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Com 26 mil árvores mapeadas, PG ganha reconhecimento internacional

Levantamento identifica espécies, condições e grau de atenção das árvores e aponta caminhos para ampliar a cobertura vegetal

Parque Ambiental Governador Manoel Ribas
Parque Ambiental Governador Manoel Ribas -

Atualmente, Ponta Grossa possui 26.720 árvores mapeadas em áreas públicas, segundo dados da Secretaria Municipal de Meio Ambiente. O levantamento faz parte do diagnóstico da arborização urbana e permite identificar não apenas a quantidade de árvores, mas também as condições e as necessidades de manejo de cada indivíduo.

Das árvores analisadas, 23.906 estão vivas e 878 foram classificadas como mortas. O estudo também identificou 39.571 pontos considerados potenciais para novos plantios.

Em relação à origem das espécies, 47,7% das árvores são nativas, enquanto 32,1% são exóticas e 20,2% são exóticas invasoras. Quanto ao porte, 62,4% são consideradas de pequeno porte, 34% de médio porte e apenas 3,6% de grande porte.

O diagnóstico também classificou as árvores conforme o grau de atenção necessário. Ao todo, 14.234 indivíduos foram considerados de baixo grau de atenção, 6.241 de grau médio, 2.072 de grau alto e 4.176 foram classificados como prioritários.

O levantamento, no entanto, ainda não foi concluído. De acordo com a Secretaria, cerca de 70% da área total de Ponta Grossa já foi diagnosticada. Por isso, ainda não há uma definição precisa sobre quais regiões apresentam menor cobertura vegetal. Essa informação deverá ser consolidada após a conclusão do estudo.

Parque Ambiental Governador Manoel Ribas
Parque Ambiental Governador Manoel Ribas |  Foto: Divulgação

Plantio de novas árvores

A Secretaria Municipal de Meio Ambiente não produz mudas. Os plantios são realizados principalmente a partir de compensações ambientais determinadas em processos de licenciamento ou multas, além de parcerias com instituições como o Viveiro da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) e o Instituto Água e Terra (IAT).

Somente em 2025, aproximadamente 7 mil mudas foram plantadas no município. As ações contemplaram tanto a composição paisagística de vias públicas quanto a recuperação de áreas degradadas.

A Prefeitura informa que atualmente conta com três equipes específicas para o plantio de árvores, arbustos e flores, que também atuam na manutenção e conservação desses espaços. Já a contratação de novas equipes para serviços de poda e manejo de árvores em vias públicas está em processo licitatório.

Espécies nativas são prioridade

Segundo a Secretaria, a prioridade nos novos plantios são espécies nativas regionais, diversificadas e adaptadas às condições dos Campos Gerais. A escolha leva em consideração o espaço disponível e as características de cada local.

A preferência por espécies nativas busca preservar a biodiversidade, oferecer alimento e abrigo para a fauna, favorecer a adaptação das árvores ao clima e às condições ambientais da região e contribuir para a conexão entre áreas verdes e fragmentos de vegetação.

A Prefeitura também afirma que a escolha de espécies adequadas ajuda a evitar a expansão de espécies exóticas invasoras, que podem competir com a vegetação nativa.

“Árvore certa no lugar certo”

A definição de onde cada árvore será plantada considera uma série de fatores, como o porte da espécie, o tamanho da calçada, a existência de rede elétrica, o sistema radicular, a distância de edificações, a largura da área disponível e a proximidade de redes de água e esgoto.

Também são avaliadas a necessidade de podas, a produção de frutos e o risco de queda.

O planejamento é orientado pelo Plano Municipal de Arborização Urbana (PMAU), que busca reduzir conflitos entre árvores, calçadas, redes elétricas e sistemas de drenagem. Segundo a Secretaria, o princípio adotado é o de “árvore certa no lugar certo”.

A legislação municipal também estabelece que o plantio em vias públicas precisa ser aprovado e determina restrições de porte conforme a presença de equipamentos públicos e redes.

