Queimadas forçam fuga de animais para áreas urbanas
Número de ocorrências com animais silvestres cresceu pela região. População precisa ficar atenta

Dados do 2º Grupamento do Corpo de Bombeiros de Ponta Grossa dão conta de que somente em setembro foram registradas 90 queimadas na cidade. Isso que o mês ainda nem acabou. Pelo Paraná o número é ainda mais alarmante – os focos de incêndio já chegam a 1.282, sendo o maior número registrado no período nos últimos 12 anos. As informações são do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). O órgão estadual atende uma ocorrência a cada 13 minutos.
Além do prejuízo direito ao meio ambiente com a destruição da vegetação e potencial contribuição ao efeito estufa, por exemplo, as ocorrências estão interferindo na rotina da fauna dos Campos Gerais. O resultado é a aparição cada vez mais frequente de animais silvestres em áreas urbanas.
O alerta foi feito pelo médico veterinário credenciado e especialista em animais silvestres, Robson Climionte. Nos últimos dias ele ajudou a capturar uma onça parda na área rural de Castro e um cervo em um condomínio no Jardim Carvalho, em Ponta Grossa. Essas situações se somam a aparição de uma jaguatirica, um ouriço e saguis. “Com a destruição do seu habitat, os animais procuram outros locais para se estabelecerem. Eles vão em busca, principalmente, de comida”, relata Climionte. Em casos que ofereçam risco a segurança das pessoas, o procedimento tem o auxílio da Polícia Ambiental. De outra forma, o Instituto Ambiental do Paraná (IAP) deve ser acionado pelo telefone (42) 3225-2757.
Depois da captura, os animais são submetidos a uma avaliação. “Reestabelecida as condições necessárias, os animais são devolvidos à natureza”, explica Climionte. O cervo foi solto na tarde de terça-feira (26) e o filhote de onça parda no último sábado (23).
Com base na Lei dos Crimes Ambientais, quem mata, persegue, caça, apanha ou utiliza de espécies da fauna silvestre, nativa ou em rota migratória, sem a devida permissão, autorização ou licença da autoridade competente, ou em desacordo com o documento obtido, incorre em crime ambiental, cuja pena pode variar em detenção de seis meses a um ano e multa.
População precisa redobrar atenção para evitar incêndios
Para Paulo Barbieri, meteorologista do Simepar, o número de queimadas cresce em setembro por causa do clima seco e sem chuvas. “Há um bloqueio atmosférico, uma massa de ar quente que está sob o Estado e não deixa as frentes frias chegarem até o solo”, conta. Em alguns casos, o fogo é iniciado por descuido da própria população, conta a capitã do Corpo de Bombeiros, Rafaela Diotalevi. Segundo ela, nesta época do ano acontecem muitas ocorrências em terrenos baldios. “As pessoas costumam jogar sacos de lixo nos terrenos e em alguns há cacos de vidro. O contato deles com o sol provoca novos incêndios, que poderiam ser evitados se houvesse mais cautela”, relata. Provocar incêndios em vegetação nativa sem a devida autorização é crime. As sanções também respeitam a Lei de Crimes Ambientais.





















