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Nova transferência de detentos gera problemas na PEPG

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| Autor: Rodrigo de Souza

Rodrigo de Souza

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Os agentes da Penitenciária Estadual de Ponta Grossa (PEPG) estão preocupados com a superlotação no local e a frequência de momentos de tensão envolvendo detentos. Desde o início de abril, cerca de 60 internos foram transferidos da Cadeia Pública Hildebrando de Souza para a PEPG. A previsão é de que mais 36 presos ainda sejam realojados até meados de maio – agravando a superlotação do local.

Somente na semana passada, a Polícia Militar precisou ser acionada duas vezes para controlar tumultos dentro da PEPG envolvendo detentos recém-chegados. De acordo com o agente penitenciário André Pereira Xavier, os problemas não eram tão frequentes quando a penitenciária não estava superlotada.

“Quando se coloca mais um preso dentro de um cubículo (cela), acaba gerando um estresse entre aqueles detentos. Antes, cada um tinha sua cama e todo mundo dormia tranquilo. Ao colocar mais uma pessoa, os presos precisam revezar entre dormir no chão e nos colchões. Aqueles que ficam no chão, às vezes acabam se revoltando e em determinados momentos é preciso chamar reforço da Polícia Militar para que a situação não se agrave”, explica o agente penitenciário.

Na última quarta-feira (22), um dos detentos da PEPG se revoltou dentro do cubículo e destruiu uma luminária, utilizando os pedaços de vidro como arma – o que a polícia chama de ‘estoque’. A Tropa de Choque da PM foi acionada para recolher o material e evitar que nenhum agente penitenciário fique machucado. Após uma vistoria em todo o presídio, sete estoques foram encontrados.

De acordo com o vice-diretor da PEPG, Maurício Ferracini, a superlotação no local iniciou em agosto com a transferência de presos de outros municípios. Desde lá, situações semelhantes às da semana passada estão acontecendo. “O detento chega de uma cadeia com estrutura inferior e demora entre 100 e 120 dias para se ‘disciplinar’. Muitas vezes ele é dependente químico e acaba se revoltando com a falta de drogas, gerando transtornos para os agentes”, ressalta.

A PEPG é considerada ‘modelo’ no estado no quesito de recuperação dos detentos e reinserção na sociedade. O sistema dispõe de trabalho para os internos, estudos e outros afazeres que permitem a convivência em sociedade assim que cumprirem a pena. No entanto, Ferracini destaca que mesmo com toda a estrutura, alguns detentos preferem ‘não se envolver’. “Alguns estão tão ligados às organizações criminosas e não aceitam o trabalho dentro da penitenciária, muitas vezes impossibilitando a saída do mundo do crime”, conta.

Obras paradas refletem em superlotação

A transferência de presos do Hildebrando de Souza para a Penitenciária Estadual de Ponta Grossa (PEPG) se deve, entre outros fatores, pelas obras paradas na Cadeia Pública. O espaço, que deveria abrigar ao menos 160 detentos, começou a ser construído em meados do ano passado, mas sequer ‘saiu do chão’ e a construção foi paralisada.

Sem a ampliação do Hildebrando, a ‘solução’ se baseia em transferir detentos para a PEPG – superlotando os dois centros prisionais e gerando problemas em ambos os espaços. O vice-presidente da PEPG, Maurício Ferracini, explica que a superlotação é sim uma dificuldade. No entanto, com o atual mapa do sistema penitenciário do estado, é preciso trabalhar com os agravantes impostos pelo número elevado de detentos.

Capacidades

A Cadeia Pública Hildebrando de Souza abriga, atualmente, 618 presos e tem capacidade máxima de 208 pessoas.

A Penitenciária Estadual de Ponta Grossa (PEPG) conta com 496 presos, mas tem capacidade para somente 432. Além disso, a previsão é que ela receba mais 36 pessoas até meados de maio.

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