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Concessionárias são cobradas por lentidão em rodovias de PG e região

Segundo a Fetranspar, apenas no trecho que liga Ponta Grossa à Curitiba, o impacto financeiro chega a R$ 4 milhões em prejuízos devido, principalmente, a lentidões causadas por congestionamentos

Edis Luis Moro Conche, diretor da Fetranspar
Edis Luis Moro Conche, diretor da Fetranspar -

Pouco mais de um ano do início da operação dos pedágios nas rodovias que cortam os Campos Gerais, empresas, entidades e a população seguem cobrando melhorias nos trechos administrados por concessionárias. Segundo a Federação das Empresas de Transporte de Cargas do Estado do Paraná (Fetranspar), apenas no trecho que liga Ponta Grossa à Curitiba, o impacto financeiro chega a R$ 4 milhões em prejuízos devido, principalmente, a lentidões causadas por congestionamentos.

Conforme os dados apontados pela Fetranspar, em uma década, o Paraná viu o número de caminhões aumentar. Números divulgados pelo Ministério dos Transportes apontam que a quantidade saltou de 260 mil para 312 mil entre dezembro de 2015 e dezembro de 2025. Nas rodovias, é possível notar que a incidência de veículos pesados é grande.

Com mais veículos circulando, aumentam os congestionamentos. Qualquer acidente ou pane mecânica é responsável por travar o fluxo de veículos por horas. Na BR-277, no trecho que compreende a ligação entre Curitiba e São Luiz do Purunã, trecho importante para a ligação com Ponta Grossa, os transtornos são visíveis.

Edis Luis Moro Conche, diretor da Fetranspar
Edis Luis Moro Conche, diretor da Fetranspar |  Foto: Bernardo Rosas/aRede.

O diretor da entidade, Edis Luis Moro Conche, diz que os atrasos afetam toda a programação do transporte do frete. “Temos caminhões que ficam parados de duas a três horas, com isso, estão perdendo agendamentos nos portos, perdendo janelas de carga e ficando por dias parados por não conseguir reagendar.”

Em sua fala, Edis também pontua a preocupação com a segurança de motoristas. “O prejuízo financeiro é grande para as empresas, impactante, mas nossa maior preocupação hoje é com a segurança dos motoristas e usuários das rodovias que precisam de uma maior fluídez no trajeto”, completa.

O presidente também reforça que, mesmo com a rodovia duplicada, no caso da BR-277, o traçado sinuoso e a presença frequente de neblina complicam o tráfego na estrada. Os veículos pesados, que demandam mais espaço e menor velocidade em áreas de subida, disputam espaço com automóveis leves.

PREJUÍZOS NA INDÚSTRIA

A falta de estrutura viária adequada também causa efeitos na indústria. O superintendente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), João Arthur Mohr, avalia que o trajeto da BR-277 entre o Contorno Sul de Curitiba e a serra em São Luiz do Purunã é o que concentra o maior volume de veículos no Paraná e que a rodovia duplicada não comporta o fluxo atual.

Ele explica que os constantes acidentes e panes mecânicas que geram congestionamentos dificultam a logística das empresas que necessitam utilizar a rodovia para escoar a produção. A alta dos custos é percebida na frota, no gasto com combustível, na manutenção dos estoques e na operação.

“Antigamente, cada caminhão embarcado em Ponta Grossa atravessava a BR-277, passando por esse trecho específico em São Luiz do Purunã e no Contorno Sul de Curitiba, descia a Serra do Mar, descarregava no Porto de Paranaguá e retornava para Ponta Grossa, tudo isso em um dia. Hoje, essa mesma operação é feita em dois dias. O motorista precisa pernoitar em Paranaguá e retornar somente no outro dia, pois é uma incerteza muito grande com relação ao tempo que ele vai levar na estrada”, afirma Mohr.

“Ninguém mais sabe que horas você vai chegar, por exemplo, para uma reunião em Ponta Grossa saindo de Curitiba, pois normalmente, uma estrada de 100 quilômetros de distância que deveria ser feita em uma hora e meia, hoje pode levar de quatro a cinco horas. Isso contribui diretamente para o aumento do custo logístico”, complementa o superintendente.

PEDÁGIOS

Além do alto fluxo, também é importante destacar a implantação das praças de pedágios, que acabam gerando filas ao não dar conta da quantidade de veículos que passam pelas rodovias. Também reduzindo a fluídez nas rodovias do Paraná. A cobrança e a operação dos pedágios em Ponta Grossa e região (lote de rodovias dos Campos Gerais) retomaram suas atividades oficiais em 28 de junho de 2025 e, desde então, as reclamações dos usuários são constantes.

