Museu de PG é destaque nacional com objetos do Egito

Há lugares fascinantes ao redor do mundo que talvez não poderemos conhecer. E coisas do passado que jamais poderemos vivenciar. No entanto, há modos de conhecer partes do mundo e do passado sem precisar ir muito longe. O “Museu de Arqueologia”, aqui em Ponta Grossa, é um exemplo de como podemos conhecer parte da história do Egito e de seu povo antigo. Através do trabalho e pesquisa do arqueólogo Moacir Elias Santos, o Museu, desde 2001, torna presente a história antiga através de quase 1.800 peças. Em entrevista ao Jornal da Manhã, o arqueólogo conta como surgiu seu interesse por arqueologia e fala sobre o Museu:
Jornal da Manhã: Como surgiu o interesse em tornar-se arqueólogo?
Moacir Elias Santos: A arqueologia é uma disciplina fantástica. Eu me apaixonei pela área quando eu ainda era criança, a partir de literatura e da arte. Eu passava horas na biblioteca da escola e nas livrarias, procurando por livros sobre o Egito antigo. Paralelamente eu comecei a desenhar e a esculpir peças egípcias que eu encontrava nos livros. Com o tempo eu fui me aprimorando e as peças foram ficando melhores, mais próximas dos artefatos originais. Mas eu só fui conhecer mesmo o que era esta ciência quando eu entrei para a faculdade de Arqueologia no Rio de Janeiro. Como aluno de graduação fiz diversos estágios. Foi a partir da faculdade que eu também passei a me interessar por arqueologia brasileira, um dos meus campos de atuação.
JM: De onde veio a ideia de abrir o Museu?
Moacir: Durante a década de 1990, antes mesmo de entrar para a faculdade, eu já acumulava uma grande quantidade de peças egípcias que havia produzido. Surgiu então a ideia de realizar exposições temporárias em alguns locais em Ponta Grossa, como o Centro de Cultura e o Museu Campos Gerais. Com o meu ingresso na faculdade e depois no mestrado, cuidar da exposição e estudar não estava funcionando bem. Então deixei as exposições de lado, entre 1998 e 2000. O fato de ter abandonado as peças em caixas era um pouco frustrante, pois tudo ficava guardado e não era utilizado. Eu sabia que era um material importante que precisava ser mostrado para o público. Desta forma surgiu a ideia de montar um espaço onde a coleção pudesse ser exposta de forma permanente durante o ano todo. Assim nasceu o Museu.
JM: Quantas peças o Museu tem?
Moacir: O museu conta com aproximadamente 1800 peças. As peças atualmente expostas fazem parte das coleções egípcia e pré-colombiana. Mas há outras coleções guardadas, a exemplo da que conta a evolução do homem, como os crânios, os fragmentos de ossos e artefatos de pedra. Há desde tabletes com escrita cuneiforme até grandes relevos de um palácio de um rei assírio. O museu também conta com uma grande coleção de artefatos indígenas, provenientes de diversas nações, espalhadas por várias regiões do país.
JM: Como você coletou todos os objetos do Museu?
Moacir: Eu comecei produzindo as peças egípcias, no princípio da década de 1990, mas em 1998 devido a uma encomenda, fiz cópias de antigos moldes de crânios da evolução humana existentes do setor. Todas as réplicas que produzi encontram-se na sala de evolução humana do museu. A coleção pré-colombiana surgiu a partir de uma viagem para a cidade de Arica, no norte do Chile. Com as peças das outras coleções ocorreram situações similares, algumas foram adquiridas em museus, trocadas com outras instituições ou eu mesmo produzi.
JM: Qual é a dificuldade de manter o Museu e expor seu material?
Moacir: O espaço físico é mantido com o dinheiro da visitação. Os visitantes pagam ingresso e conseguimos pagar as despesas básicas, mas quando não há visitantes nós mesmos pagamos as despesas. Se tivéssemos um prédio grande, como o que pertence ao Museu Campos Gerais, teríamos espaço para expor a coleção toda. Precisaríamos de pelo menos umas dez salas, mas aos poucos estamos ampliando.
JM: Como é ser reconhecido por um acervo tão grande e único em Ponta Grossa?
Moacir: Ter o seu trabalho reconhecido é algo positivo, contudo, depois de tanto tempo de funcionamento o museu ainda continua desconhecido por parte dos ponta-grossenses. Nós prosseguimos o trabalho de divulgação de forma contínua para que mais pessoas, pelo menos, saibam de sua existência.
JM: Qual é a importância do seu trabalho para você e para a sociedade?
Moacir: Como eu sempre gostei de arqueologia e de história acho importante dividir o que eu aprendi com as outras pessoas. Poder passar o conhecimento, ou o pouco que temos e sabemos, para os mais jovens é algo positivo. Nós precisamos de mais educação e cultura, temos todas as condições de melhorar a nossa sociedade e, na minha opinião, este é um caminho.
JM: O que você diria que é o mais fascinante no Museu?
Moacir: Em termos de visitação é receber uma turma de uma escola e ver um jovem estudante de sexto ano entrar nas salas e exclamar “olha isso!” ou “que incrível!” já é suficiente para eu me sentir realizado. O museu foi pensado para servir como ferramenta educativa-cultural para a comunidade onde se encontra inserido. Não adianta nada apenas realizar pesquisas e publicar em revistas especializadas, o conhecimento precisa ser compartilhado com toda a sociedade.
JM: Qual é a importância da conservação do Museu e dos itens?
Moacir: Manter e ampliar o museu é um dos meus principais objetivos. Tudo isto poderá ser utilizado pelas futuras gerações para a difusão do conhecimento por meio da educação patrimonial. Temos peças aqui que são únicas, mesmo em se tratando de réplicas. Muitas pessoas que não teriam condições de viajar, mesmo para cidades grandes do Brasil – como o Rio de Janeiro e São Paulo –, tem aqui uma oportunidade de apreciar e conhecer um pouco mais sobre o passado.
Quem é Moacir Elias Santos ?
Moacir é formado em arqueologia pela Universidade Federal Fluminense, no Rio de Janeiro, e cresceu lendo e aprendendo sobre a cultura egípcia. Moacir começou realizando exposições temporárias dos artigos egípcios e como o resultado foi bom, em 2001, inaugurou o Museu, sob o nome de “Galeria de Egiptologia”. Já faz 13 anos que Ponta Grossa conta com esse enorme acervo de história do povo egípcio, a disposição para visitas do público.
Museu do Egito se localiza em Oficinas
O Museu se localiza na rua José Joaquim da Maia, 154, em Oficinas, Ponta Grossa. A entrada para o Museu para visitantes custa R$8,00 e para estudantes e professores acompanhados de seus alunos, R$4,00. Mais informações, no blog do Museu, ou pelo telefone (42) 3220-2109.
Informações do Jornal da Manhã




















