VW Amarok impressiona pela tecnologia oferecida

Nesta semana, tive o prazer de fazer um test drive em uma Volkswagen Amarok. Mas não uma volta qualquer: foi numa trilha off-road, para testar toda a tecnologia da picape na prática. Confesso que fiquei impressionado com o que as modernidades oferecem. Aqui, retratarei apenas impressões, já que não havia a disposição de outras picapes para fazer uma avaliação ou comparativo. E, claro, como foi a primeira fez que encarei uma trilha desse nível em um veículo 4X4, as percepções foram bastante influenciadas pela emoção.
Em um primeiro olhar, ela até pode parecer um carro de ‘playboyzinho’ para alguns. Outros têm a visão da marca como de carros mais populares, como o Fusca e Gol, e desconhecem a tradição tecnológica e refino de alguns modelos. Visualmente, não tem aquela cara de ser tão valente na terra; tem a aparência mais amigável, de um veículo urbano. Engano: depois do que vi, sinto pena dos que nunca testarão todas suas qualidades. Não é uma reportagem sobre o carro: vou retratar a experiência vivida, sem me ater aos opcionais que oferece.
Primeiras Impressões
Num primeiro contato, agrada pela posição de dirigir, alta, como em todo utilitário. Ao girar a chave, a grande tela de LCD no centro do console central chama a atenção. Ao pisar no acelerador, no Drive (a versão testada era automática), impera o silêncio: o câmbio de oito marchas (o famoso ZF 8HP)trabalha em giro baixo, não excedendo os 2 mil rpm. A aceleração é linear: você identifica a troca de marcha apenas no painel e num atento ronco ao motor.
Na cidade, outra coisa que chama a atenção é o diâmetro de esterço. Em um teste em um canteiro, virou quase como um compacto. Quase inacreditável para uma picapona com mais de 5 metros. No modo ‘sport’ do câmbio, dispensa as marchas mais altas e deixa o ponteiro beliscar a linha vermelha, para buscar a potencia mais alta. O motor é um 2.0, turbodiesel, que entrega 180 cavalos, com gigantes 42 kgfm. Na estrada, é um desempenho esperado para um veículo diesel com mais de duas toneladas.
Na Terra
Chegamos ao destino: o autódromo André de Geus. O botão ‘off road’ é acionado. Aqui é possível ver seu acerto um pouco mais firme, com características mais esportivas. Mesmo em buracos mais altos, evita o efeito chicote. Em uma lateral do terreno do autódromo, um alto barranco, daqueles que você olha e diz: “Não é possível. O carro não vai subir ali. Nem com 4X4, vai ficar patinando”. Mas o nosso ‘instrutor’ da concessionária Servopa, Juliano Cesar Rocha, insistiu. Mirei a subida de frente e fui controlando, lentamente. As rodas dianteiras começaram a subir e a picape começou a empinar, até as rodas traseiras chegarem naquele terreno inclinado, em uma espécie de argila seca.
Ladeira e controles eletrônicos
No meio da ‘pirambeira’, ouço um “agora freie. Pare”. Meti o pé no freio. Paramos. “Ok, quando eu falar para vocês soltar o freio, você solta, conta até três e acelera”. Soltei o é do freio com o receio do carro voltar um pouco e começar a deslizar. Não foi o que aconteceu: o carro estacou. Contei até três e acelerei. Afundei um pouco o pé e senti a picape patinar. Não por muito: em menos de um segundo entrou em ação o sistema de tração, distribuindo eletronicamente a tração nas rodas com mais aderência. E subiu, dosando a tração entre as rodas da maneira correta, fazendo subir sem receio aquele morro inclinado. E só lembrando: ela não tem reduzida. Outro detalhe: nem foi preciso acionar o bloqueio do 4X4.
Fiz o retorno e comecei a descer em outro ponto. Uma descida completamente irregular, com grandes valas feitas pela chuva e pela ação humana. E, também, igualmente muito inclinada. Iniciei a descida controlando no freio. Ao entrar na parte mais crítica, novamente ouço um “pare” do Juliano. Olho para alavanca e vejo ele puxando para o Neutro. “Pode soltar completamente do freio”. Fiquei intrigado ‘é agora que dispara’, pensei, olhando fixamente para ele. Mas criei coragem e foi o que fiz. E vi a picape descendo aquilo de forma retilínea, apensar dos buracos, lentamente, controlando sem que ela derrapasse. Foi aí que entrou em ação o HDC (Hill Descent Control; ou controle automático de descida em ladeiras), que impressiona pela ação independente em cada roda, ‘pinçando’ mais forte o disco com maior aderência. Fim da ladeira, câmbio em posição ‘Drive’ novamente.
Inclinação lateral e teste de frenagem
Mas isso não é tudo: agora era a vez do teste de inclinação lateral. O 4X4 foi acionado. Fiz o contorno e retornei para a lateral de uma ladeira, lentamente, seguindo as instruções. Estava puxando a picape mais para baixo, mas ele indicou: “por ir mais por ali, mais pra cima, aqui”. E fui, em uma inclinação lateral muito grande. O medo de tombar era eminente. Subi com as rodas dianteiras até o meio do entre eixos ficar no meio do início da rampa. Uma roda traseira ficou no ar. Mais uma vez parei mediante solicitação, e vi o Juliano abrindo a porta com aquele carro todo torto. “Veja a resistência desse chassi. É de duplo U”, informou. Incrível: mesmo com a carroceria toda torta, a torção estrutural era nula: a porta fechou como se o carro tivesse nivelado. Segundo dados da montadora, ela pode encarar uma inclinação de 50,8 ° para a direita que ela não tomba.
Missão cumprida com muita adrenalina. Voltei às condições normais. 4X4 desligado novamente, mas com o modo off-road ainda acionado. Agora, Juliano me propôs o último teste, do ‘ABS’ off-road. Em um trecho de terra, afundei o pé no acelerador e, na sequência, meti o pé no freio com toda a minha força. Querendo ter noção do movimento do volante, aliviei a pegada, mas atento para qualquer movimento. E fui surpreendido. Nada de uma distância longa, como o esperado para um ABS na terra: parou em um curto espaço, devido a tecnologia de fazer a roda travar levemente, em doses homeopáticas, girando um torque inverso, para criar ‘pequenos morros de terra’ na frente do pneu, aumentando o arrasto e diminuindo a distancia de frenagem.
Conclusão
Inacreditável. Como falei, não testei outras picapes, nem andei em piso molhado, liso. Mas no trajeto que fiz, a tecnologia embargada nela a diferencia de todas as outras concorrentes. Não sei se há picapes melhores que ela no barro ou para o dia a dia nas estradas de terra. Mas, nestas condições testadas, ousaria dizer que não tem picape para bater a segurança que ela transmite nessas situações.
Ao chegar na concessionária, ao descer, notei um detalhe: ela fez tudo isso com rodas originais aro 19, com pneu de perfil mais baixo. E com um pneu Pirelli Scorpion, com características pendentes para as vias pavimentadas. Nem imagino o que ela pode fazer com um pneu mais voltado para o off-road.
Para findar, só gostaria de agradecer meu amigo Felipe Hampf que me acompanhou na aventura, e a seu compadre, Dinarte Lima, gerente da Servopa, parceiro das pautas automotivas, e que nos ofereceu a aventura.





