Em busca de uma solução, as concessionárias iniciaram o sistema de pedágio eletrônico conhecido como free flow. O modelo não possui cancelas e faz a cobrança automaticamente a partir de câmeras e sensores, aplicando a tarifa fixa, definida em contrato, de forma uniforme a todos os usuários. Atualmente, o free flow é tema de contestação na Justiça e na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep).

A Via Araucária, que atua nos contornos Norte e Sul de Curitiba, nas interligações entre municípios da Região Metropolitana de Curitiba e a rota entre a capital e Guarapuava, informou ao que está em fase de estudos sobre a possibilidade de substituição das cinco praças de pedágio previstas no contrato de concessão pelo modelo free flow. A implantação do sistema dependerá das definições regulatórias e contratuais. Atualmente, não há previsão para a adoção do sistema.

A EPR Litoral Pioneiro, que atua em 27 cidades nas regiões do Litoral, Campos Gerais e Norte Pioneiro do Paraná, informou que não há previsão de pedágio automático.

Já a Motiva Paraná, que cuida de 569 quilômetros de rodovias, instalou o sistema em outras regiões: no km 2 da PR-445, em Tamarana, e outro no km 292 da BR-376, em Mauá da Serra. Eles ainda não estão em funcionamento, mas devem ser ativados ainda no primeiro semestre.

LIDERANÇAS PEDEM MELHORIAS

Elizabeth Schmidt, prefeita de Ponta Grossa
Elizabeth Schmidt, prefeita de Ponta Grossa |  Foto: Bernardo Rosas/aRede.

A prefeita de Ponta Grossa, Elizabeth Schmidt, ressalta que, apesar do grande benefício do município em ser uma "capital dos caminhões", a cidade está sofrendo por ter um fluxo pesado de caminhões e carros compartilhando o mesmo trajeto no perímetro urbano. Em sua fala, a chefe do Executivo Municipal também cita o projeto do novo Contorno Leste.

"Nós tínhamos um contorno, mas ele foi absorvido e agora é uma avenida. Estamos discutindo este um traçado, e quando a PRVias esteve comigo se apresentando como nova concessionária responsável pela obra, solicitei encarecidamente que trouxessem este traçado do projeto para trabalharmos juntos, mas até agora, isso não aconteceu", declara a prefeita.

O vereador Julio Kuller também citou problemas em rodovias que cruzam Ponta Grossa e os demais municípios da região. "Nós percebemos que a as as estradas aqui do nosso entorno estão horríveis. Aliás, o Governo nos prometeu um pedágio barato, moderno e transparente. Não é barato, não é moderno e não é transparente", completa.

Segundo ele, a região enfrenta dificuldades no escoamento de grãos devido a estas questões. "Temos, por exemplo, dificuldade de escoação de grãos aqui da região dos Campos Gerais que vão para o Porto Paranaguá e tem que obrigatoriamente ir do trecho de Ponta Grossa a Curitiba. Antigamente a gente levava uma hora e meia para chegar até Curitiba, hoje leva 3 horas. Em momento algum as concessionárias ou o governo disseram que estão prevendo uma terceira via para nós. Nós temos os pedágios também completamente desorganizados, com filas enormes. Antigamente, quando as outras concessionárias tinham a concessão aqui, se retirava acidentes com muita rapidez, hoje levam-se horas para retirar os acidentes e isso causa um transtorno enorme", destaca.

RESUMO

Prejuízos e gargalos na BR-277: A Fetranspar e a Fiep relatam prejuízos milionários (R$ 4 milhões só entre Ponta Grossa e Curitiba) devido a congestionamentos, neblina e acidentes que dobraram o tempo de viagem dos caminhões até o Porto de Paranaguá.

Debate sobre pedágios e tecnologia: Após um ano de retomada das concessões, filas nas praças continuam sendo alvo de críticas; concessionárias estudam ou testam o sistema free flow (sem cancelas), mas ainda sem previsão de adoção definitiva na região dos Campos Gerais.

Cobrança de lideranças locais: A prefeita Elizabeth Schmidt cobra definição sobre o projeto do novo Contorno Leste, enquanto o vereador Julio Kuller critica os altos custos, a falta de terceiras faixas e a demora das concessionárias no atendimento a acidentes.

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