Setor rural reage a propaganda sobre uso de defensivos
Representantes de entidades do setor da agricultura questionaram propaganda que divulga dados sobre uso de agrotóxicos

Realizada nas principais cidades do Estado, uma campanha promovida pela Associação Paranaense das Empresas de Amianto, Ministério Público do Trabalho e Observatório do Agrotóxico tem causado críticas de representantes do setor rural em Ponta Grossa. A campanha incluí a afixação de outdoors que ‘denunciam’ o uso excesso de agrotóxicos: “Ponta Grossa e região em perigo”, diz a campanha publicitária.
Em PG, por exemplo, um outdoor com os dizeres está instalado na Balduíno Taques, no Centro da cidade. O outdoor afirma que “estamos consumindo mais de 4 mil toneladas de agrotóxico por ano”. Na visão de Rulian Bernardi Berger, diretor-presidente da Associação dos Engenheiros Agrônomos dos Campos Gerais (AEACG) com mais de 500 associados, a propaganda é “má intencionada” e “deturpa a realidade do campo”.
Rulian usa uma comparação a situação dos medicamentos vendidos nas farmácias: “Algumas pessoas entendem que esse medicamento é uma droga, outros entendem como um remédio necessário e que deve ser usado de forma correta”, afirma o agrônomo. Berger defende ainda que o uso de defensivos agrícolas (também conhecidos como agrotóxicos) é “controlado e supervisionado” por engenheiros agrônomos qualificados para isso.
O presidente da Associação destacou ainda o fato de que 1,5 milhão de hectares plantados, a quantidade de agrotóxico apontada na campanha seria “insignificante”. “O uso de defensivo é feito para combater pragas e fazer com que possamos produzir mais numa mesma área plantada. Com o aumento da população mundial isso é fundamental para manter o equilíbrio do planeta”, argumenta Rulian.
Outra liderança do agronegócio que se manifestou sobre o tema foi Gustavo Ribas Netto, presidente do Sindicato Rural de Ponta Grossa e ex-secretário de Agricultura. Na visão de Ribas Netto, a propaganda é “falaciosa” e desconsidera um aspecto importante do trabalho no campo. “Se o homem do campo não usasse defensivos agrícolas de forma sustentável e correta, hoje faltaria alimento na mesa da população”, expõe Ribas.
A legislação do setor e o controle feito sobre a produção também foram aspectos salientados por Rulian. “Temos uma das legislações mais rígidas do mundo, além disso os engenheiros agrônomos tem formação científica para ministrar o uso, respeitando o período de carência e comercializando apenas os alimentos que estão totalmente seguros para serem consumidos”, contou Berger.
Deputado quer proibir pulverização aérea
Outro tema que tem gerado ampla polêmica no campo do agronegócio é a possível proibição de pulverização aérea no Paraná – a proposta foi exposta em um projeto de lei de autoria do deputado estadual Tadeu Veneri (PT). A medida proíbe a pulverização aérea de defensivos agrícolas nas plantações do Paraná, a partir de dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) mostrando que menos de 1% das plantas são efetivamente atingidas pela pulverização e que o alcance do defensivo pode chegar a até 32 quilômetros de distância do alvo original. Nas redes sociais, Gustavo Ribas Neto ironizou a proposta. “O que falar desse projeto? Segundo o deputado apenas 1% do produto aplicado chega ao alvo e ele pode chegar a 32 km do local de aplicação. Você acredita nisso?”, questionou.




