Praça Pôr do Sol
Praça Pôr do Sol |  Foto: Julia Sansana/aRede

Retirada de árvores segue regras

A retirada ou poda de árvores também depende de autorização. Em áreas públicas, a solicitação é feita por meio de protocolo e a execução do serviço é realizada pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente.

Em áreas particulares, a supressão ou poda só pode ser autorizada em situações previstas pela legislação, como quando a árvore apresenta risco de queda, está em condições fitossanitárias inadequadas, causa possíveis danos ao patrimônio, impede a implantação de faixa livre de pelo menos 1,20 metro na calçada ou apresenta porte incompatível com o local.

A retirada também pode ser autorizada em casos de espécies invasoras ou quando o corte for indispensável para a realização de uma obra.

Quando a autorização é concedida pela Secretaria, o responsável fica vinculado a um Termo de Compromisso para restauração florestal. A compensação determina o número de indivíduos que deverão ser repostos para cada árvore retirada, considerando características como a espécie e o diâmetro da árvore suprimida.

As mudas utilizadas na compensação são determinadas pela própria Secretaria e devem ter, no mínimo, 2,5 metros de altura. O plantio pode ocorrer no mesmo imóvel, conforme as regras estabelecidas, ou as mudas podem ser doadas à Prefeitura.

Meta é ampliar a cobertura vegetal

A Prefeitura pretende utilizar como referência as metas estabelecidas pelo Ministério do Meio Ambiente no Plano Nacional de Arborização Urbana, incluindo a chamada regra 3-30-300.

A meta nacional prevê ampliar a cobertura vegetal urbana para 30% até 2035 e 32% até 2045. Para Ponta Grossa, o próximo passo será estabelecer uma linha de base própria e, a partir dela, definir metas municipais de acordo com as características territoriais e ambientais da cidade.

A Secretaria afirma ainda que a manutenção do reconhecimento “Tree Cities of the World” dependerá da continuidade dessas políticas. Como a candidatura ao programa é anual, o município precisará demonstrar, nos próximos anos, a manutenção dos critérios exigidos pela certificação.

Entre as medidas previstas estão a ampliação e atualização do inventário arbóreo, novos plantios, reposição de mudas, priorização de espécies nativas, ações de manejo, educação ambiental, participação da população e destinação de recursos para a arborização urbana.

Dessa forma, o reconhecimento conquistado em 2026 representa, segundo a Secretaria, não apenas uma certificação pelo trabalho já realizado, mas também um compromisso de continuidade e aprimoramento da gestão das árvores de Ponta Grossa.

'Árvores são fundamentais para a infraestrutura da cidade', diz arquiteto e urbanista

Áreas mais antigas e consolidadas tendem a ter uma arborização mais estabelecida, enquanto regiões de expansão urbana, periféricas e bairros mais recentes podem apresentar menor cobertura vegetal.

Conforme o estudo realizado pelas professoras Sandra Stocker Kremer Tadenuma e Silvia Méri Carvalho da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), a arborização urbana, em especial aquela de vias públicas, proporciona uma série de benefícios sociais, ambientais e econômicos, sendo reconhecida como um serviço público.

Devido a sua importância para a qualidade de vida da sociedade, seu conhecimento oferece subsídios importantes para que o poder público elabore e aperfeiçoe planos voltados à arborização urbana.

Ainda de acordo com as professoras, qualquer planejamento ou manejo deve partir do conhecimento do patrimônio arbóreo existente - identificação e quantidade de árvores, distribuição espacial, áreas potenciais para plantio, necessidades de manejo e até mesmo remoção de espécies que possam estar oferecendo algum tipo de risco à população ou ao patrimônio, particular ou público.

Árvores ajudam a reduzir a temperatura

Para o arquiteto e especialista em urbanismo, Henrique Zulian, a arborização é uma infraestrutura urbana fundamental para a cidade. De acordo com Zulian, as árvores ajudam a reduzir a temperatura, oferecem sombra, melhoram a qualidade do ar, contribuem para a drenagem da água da chuva e qualificam os espaços públicos para caminhadas e permanências.

