Crônicas dos Campos Gerais: “Cores de outubro” | aRede
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Crônicas dos Campos Gerais: “Cores de outubro”

Texto de autoria de Sueli Maria Buss Fernandes, professora aposentada de Ponta Grossa

Sueli Fernandes é professora aposentada nascida em Ponta Grossa e
filha da escritora, trovadora e artista plástica Amalia Max.
Sueli Fernandes é professora aposentada nascida em Ponta Grossa e filha da escritora, trovadora e artista plástica Amalia Max. -

Da Redação

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Texto de autoria de Sueli Maria Buss Fernandes, professora aposentada de Ponta Grossa

Chega o ano de 2020. No coração de todos o desejo de atingir metas, de realizar projetos, de sonhar sonhos. Aquela viagem há muito planejada não sai da cabeça, a festa de 15 anos da menina, os churrascos de domingo. Plano de conseguir o primeiro emprego, buscar uma promoção por mérito, a aposentadoria depois de cumprir o tempo de trabalho, uma cirurgia necessária. O intuito é sempre o de ser feliz, resolver as pendengas do ano anterior e seguir a vida como ela sempre foi. Continuar aspirando a novas oportunidades, o casamento marcado, ter o primeiro filho ou o segundo para ser companheiro do primeiro. Ah, quantos sonhos lindos! Mal sabíamos que uma pandemia invadiria nossa vida e, maldosamente, rasgaria nossa lista de desejos traçados no primeiro dia do ano. Não se apresentou a ninguém, não pediu licença para entrar. Veio de roldão, tomando a todos de assalto, fazendo-nos reféns no cativeiro. Com sua mão rude riscou nossos planos da agenda, agora abandonada no criado-mudo.

Já é outubro e o ano de tantas mudanças está terminando, mas a esperança não. O comércio, tão prejudicado pela pandemia, começa a tirar a cabeça pra fora d'água. Exibe decorações de Natal em suas vitrines e as crianças fazem seus inocentes pedidos ao Papai Noel: carrinho, bolas, bonecas ou um celular. As cores deste outubro foram inesperadas. O laranja avermelhado dos incêndios implacáveis e destruidores, os múltiplos tons de cinza da fumaça das queimadas, o azul-claro do céu sem nuvens de chuva. Campos Gerais em alerta! Cores de coisas que chocam e preocupam. Quase esquecemos de que estamos em plena primavera no Hemisfério Sul. Esticando o olhar para qualquer lado onde a vista alcance, a cor dos ipês floridos enfeitando praças, ruas, jardins e quintais.  É a estação mais bonita e colorida do ano.

Para as mulheres o mês de outubro tem mais uma cor, o rosa. Um movimento internacional criado em Nova Iorque, em 1990, visava alertar para os cuidados na detecção e no tratamento do câncer de mama, denominado “Outubro rosa”. A primeira ação no Brasil aconteceu somente em 2002 quando o obelisco do Parque Ibirapuera foi iluminado de cor-de-rosa. Aos poucos a campanha obtêm resultados mais efetivos, com a conscientização de que a doença é fatal, porém tem grande potencial de cura desde que constatada precocemente. Outubro ainda reserva outras cores no dia da padroeira do Brasil. A imagem da santa negra, com o sol dourado a pino, recebendo acenos de lenços brancos.

Texto produzido no âmbito do projeto Crônicas dos Campos Gerais da Academia de Letras dos Campos Gerais.

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