residenciais Costa Rica I, II e III foram entregues no dia 22 de dezembro de 2015. A solenidade foi presidida pelo ministro do Desenvolvimento Agrário, Patrus Ananias, contando ainda com a presença do governador Beto Richa, do superintendente regional da Caixa Econômica Federal, Luis Henrique Borgo, e do gerente regional da Caixa Econômica Federal, Júlio César Goginski. A previsão era de que as unidades fossem repassadas em novembro do ano passado quando as mesmas foram vistoriadas. O sorteio e localização das residências foi realizado em outubro.
Em números
O Costa Rica I, II e III é composto por 1.127 moradias. Em cada um deles, 20% das residências estão destinadas para moradores que vivam em áreas de risco. Os residenciais receberam investimentos de R$ 76 milhões dentro do programa “Minha Casa, Minha Vida”. Cada família pagará por sua casa em torno de R$ 67 mil, em prestações diluídas ao longo de dez anos.





