Henrique Wosiack Zulian é conselheiro na área de Urbanismo
Henrique Wosiack Zulian é conselheiro na área de Urbanismo |  Foto: aRede

“Uma cidade arborizada também tende a ser mais confortável e convidativa para as pessoas. Se o trabalho for bem feito, não existe nenhuma desvantagem em se ter uma cidade com muitas árvores. Árvores inadequadas ou plantadas sem planejamento podem gerar conflitos com calçadas, redes elétricas e infraestrutura. O problema, portanto, não é ter árvores, mas escolher espécies e locais sem considerar o funcionamento da cidade”, destaca Zulian.

O arquiteto e urbanista ainda afirma que Ponta Grossa possui um centro muito pouco arborizado, e isso acontece pelo fato de haver ruas estreitas e antigas, etc. Zulian alerta que o ideal é pensar a árvore junto com a calçada, a drenagem, a iluminação e as redes de infraestrutura, e não plantá-la depois que todo o restante já estiver definido.

“A questão do Centro da cidade ter ruas estreitas não pode ser desculpa para a falta de arborização na região. O que falta é coragem de tornar as calçadas mais largas e o transporte público mais eficiente. Nós precisamos parar de tratar o carro como prioridade absoluta no desenho das ruas. Em muitos casos, uma vaga de estacionamento público ocupa um espaço que poderia receber uma árvore, um canteiro, um banco e algum outro mobiliário urbano. Transformar parte desse espaço em infraestrutura verde é uma decisão urbanística relativamente simples, mas que exige vontade de priorizar o conforto e a qualidade do espaço público”, finaliza.

Moradores falam sobre benefícios em morar em áreas arborizadas

Os benefícios das árvores nos bairros são confirmados pelos moradores. A estudante Paula Carregari, moradora do Jardim Carvalho, afirma que a presença das árvores perto da sua ajuda nos dias de calor intenso e na circulação de ar mais fresco.

“Já morei em locais mais centrais que não tinham arborização nenhuma, e sinto que eu sofria muito à noite com calor, com um ar mais seco e abafado. Onde estou agora, as árvores ajudam muito na circulação do ar e fica mais fresco dentro de casa. Sem contar a vista que fica mais bonita”, ressalta Paula.

Por outro lado, há também quem sofra com a falta de arborização perto de casa. A engenheira química, Gabriela Mendes, moradora da região central de Ponta Grossa, destaca que não ter árvores perto de onde mora resulta na falta de sombra e ar fresco.

Ela ainda ressalta que viver em um local mais arborizado melhoraria muito a vista e o frescor.

“As árvores fazem muita falta, fica tudo muito abafado. Se eu pudesse, mudaria-me para uma região mais arborizada aqui de Ponta Grossa. Acredito que a única desvantagem de morar em um lugar com muitas árvores seria a constante manutenção, a poda das árvores para evitar acidentes durante as tempestades”, finaliza.

Uma cidade arborizada é importante não só para tornar a vista mais bonita, mas também para melhorar a qualidade de vida dos moradores e tornar o município um local mais agradável de se viver.

Pensando nisso, o Grupo aRede traz o Guia Verde de Ponta Grossa, com os principais parques e áreas verdes para visitação.

• Parque Ambiental Governador Manoel Ribas, localizado na Avenida Vicente Machado, Centro.

• Parque Monteiro Lobato, localizado na Avenida Ernani Batista Rosas, Bairro Jardim Carvalho.

• Parque das Araucárias, localizado na Rua Aderly Turek, Bairro Cará-Cará.

• Praça do Pôr do Sol, localizada na Rua Visconde de Nacar, Bairro Estrela.

Todos esses locais apresentam áreas verdes e uma arborização que garante sombra e ar fresco para os visitantes. Os parques e praças são ideais para passeios ao ar livre, piqueniques, caminhadas e realização de atividades físicas. Os visitantes devem se preocupar apenas em cuidar do ambiente, mantendo-o sempre limpo e não cortando ou podando as árvores.

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