Cumprida na teoria, cota para mulheres não vale na prática | aRede
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Cumprida na teoria, cota para mulheres não vale na prática

No Brasil, as mulheres têm direito ao voto desde 1932 e a participação mais efetiva delas na política é garantida (pelo menos na teoria) pela atual legislação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Elizabeth ocupa duas pastas no Governo Municipal e cogita ser candidata em 2016
Elizabeth ocupa duas pastas no Governo Municipal e cogita ser candidata em 2016 -

Legislação prevê que pelo menos 30% dos candidatos sejam do sexo feminino. Regra não reflete na prática - as mulheres seguem sendo a minoria.

No Brasil, as mulheres têm direito ao voto desde 1932 e a participação mais efetiva delas na política é garantida (pelo menos na teoria) pela atual legislação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). No entanto, mesmo que a legislação vigente preveja que 30% dos candidatos sejam do gênero feminino, atualmente a participação das mulheres é tímida na política em Ponta Grossa.

No Legislativo Municipal, por exemplo, das 23 cadeiras, apenas uma é ocupada por uma mulher – atualmente apenas Adélia de Souza (Democratas) é a única representante do gênero feminino. Tido preconceituosamente como o “gênero frágil”, as mulheres seguem lutando por mais espaço na política local. A própria Adélia usou a tribuna do Legislativo para criticar a pouca participação das mulheres. “Hoje eu sou a única aqui dentro da Câmara, espero que as mulheres tenham força para reforçar nossa batalha e conquistar novas cadeiras no próximo mandato”, comentou Adélia.

Além da filiada ao Democratas, o Legislativo também contava no começo do mandato 2012-2016 com a Ana Maria Holleben – no entanto, a vereadora acabou perdendo o mandato e foi substituída por Nilson Ribeiro. Já no primeiro escalão do governo do prefeito Marcelo Rangel (PPS), a presença de mulheres é mais frequente – das treze secretárias e autarquias municipais, cinco são ocupadas por mulheres.

Elizabeth Schmidt, por exemplo, comanda duas pastas importantes do Governo de Rangel (Recursos Humanos e Administração) e já concorreu ao cargo de vice-prefeita da cidade em 2000. “A política é um ambiente muito machista em que os homens querem nos proteger, mas eles se esquecem que nós os protegemos desde que eles nasceram”, ironiza Elizabeth.

A secretária municipal ainda estuda disputar o cargo de vice ou até mesmo de prefeita nas próximas eleições. “As mulheres tem que demonstrar mais coragem em participar do processo democrático. Muitas pessoas lutaram para que tivéssemos esse direito”, disse Schmidt. Além de Elizabeth, Rangel tem como secretárias Angela Pompeu (Saúde), Esméria de Lourdes Saveli (Educação) e Patrícia Tuma Hilbemberg (Meio Ambiente) que ainda será oficializada no cargo.


PMB quer garantir participação

Criado em setembro de 2015, o Partido da Mulher Brasileira (PMB) nasceu com um plantel representativo em PG – a legenda recebeu o vereador Julio Küller e do vice-prefeito, Dr. Zeca. Ao falar sobre a participação feminina na política. Küller garantiu que o PMB terá nomes de força representando as mulheres nas próximas eleições. “Filiamos e estamos filiando mulheres de destaque e vamos ter uma representação feminina grande dentro do partido, talvez semelhante a participação dos homens”, comentou.


Lei quer combater o machismo na política nacional
A Lei 12.034, de 29 de setembro de 2009, criou uma reserva compulsória mínima de 30% para cada sexo - tanto para homens como para mulheres. A disparidade na presença entre homens e mulheres também é refletida na política nacional. Embora a presidente Dilma Rousseff (PT) tenha sido reeleita em 2014, há muito mais homens em cargos de poder que mulheres. Na Câmara dos Deputados, por exemplo, dos 513 deputados eleitos, apenas 51 são mulheres. Nos ministérios de Dilma também é pequena a representação.

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